Muito se tem falado nos últimos anos sobre como a inteligência artificial generativa vem transformando vários aspectos de nossa vida digital — inclusive a forma como interagimos com os nossos smartphones, com seus respectivos sistemas operacionais e aplicativos neles instalados.
Após o boom dos chatbots, desencadeado pelo lançamento do ChatGPT, uma das primeiras fabricantes a investirem pesado nesse mercado foi a Samsung, que impressionou os usuários com sua Galaxy AI, a qual levou aos smartphones da empresa recursos poderosos de edição que hoje em dia parecem banais com a tecnologia atingindo uma maior maturidade.
A Apple, como bem sabemos, foi bem mais cautelosa nesse sentido. Embora já invista em machine learning em seus dispositivos há muitos anos, a Maçã passou um bom tempo simplesmente ignorando a (até então, aparentemente) “modinha” da IA generativa — isso, até um ponto que se tornou praticamente impossível deixar de lado o fato de que ela veio, e veio para ficar.
De uma hora para a outra, a empresa passou até mesmo a reconhecer o termo artificial intelligence (AI) como parte essencial do novo dicionário da tecnologia e, em 2024 (sim, já faz mais de dois anos desde o anúncio oficial), apresentou ao mundo aqueles que seriam seus primeiros passos nesse novo universo — sem, é claro, deixar de dar seu jeitinho para roubar a sigla para si.
De início, a Apple Intelligence parecia muito promissora — embora ainda mais limitada que suas contrapartes nos sistemas concorrentes. A maior estrela parecia ser a Siri, que finalmente veria cumprida a tão aguardada promessa de se tornar uma assistente inteligente para os padrões atuais.
O que é a Apple Intelligence?
Pedro Henrique Nunes22/08/2024 • 08:00Até hoje, no entanto, após o lançamento de recursos extremamente básicos como as Ferramentas de Escrita (Writing Tools) e uma ferramenta de Limpeza (Clean Up) em imagens que, em muitos casos, dá vergonha se comparada a opções generativas de concorrentes, a Siri permanece praticamente a mesma de outrora — embora isso finalmente deva ser uma página virada nos próximos meses.
Prometida para 2024, ela foi adiada para 2025, posteriormente para 2026. Como vimos na WWDC26, a assistente será completamente reformulada com o lançamento do iOS 27, previsto para setembro — algo que, como bem sabemos, só é possível graças ao acordo entre a Maçã e o Google para usar o Gemini como base para a nova geração dos seus Apple Foundation Models.
Apple explica como se deu a parceria com o Google para uso do Gemini
Douglas Nascimento08/06/2026 • 21:57Mas e as concorrentes, em que passo elas estão? Desde o lançamento da Galaxy AI, passando por recursos lançados por outras fabricantes, o que já é possível fazer usando IA generativa em seus dispositivos e sistemas? Até que ponto isso é uma vantagem real em relação ao que também já temos (e ao que já sabemos que teremos) nos iPhones?
Nesta publicação, vamos elencar os recursos de IA que estão disponíveis no mercado atualmente, bem como discutir se eles já existem (ou se já foram prometidos) em algum nível nos sistemas da Apple — seja nativamente, seja por meio de aplicativos de terceiros.
Recursos de edição de imagens
Praticamente todas as grandes fabricantes de smartphones com Android apresentam algum recurso que permite aos usuários fazer edições generativas em imagens — algo que vai desde a remoção de algum elemento indesejado até mesmo à adição de elementos inexistentes.
Sendo um pouco mais generalista, o app do Google Fotos, que é nativo na maioria dos aparelhos com Android atuais, conta com uma série de recursos de edição com IA interessantes — como o Editor Mágico (que permite mover e redimensionar objetos em uma imagem), a Borracha Mágica (para remover objetos indesejados) e a Remoção do Desfoque (para melhorar fotos borradas com IA generativa).
Pulando especificamente para modificações do Android de outras fabricantes, a já supracitada Galaxy AI é o exemplo mais proeminente, com recursos para lá de interessantes como o Foto Inteligente (que permite ajustar, redimensionar ou remover objetos e completa o cenário “com perfeição”). Além disso, ela permite usar um prompt ou imagem de referência para inserir novos elementos.
