Autoridades reagem ao fechamento de Apple Store sindicalizada nos EUA

Autoridades reagem ao fechamento de Apple Store sindicalizada nos EUA

Desde quando seu fechamento foi anunciado, a Apple Store localizada no Towson Town Center (em Towson, Maryland, nos Estados Unidos) vem sendo motivo de controvérsias, com represálias de trabalhadores e até mesmo chefes de Estado.

Prestes a ser fechada no próximo dia 20, ela foi a primeira Apple Store sindicalizada, precedendo a Apple Store de Oklahoma — que seguirá como a única loja da Maçã com organização de sindicato no mundo. A empresa não apresentou um plano de contingência para os quase 100 funcionários que estarão em breve desempregados.

O prefeito de Baltimore — que fica próxima a Towson, sede do Condado de Baltimore —, Brandon M. Scott (Partido Democrata), repudiou a posição da Apple:

Aos homens e mulheres do IAM Local 4538, saibam que eu me solidarizo e continuarei a lutar por um tratamento justo em nome de vocês.

Esse fechamento impacta os trabalhadores e toda a região. A loja da Towson Town Center é um dos espaços da Apple de mais fácil acesso na nossa área, atendendo moradores que não possuem carros, estudantes das nossas faculdades e universidades, adultos e pequenos negócios que dependem dela para reparos, suporte técnico e acesso à tecnologia.

Quando a Apple foge de Towson sem uma substituição de loja planejada, ela foge de comunidades que ajudaram a construir o seu sucesso, afastando o alcance de serviços críticos.

A Apple é uma das corporações mais ricas da história do mundo. Ela pode custear a coisa certa a se fazer com os trabalhadores e com essa região. Eu estou pedindo que ela ofereça a esses funcionários as mesmas oportunidades ofertadas aos empregados de lojas não sindicalizadas.

O governador de Maryland, Wes Moore (Partido Democrata), reconheceu a relevância do trabalho desempenhado pela Apple com a loja nos últimos anos, mas fez coro às críticas:

A Apple Store do Towson Town Center tem sido um polo do varejo para a região desde 2022. Ela proporcionou empregos bem remunerados, impulsionou a atividade econômica e se tornou um relevante centro local de serviços para a região. Com a primeira loja de varejo da Apple sindicalizada no país e uma unidade com forte desempenho, seus trabalhadores provaram que o crescimento econômico e os direitos dos trabalhadores andam juntos. Agora, o tapete está sendo puxado debaixo dos pés deles. Esses cidadãos de Maryland merecem os mesmos direitos e oportunidades de transferência assegurados a outros funcionários da Apple, e nós nos solidarizamos com eles.

No Congresso americano, cerca de 40 dos seus membros assinaram uma carta conjunta destinada a e para que a empresa reconsidere o fechamento da loja e explore alternativas que preservariam o trabalho de quase 100 empregados.

Confira um trecho:

Como representantes dos Estados Unidos preocupados com a implementação e o cumprimento da legislação trabalhista, estamos profundamente alarmados que esse fechamento pareça ser apenas o mais recente movimento em um esforço de repressão sindical. Como legisladores com objetivos legislativos comuns de promover crescimento econômico justo e equilibrado e bons empregos, solicitamos que encontrem soluções alternativas que garantam que a região de Baltimore mantenha tanto seus profissionais técnicos qualificados quanto o acesso à tecnologia e aos produtos que ajudam a impulsionar os negócios e a indústria local.

Caso essa unidade seja fechada, quase 100 trabalhadores especializados em tecnologia ficarão desempregados em um dos cenários econômicos mais difíceis da história recente. Isso apesar da loja de Towson ser uma unidade com forte desempenho e da administração local ter contatado recentemente novos funcionários para ampliar sua força de trabalho. […] Estamos profundamente alarmados que esse fechamento pareça ser apenas o mais recente movimento em um esforço de repressão sindical.

A última réplica da Apple sobre o tema, realizada no dia 28 de abril, partiu da alegação de que o sindicato concordou com uma cláusula contratual que especificava que, em caso de fechamento, a Apple transferiria ou recontrataria funcionários se a Apple abrisse uma nova loja dentro de 80 quilômetros da localização atual de Towson e que, caso contrário, a indenização seria negociada com o sindicato.

O sindicato contestou a justificativa da empresa alegando não haver a citada cláusula contratual que determinasse a demissão dos funcionários após o fechamento da loja. O sindicato, desde então, incentivou os seus clientes a protestarem contra o encerramento.

via 9to5Mac [1, 2, 3]