Em meados do ano passado, falamos aqui do bitchat mesh — um mensageiro baseado em redes Bluetooth lançado pelo famoso cofundador do X (na época, ainda chamado Twitter 1), Jack Dorsey.
Pois bem, ontem, o excêntrico empresário foi à rede social que ajudou a criar para sinalizar que sua mais nova criação foi removida da App Store chinesa a pedido do governo local, que citou, entre outras coisas, a presença de conteúdo “ilegal” no app para justificar a ordem.
Como comentamos na época do seu lançamento, o bitchat mesh aposta na tecnologia Bluetooth Mesh para permitir o envio de mensagens dentro de um alcance de até 300 metros — solução que dispensa quaisquer redes Wi-Fi ou celular. O app também não pede informações como o endereço de email e o número de telefone do usuário.
bitchat pulled from the china app store pic.twitter.com/jrrd0gDrA9
— jack (@jack) April 5, 2026
Em sua postagem, Dorsey incluiu uma captura de tela do email enviado pela Apple com a notícia da remoção do seu app, que diz:
Os aplicativos devem cumprir todos os requisitos legais em qualquer local onde você os disponibilize. Sabemos que isso é complicado, mas é sua responsabilidade entender e garantir que seu aplicativo esteja em conformidade com todas as leis locais.
A ordem de remoção foi expedida pela Administração do Ciberespaço da China (ACC), que, como notado pelo Cointelegraph, disse que o bitchat mesh violou o Artigo 3 de seus regulamentos dedicados aos serviços online “com capacidade de influenciar a opinião pública ou mobilizar a sociedade”. Em vigor desde 2018, ele diz que apps como o de Dorsey devem passar por “uma avaliação de segurança antes do lançamento” e “ser responsável pelos resultados da avaliação”, o que não teria acontecido.
Essa medida, vale ressaltar, afeta apenas a App Store da China, de modo que o bitchat mesh continua disponível em outros mercados — como os de Madagascar, Uganda, Nepal, Indonésia e Irã, onde ele ganhou certa popularidade em meio a protestos contra os governos locais.
Apesar da sua proposta flexível, o app gerou críticas de especialistas de segurança na época do seu lançamento. Entre as preocupações levantadas, estão o mau funcionamento do seu sistema de verificação de identidade e brechas para golpes.