A Apple sofreu uma derrota parcial antes de um julgamento importante relacionado ao iCloud no Reino Unido. Trata-se de um caso iniciado em 2024 pelo grupo Which?, que acusa a empresa de monopólio ao “obrigar” seus usuários a pagar pelo seu serviço de armazenamento na nuvem.
A empresa, vale recordar, argumenta que a Apple se aproveita do monopólio do iOS para obter vantagens em mercados relacionados (como o do iCloud) e dificulta o uso de serviços alternativos. Por isso, ela deveria indenizar cerca de 40 milhões de clientes que teriam sido afetados por essa alegada obrigatoriedade.
De acordo com o MacRumors, a Maçã tentou convencer o colegiado responsável a excluir do processo usuários do iCloud que não assinaram o serviço, mas acabou sendo derrotada em uma votação apertada (2 a 1) — o que significa que o processo abrangerá pagantes e não pagantes do serviço.
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Como observado pelo site, a abordagem da Which? é incomum, já que geralmente apenas consumidores que pagaram por um serviço teriam direito a uma indenização. Isso porque a empresa está afirmando na acusação que até mesmo usuários gratuitos foram prejudicados.
A alegação é que usuários beneficiados pelos 5GB gratuitos do iCloud poderiam desejar contratar mais armazenamento. Porém, a suposta redução da concorrência teria inflacionado artificialmente os preços, impedindo parte desses usuários de contratar planos pagos por causa do custo elevado.
Dois membros do colegiado defenderam a manutenção do escopo atual por entenderem que a Which? levantou um novo tipo de questão legal. O que ficou do lado da Apple, no entanto, alegou que o caso poderia levar a uma enxurrada de casos com reivindicações secundárias baseadas em hipóteses.
Com o escopo mantido, a Apple poderá ter que pagar nada menos que £3 bilhões (aproximadamente R$22,8 bilhões) no total aos usuários afetados caso o tribunal entenda que a empresa abusou de sua posição no mercado e deu ao iCloud um tratamento preferencial no iOS em detrimento de outros serviços do gênero.