A cada atualização anual do macOS, uma escolha da Apple em particular gera quase tanta curiosidade quanto as mudanças e os novos recursos do seu sistema operacional: o nome que acompanhará o update.
Hoje, faremos uma breve recapitulação das principais escolhas da Maçã sobre os nomes de cada versão do sistema operacional dos seus computadores, passando por décadas de codinomes felinos e, mais recentemente, paisagens californianas.
As (várias) mudanças do passado
Antes disso — no período do Mac OS Classic, que abrange os sistemas dos Macintoshes lançados entre 1984 e 2001 —, os nomes dos sistemas da Apple eram usados quase exclusivamente de forma interna. Publicamente, as versões recebiam denominações bastante protocolares, mas, nos bastidores, praticamente todas carregavam codinomes.

O System 6, por exemplo, teve versões conhecidas internamente como Antares (6.04), Big Deal (6.05), SixPack (6.06) e Terminator (6.08). Já o System 7 passou por uma verdadeira coleção de nomes, incluindo Blue, Beta Cheese, Cube-E, I Tripoli, Jirocho, Mozart, Capone, Danook, Thag e Marconi, entre outros. Também houve casos específicos, como Road Warrior, utilizado nos primeiros PowerBooks, além de Unity, Buster, Son of Buster, Harmony e Ides of Buster, empregados em versões posteriores do sistema.
A partir do Mac OS 8, os nomes foram predominantemente relacionados à teoria musical — é o caso do codinome Tempo no Mac OS 8, Allegro no Mac OS 8.5 e Sonata no Mac OS 8.7 (versão de desenvolvimento do que viria a ser o Mac OS 9). As exceções são o Mac OS 8.1 (intitulado Bride of Buster) e o Mac OS 8.6 (Veronica).
Essa só se tornou uma tradição marqueteira a partir do Mac OS X 10.2, quando Steve Jobs apresentou a nova versão do sistema operacional como Mac OS X Jaguar, levando um codinome ao público pela primeira vez — antes do Jaguar, a Apple utilizou os codinomes Kodiak para a versão beta, Cheetah para a 10.0 e Puma para a 10.1 —, inaugurando a era de nomes de grandes felinos.
Os animais ditaram os sistemas dos Macs por cerca de dez anos (de 2002 até 2012): foi o caso do Mac OS X 10.3 Panther, Mac OS X 10.4 Tiger, Mac OS X 10.5 Leopard, Mac OS X 10.6 Snow Leopard, Mac OS X 10.7 Lion e, por fim, OS X Mountain Lion 10.8 — que abandonou (temporariamente) o prefixo “Mac”.
OS X Mavericks 10.9: a alteração de rota rumo à Califórnia
A partir da décima versão do macOS (então OS X), a Apple adotou publicamente nomes com as regiões da Califórnia, tendência que segue em vigor até os dias de hoje.
A troca, aliás, andou em paralelo a uma mudança paradigmática do sistema: foi somente com o OS X Mavericks 10.9 que a Maçã deixou de cobrar pela atualização dos seus sistemas operacionais, permitindo que os seus usuários, a partir do Snow Leopard (na compilação 10.6.8), atualizassem as suas máquinas sem custos adicionais — uma realidade que permanece até os dias de hoje.
O primeiro destino geográfico escolhido pela Apple remete a uma região litorânea conhecida pelas altas ondas, propícias para a cena local do surfe. O papel de parede do OS X 10.9 dava destaque à curvatura de uma grande onda em tons de azul e turquesa, com clara inspiração na localização que deu nome ao update.

Em matéria de software, o OS X Mavericks ficou marcado pelo aprimoramento na gestão de performance, bateria e memória, aproveitando melhor o hardware dos computadores da Apple. Quanto aos recursos, o sistema trouxe os links compartilhados no Safari, respostas embutidas em notificações, abas e tags no Finder, melhor suporte ao uso de múltiplos monitores, além da introdução de novos aplicativos, como o Mapas e iBooks.
OS X Yosemite 10.10
Pouco mais de quatro horas adiante (ou 314km, para ser mais exato), encontramos o Parque Nacional de Yosemite. A área já era considerada tão importante para a preservação ambiental que Abraham Lincoln autorizou sua proteção e uso público em 1864, anos antes da criação de Yellowstone, reconhecido como o primeiro parque nacional do mundo. Outro grande entusiasta de Yosemite foi Theodore Roosevelt, que ajudou a consolidar a sua importância dentro do sistema de parques americanos.
Um dos maiores símbolos do parque — e também o destaque do wallpaper oficial do sistema — é o Half Dome, um monólito de granito com impressionantes 2.696 metros de altitude. Localizada no coração de Yosemite, a formação foi considerada inescalável por alguns geólogos do século XIX, até que George G. Anderson realizou a façanha em 1875, escalando-a descalço. Muito possivelmente, a foto usada pela Apple foi registrada com uma lente teleobjetiva nas proximidades da Ahwahnee Meadow.