Outras fabricantes, como a Xiaomi e a Motorola, também contam com recursos de edição com IA. Mas e a Apple? O que temos em termos de edição generativa para imagens? Até agora, ela se resume a um pequeno recurso presente no aplicativo Fotos (Photos): o Limpeza.
Ao contrário dos recursos rivais que citamos acima, o da Maçã nasceu com um propósito bem mais limitado (ele está explícito em seu nome). Nada de mover coisas do lugar ou adicionar elementos inexistentes: a ideia era primordialmente fazer uma limpeza e remover o que o está incomodando.
“IA, remova o celular do rosto da pessoa”
— Vinícius Porto (@vinnitec) January 6, 2026
Apple: 👽
Samsung: aqui está um novo rostopic.twitter.com/aiZVbiorUk
Apesar de ter nascido bem básico e até ineficiente (tanto que foi alvo de zombaria e de várias comparações desde seu lançamento), o recurso ficará bem mais aceitável e até mesmo comparável às soluções rivais com o iOS 27. Além de fazer uma limpeza em certo objeto ou ponto na foto que o está incomodando, ele também usará IA generativa para preencher o conteúdo eliminado de maneira inteligente, deixando a foto mais natural e bonita.
Além dessa opção Limpeza, a Apple adicionará, com a futura versão do iOS, outras duas bem interessantes que irão na mesma linha: Estender (Extend) e Reenquadrar (Reframe). A primeira usa IA para permitir estender uma imagem nas bordas e preencher esse espaço adicional generativamente. A segunda, por sua vez, permite reposicionar em termos angulares o sujeito em uma imagem — algo que, a meu ver, não fica nem um pouco natural, pelo menos nessa fase beta.
Além disso, caso tenha um iPhone, você definitivamente não está limitado ao recurso nativo — embora recursos nativos certamente sejam mais convenientes. É possível baixar uma série de apps de terceiros com recursos de edição generativa, como os da Adobe (Lightroom e Photoshop Express), o PicsArt e, obviamente, o já citado Google Fotos.
Também é possível usar os próprios chatbots populares que já conhecemos para fazer edições. Embora eles tendam muitas vezes a distorcer e modificar o conteúdo da imagem original (o seu rosto, por exemplo), eles são muito bons para aplicar filtros com base em determinado prompt que descreva o efeito que você quer passar com a edição especificada.
Geração de imagens, adesivos e emojis
Uma das maiores maravilhas da IA é que, além de ser capaz de realizar edições (como descrevemos acima), ela também é muito boa em criar coisas do mais absoluto zero — obviamente não de forma totalmente literal, uma vez que tudo o que ela cria pode ser considerado uma verdadeira colcha de retalhos de criações preexistentes que serviram como base para seu treinamento.
Como no tópico anterior, começaremos explorando o que já é possível fazer no Android nativamente. Acredito que a mais padrão de todas seja o Gemini. Embora seja um app de chatbot, é muito fácil mandar um prompt descrevendo uma imagem que se quer gerar para que ele a crie em poucos segundos, graças ao poder do modelo de geração de imagens Nano Banana integrado ao app.
Além disso, a empresa também disponibiliza os modelos Imagen via kits de desenvolvimento de software para que qualquer desenvolvedor terceiro possa integrá-los aos seus apps para gerar avatares, backgrounds, ícones e elementos visuais no sistema. Também há o MediaPipe Image Generator, que permite gerar imagens a partir de texto no próprio dispositivo usando modelos de difusão.
No iPhone, o grande destaque nessa seara certamente é o recurso Genmoji. Ele permite usar linguagem natural para gerar um emoji facilmente com as descrições especificadas — desde que não fuja dos padrões e diretrizes definidas previamente pela Apple (como não fazer referências sexuais ou a atividades ilícitas).

A Apple também implementou o recurso Image Playground, projetado para criar imagens em poucos segundos a partir de conceitos, descrições em texto e de outras fotos. Ele funciona tanto como um aplicativo standalone quanto em apps como Mensagens (Messages) e Freeform — o que acaba sendo uma baita vantagem em relação a outros softwares disponíveis no mercado.