O OS X Yosemite 10.10 foi um marco importante na trajetória do macOS. Muito lembrado pelas mudanças de design na interface — com elementos translúcidos e ícones de formas planas que definiriam a identidade visual do sistema por várias gerações —, ele também deixou como legado a introdução dos recursos de Continuidade (Continuity) entre o OS X e o iOS.
Inicialmente, a novidade englobava apenas o AirDrop, as chamadas telefônicas, o app Mensagens, o Handoff e o Instant Hotspot. Ainda assim, ela inaugurou um nível de interoperabilidade que ajudou a redefinir a forma como o mercado de tecnologia passou a enxergar ecossistemas compostos por diferentes produtos de uma mesma marca.
OS X El Capitan 10.11
A apenas 20 minutos de distância do Ahwahnee Meadow, a próxima parada do Mac é outra atração turística presente dentro do Parque Nacional de Yosemite: o El Capitan é um monólito de granito de quase 900 metros que se ergue acima do vale do parque.

O papel de parede provavelmente foi fotografado a partir do mirante Tunnel View, de onde é possível avistar o El Capitan à esquerda do vale. Ao fundo, surge o Half Dome — um enquadramento que parece refletir o espírito da atualização. Diferentemente de Yosemite, o OS X El Capitan 10.11 deu menos ênfase à introdução de novos recursos e concentrou seus esforços em correções de bugs, otimizações de desempenho e refinamentos da experiência de uso. Entre as principais novidades, estavam um Spotlight aprimorado, a adição do Split View e diversas melhorias nos aplicativos nativos da Apple.
macOS Sierra 10.12
Cerca de 338km depois (aproximadamente quatro horas e meia) de Yosemite, passando pela cordilheira de Sierra Nevada (situada no leste da Califórnia, a oeste do Mount Whitney), temos o Lone Pine Peak, cenário da montanha que aparece no wallpaper do sistema.

Além da mudança de nomenclatura de OS X para macOS (colado e com o “m” minúsculo, como segue até os dias de hoje), a atualização é particularmente lembrada pela inclusão da Siri no Mac, o Desbloqueio Automático (Auto Unlock) com o Apple Watch e a Área de Transferência Universal (Universal Clipboard) entre Macs, iPhones e iPads.
macOS High Sierra 10.13
Uma rápida viagem de 80 minutos (129km) é capaz de nos levar ao próximo destino fotografado pela Apple: North Lake, localizada na pequena cidade de Bishop, entre as montanhas da cordilheira de Sierra Nevada. Ali, muito possivelmente em meio ao outono, o registro eternizado no papel de parede do sistema foi feito.

Quando falamos do sistema, aos moldes do próprio El Capitan e do Snow Leopard, o macOS High Sierra 10.13 focou muito mais no aprimoramento interno do macOS do que em novos recursos, mas vale mencionar a inclusão do novo sistema de arquivos da Maçã (o Apple File System, ou APFS), do suporte aos formatos audiovisuais HEVC e HEIF, bem como a chegada da segunda geração da tecnologia de desempenho gráfico Metal.
macOS Mojave 10.14
Depois das montanhas, que peculiarmente ficam na margem do wallpaper, vieram as dunas. Com uma distância de 253km (ou três horas de carro), o próximo destino é o Parque Nacional do Vale da Morte, o ponto mais quente do continente americano — onde se registrou a maior temperatura da história (56,7°C) em julho de 1913, e onde a foto do papel de parede do macOS Mojave 10.14 foi feita.

Já sobre as novidades do sistema, essa versão do macOS é particularmente conhecida pela introdução do Modo Escuro, a inclusão dos Conjuntos (Stacks) na Mesa (Desktop), além da estreia de apps já conhecidos dos usuários de iOS, como o Apple News, o Bolsa (Stocks), o Gravador de Voz (Voice Memo) e o Casa (Home).
macOS Catalina 10.15
A 428km adiante do Deserto de Mojave (cerca de cinco horas e meia de carro), nós temos a Ilha de Santa Catalina, destino paradisíaco — e remoto — da costa sul da Califórnia que deu nome à versão do macOS lançada em 2019. Pela posição da foto, o que se especula é que o registro oficial da Apple tenha sido feito com o auxílio de um drone ou helicóptero, sobrevoando as águas para capturar Catalina sob diferentes períodos e iluminações para fornecer o tema dinâmico disponível no sistema.

Essa atualização marcou o fim do iTunes, que foi segmentado em um catálogo de aplicativos separados (Apple TV, Música, Apple Podcasts), mas sua adição mais relevante muito possivelmente foi o recurso Sidecar, que possibilita o uso do iPad como um monitor externo do Mac.
macOS Big Sur 11
Com uma distância de 524km da Ilha de Catalina, a próxima parada é na Ponte Bixby Creek (inaugurada em 1932 e particularmente conhecida por suas estradas com curvas), localizada na costa central de Big Sur, que dá nome a essa versão do macOS — o papel de parede retrata também a parte litorânea do local.

Sobre o sistema, a versão marcou a transição dos processadores da Intel para o Apple Silicon com o lançamento do M1, trazendo novos ícones, materiais translúcidos, um novo Dock, Central de Controle e de Notificações.
Esta versão também foi um marco para o sistema operacional, pois, pela primeira vez em muitos anos, a Apple abandonou as sub-versões 10.x e passou para o número 11 — o que se manteve nos anos subsequentes.
macOS Monterey 12
Ainda na costa de Big Sur, o macOS Monterey 12 marcou a quebra de uma tradição: pela primeira vez em anos, a Apple optou por não incluir um registro fotográfico como possível papel de parede ou tela de descanso, mantendo apenas temas dinâmicos para ilustrar o sistema dos Macs naquela ocasião.

O Condado de Monterey, que inspirou o nome do sistema, é particularmente lembrado por ter abrigado a primeira capital da Califórnia, quando a região ainda era de domínio dos governos da Espanha e do México.
Em relação ao sistema, o grande destaque foi a introdução do Controle Universal (Universal Control), permitindo que um único conjunto de periféricos (como teclados e mouses) seja utilizado simultaneamente no Mac e no iPad.
macOS Ventura 13
Por volta de 450km de distância (quatro horas e meia de trajeto) depois, temos o Condado de Ventura, que inspirou essa versão do macOS. Emancipado do Condado de Santa Bárbara em 1873, ele abriga o píer mais antigo do estado da Califórnia. Mais uma vez, a Apple optou por não incluir um papel de parede fotográfico.

Quanto aos seus recursos, o macOS Ventura 13 se destacou pela adição do recurso Organizador Visual (Stage Manager) e melhorias no Spotlight, Safari, entre outros aplicativos nativos do sistema que ganharam reformulações.
macOS Sonoma 14
Do Condado de Ventura até Sonoma, são 748km (pouco mais de sete horas de trajeto) até a região norte de San Francisco, conhecida por abrigar centenas de vinícolas. O registro da Apple foi feito na vinícola Mazzocco Sonoma, no rancho de Warm Springs.

Depois de dois anos, a Apple enfim retornou com os papéis de parede fotográficos no macOS, funcionando também como protetores de tela (screensavers) dinâmicos que lentamente se tornam um wallpaper estático após o login.
A maior novidade do sistema foi a implementação dos widgets interativos na Mesa (Desktop), além de reformulações no modo Jogo, na relação do sistema com acessos remotos e no compartilhamento de conteúdos em videochamadas, com novidades também no Safari, na Siri e nos recursos de acessibilidade.
macOS Sequoia 15
Saindo de Sonoma, nosso próximo destino está localizado a quase sete horas de distância (mais ao sul da Califórnia, a exatos 547km de distância); trata-se do Parque Nacional da Sequoia, que abriga algumas das maiores árvores do planeta em termos de volume.

O registro do papel de parede é remoto o suficiente para não termos uma dimensão exata da sua localização geográfica (até porque a Apple nunca divulgou essa informação), mas é seguro afirmar que as imagens foram capturadas em algum dos bosques de sequoias da Sierra Nevada.
Além da estreia controversa dos recursos da Apple Intelligence devido à discrepância entre o que foi apresentado e as funcionalidades entregues, o macOS Sequoia 15 introduziu o Espelhamento do iPhone (iPhone Mirroring), a organização de janelas em mosaico e o aplicativo Senhas (Passwords).
macOS Tahoe 26
Do Parque Nacional de Sequoia, partimos rumo ao norte, até a fronteira entre a Califórnia e o estado do Nevada (uma distância de 330km, ou três horas e meia de trajeto). O próximo destino é o Lago Tahoe, também presente na cordilheira de Sierra Nevada. Ele é particularmente conhecido por ser o maior lago alpino da América do Norte em termos de altitude.

Conhecido por suas águas cristalinas, o lago é um destino frequente para esqui. O papel de parede do macOS Tahoe 26 exibe um ângulo baixo sobre o lago, com as rochas em primeiro plano, enquanto os pinheiros e as montanhas de Sierra Nevada aparecem ao fundo.
Quanto ao sistema, além da unificação da numeração com todo o ecossistema (iOS, iPadOS, watchOS, tvOS e visionOS) da Apple, essa versão foi especialmente marcada pelo redesign de interface com a estreia do Liquid Glass. Outras novidades incluem a adição das Atividades Ao Vivo (Live Activities) ao recurso Continuidade, além de revisões do Spotlight, Central de Controle e os recursos da Apple Intelligence.
macOS Golden Gate 27
E, enfim, chegamos à versão mais recente do macOS! Com uma distância de 330km (trajeto com cerca de três horas e meia), nosso próximo destino é o cartão postal da cidade de San Francisco: a Ponte Golden Gate.

Ela foi, até 1964, a maior ponte suspensa do mundo — caso seus cabos de sustentação fossem esticados, teriam tamanho o suficiente para dar três voltas no planeta.
Enquanto sistema, assim como o Snow Leopard ou o High Sierra, o macOS Golden Gate 27 é marcado por sua abordagem de priorização dos refinamentos, tanto relacionados ao visual Liquid Glass quanto aos recursos da Apple Intelligence e da Siri, que agora se torna Siri AI.
E você aí, usa o macOS desde que versão? Alguma, em especial, lhe marcou? Ou você (ainda) não é usuário de Mac, mas gostou de todas essas curiosidades? 😊
via Basic Apple Guy