Como muitos dos recursos que estamos apresentando, até o iOS 26 o Image Playground é bastante limitado, não permitindo criar imagens com estilos mais realistas. Isso também mudará com o iOS 27; será possível pedir ao app para gerar imagens em praticamente qualquer estilo — o que foge um pouco da abordagem mais cautelosa com qual a Apple encarava a IA generativa.

Outro recurso de geração de imagens da Apple que eu curto bastante é a Varinha Mágica do iPad. Ela usa IA para criar uma imagem estilizada bem interessante a partir de determinado rabisco de desenho feito no app Notas — o que é um recurso bem interessante ao ser usado com o Apple Pencil.
De qualquer forma, se você não quiser se limitar aos recursos de geração de imagens presentes nativamente nas plataformas da Apple, a boa notícia é que os principais softwares de geração de imagens estão plenamente disponíveis no iOS, especialmente quando falamos em chatbots como o ChatGPT e o Gemini.
Assistente
Assistentes como a Siri e a Alexa, como bem sabemos, sempre usaram algum nível de machine learning para operar. Mas esse uso era bem diferente da IA que é alimentada pelos grandes modelos de linguagem atuais. Isso porque as assistentes executavam apenas um conjunto de comandos específicos já pré-programados — o que é útil para coisas rotineiras como acender a luz, fazer uma ligação para um contato ou definir um alarme. Mas era só isso. Nada de “pensar” ou criar respostas de forma mais inteligente.

Com a IA generativa, esse modelo de operação anterior agora parece brinquedo do passado. Como usam modelos treinados para aprender a próxima palavra e não dependem de intents fixas, elas são capazes de gerar uma resposta nova (e não pré-programada) para cada prompt, sendo capazes de explicar, resumir e lidar melhor com ambiguidades existentes na fala humana.
É por isso que muitas assistentes atualmente estão adotando uma abordagem híbrida que usa a IA generativa para entender e conversar com o usuário em conjunto com o sistema mais tradicional para executar as ações desejadas por ele. A IA generativa também permite às assistentes responder a perguntas sobre o mundo sem a necessidade de levar o usuário para uma busca na web.
Donos de smartphones com Android já estão conhecendo muito bem essa nova abordagem. Embora o Google Assistente tenha passado a contar com a “assistência” do Gemini em alguns aspectos nos últimos anos, a empresa está promovendo uma transição completa para o app do seu chatbot de IA, que tem o potencial de ser muito, mas muito mais assistente do que o Google Assistente já foi um dia.

O Gemini já é capaz de responder a perguntas mais abertas, explicar conceitos complexos e entender o contexto do que está na tela do aparelho, mas sem abrir mão da integração com o sistema e o hardware dos aparelhos — algo que é possível por meio de APIs 1Application programming interfaces, ou interfaces de programação de aplicações. do próprio Android, que funcionam como interfaces que permitem à assistente executar ações como definir alarmes, abrir aplicativos ou controlar funções do dispositivo.
Mas e no caso do iOS, a que ponto estamos? Bem, aparentemente não muito distantes do que tínhamos há dez anos. A Siri continua operando com uma arquitetura completamente ultrapassada que a limita a responder apenas a comandos simples — ou simplesmente dizer que “não pode fazer isso” ao responder a algo mais complexo.

Mas tudo isso mudará com iOS 27 e a Siri AI, futura versão da assistente que passará a se comportar como uma agente com essa abordagem mais híbrida que supracitamos. Além da possibilidade de fazer as tarefas triviais que ela faz hoje, ela deverá ficar mais conversacional, entender melhor prompts encadeados e o que se passa na tela do iPhone para realizar ações com base no contexto.
Também virando uma espécie de aplicativo ao melhor estilo chatbot, a Siri passará a ser capaz de responder a perguntas do mundo real, sem a necessidade de levar o usuário para uma página da web.
E isso será possível justamente graças a uma parceria da Apple com o Google para usar os modelos do Gemini como base por debaixo dos panos. Embora antes tenha cogitado usar exclusivamente suas próprias tecnologias para enfrentar essa empreitada, a Maçã resolveu apostar também no que já está fortemente estabelecido e no que já sabemos que funciona.
Mas como o iOS 27 ainda não foi lançado, caso você queira ter o mínimo de um assistente mais inteligente em seu aparelho, é necessário baixar algum app de chatbot (como ChatGPT, Gemini ou Claude); infelizmente eles não contam com uma integração mais profunda com o sistema, estando mais limitados a coisas como conversação avançada, geração e análise de conteúdo, etc.
Nem mesmo é possível adicioná-los como assistente padrão do iOS para uma ativação rápida usando o botão lateral, por exemplo. Então, quando o assunto são assistentes pessoais, tudo indica que deveremos aguardar pelo menos mais uns meses para ter o mínimo em nossos iPhones de forma definitiva!
Recursos de produtividade
Outro mercado que está sendo (na verdade, já foi) profundamente impactado por recursos de inteligência artificial são os famosos apps de produtividade e escritório. Nesta seção, focaremos em três diferentes gêneros mais convencionais: apps de edição de texto, apresentações e planilhas.
Como sempre começando pelo que há no Android, por padrão, o sistema conta com os apps Documentos, Planilhas e Apresentações (que fazem parte do Google Workspace) e, como praticamente tudo o que é da Gigante de Mountain View atualmente, eles estão lotados de recursos de IA alimentados pelo Gemini.
O Google Docs, por exemplo, é um dos apps do Google com integração mais profunda com a IA, começando pelo recurso Ajude-me a Escrever (para gerar rascunhos de texto com base em um prompt), passando por ferramentas de refinamento de texto, resumos automáticos e criação de imagens.

Pulando para o Google Slides, há o recurso Ajude-me a Visualizar (que pode gerar várias opções de imagens originais para inserir nos slides), geração de temas personalizados que combinam com o conteúdo inserido, bem como a possibilidade de gerar um resumo da apresentação.
Por fim, no Google Sheets há recursos como o Ajude-me a Organizar (para gerar planilhas do zero com base em um prompt), insights e sugestões alimentadas com inteligência artificial sobre a planilha, bem como formatação condicional com cores e regras específicas com base nos dados.
No iPhone, como bem sabemos, também temos os apps da suíte iWork (mais precisamente o Pages, o Numbers e o Keynote). Para a sorte de quem está procurando por recursos de IA, eles foram incluídos no novo pacote Creator Studio (da Apple) e, com isso, ganharam uma série de recursos alimentados por inteligência artificial.
Em todos os três apps, é possível criar imagens de alta qualidade usando modelos generativos com uma descrição de texto, bem como aplicar edições a uma imagem existente. Há também o recurso Super-resolução, sugestões de mascaramento e recorte automático. É possível também gerar formas vetoriais para qualquer projeto e refiná-las apenas usando um prompt de texto.

Mas há também recursos específicos para cada app. No Keynote, por exemplo, é possível usar o recurso Correção de Slide para ajustar automaticamente coisas como layout, espaçamento, alinhamento e tipografia; deixar o app escrever as notas da apresentação automaticamente para você, bem como criar uma apresentação do zero a partir de um esboço de texto.
No Numbers, o grande destaque vai para o recurso Preenchimento Mágico, que reconhece automaticamente padrões no texto para preencher colunas inteiras de uma vez — inclusive podendo converter padrões em fórmulas para possibilitar a realização de cálculos complexos com um único toque.
Caso você não esteja satisfeito com os recursos da Apple, a boa notícia é que muitos dos que estão presentes nativamente no Android também podem ser utilizados no iOS, uma vez que o Google disponibiliza seus aplicativos de produtividade na App Store — ao contrário da Apple, que limita os seus ao seu ecossistema.
Embora algumas funcionalidades possam aparecer de forma mais limitada no sistema da Maçã, uma vez que não há uma integração tão profunda como no Android, você pode inclusive contar com o auxilio do Gemini para realizar tarefas e resumir arquivos neles armazenados. Uma mão na roda!
Recursos de tradução
A IA generativa trouxe uma verdadeira revolução quando falamos em recursos e plataformas de tradução. Eles funcionavam de maneira engessada, já que dependiam de bancos fixos de palavras, regras gramaticais pré-programadas e reconhecimento limitado de voz — o que resultava em uma grande dificuldade para interpretar aspectos como contexto, intenção, sotaques e gírias.
Já os modelos modernos de IA generativa e machine learning avançado, em vez de simplesmente traduzirem palavra por palavra e tentarem formar a frase a partir delas, passaram a entender a linguagem de forma contextual, conseguindo interpretar o significado geral de uma frase, prever construções mais naturais e particularidades idiomáticas.
Obviamente, recursos de tradução e transcrição alimentados com IA também chegaram aos smartphones. Começando com o Android, essas duas coisas estão profundamente integradas ao Gemini e aos próprios serviços do Google — como o Tradutor, que deixou de ser aquele software passivo nos moldes que comentamos acima (embora seu núcleo ainda funcione dessa forma).
Atualmente, o Google Tradutor conta com modelos do Gemini integrados para melhorar a tradução de sentenças mais complexas (principalmente em gírias, contexto regional e expressões idiomáticas), bem como com um recurso de tradução simultânea por voz que funciona com quaisquer fones de ouvido conectados ao aparelho que preserva elementos como entonação e ritmo da fala original.
Mais recentemente, o aplicativo do Google também ganhou um novo modelo de áudio dedicado focado em traduções ao vivo que substitui a abordagem tradicional da empresa, sendo capaz de traduzir fala em tempo real de forma contínua, sem depender de texto como intermediário.
Fabricantes como a Samsung também contam com seus próprios recursos do gênero, como a Galaxy AI com o recurso Live Translate, que é capaz de traduzir chamadas em tempo real diretamente no aplicativo Telefone — embora ainda dependa fortemente da compatibilidade de idiomas e da qualidade da conexão para funcionar.
Pulando para o mundo da Maçã, enquanto o Google integrou recursos poderosos de IA ao tradutor, o app Traduzir da empresa parece ter saído de 2015. Isso porque ele ainda conta com aquele estilo de tradução menos contextual que citamos anteriormente — algo que torna as traduções bem mecânicas e por vezes imprecisas em determinadas situações.
Outro ponto que pesa contra o app da Apple é o suporte a um número bem ilimitado de idiomas: apenas 16 no momento em que esta matéria é publicada. Embora já suportasse bem mais idiomas que o serviço da Apple (o que é compreensível, considerando toda a sua história), o Google expandiu ainda mais seu suporte graças à IA — algo que começou a ser feito em 2024.
Mas como nem só de app de tradução vive um ecossistema, a Apple também conta com recursos interessantes no iOS alimentados por IA — como a Tradução ao Vivo, que está fortemente integrada a aplicativos (como Telefone, Mensagens e FaceTime) e até mesmo em produtos de hardware da empresa como os AirPods.
Como requerem muita precisão e agilidade no reconhecimento de fala e na geração da tradução em tempo real, esses recursos estão fortemente integrados aos Apple Foundation Models, funcionando de maneira diferente da tradução que é exibida no aplicativo Traduzir (mais clássica e menos contextual).
Nesse ponto em específico, quem tem um iPhone também não fica muito para trás, visto que é possível com facilidade baixar o aplicativo do Google Tradutor (caso você ache o da Apple insuficiente), bem como softwares mais conceituados e elogiados no que se refere a tradução, como o DeepL (acredito que o mais popular deles).
Conclusão
Hoje, é difícil negar que o Android, impulsionado pelo Gemini e pelas soluções das fabricantes, ocupa uma posição mais madura quando falamos em inteligência artificial. A Apple, por sua vez, chegou mais tarde nesse mercado e ainda tenta cumprir promessas que ficaram pelo caminho — embora neste ano finalmente se prepare para adotar uma estratégia mais consistente para integrar IA de forma nativa ao iPhone.
A boa notícia para quem usa o smartphone da Maçã é que, na prática, quase nenhum recurso de IA é realmente exclusivo. Grande parte das funcionalidades mais avançadas pode ser acessada por meio de aplicativos de terceiros, como ChatGPT, Gemini, Google Fotos, Adobe, DeepL e tantos outros. Nesse ponto, agradeçamos bastante que empresas como o Google não sejam um jardim murado como é a Apple quando o assunto são softwares e serviços.
O que muda é o nível de conveniência: enquanto o Android tende a oferecer essas capacidades de forma mais integrada, o ecossistema da Apple ainda depende, em muitos casos, de soluções de terceiros — embora, novamente, isso deva mudar em uma grande escala com a chegada do iOS 27.
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Notas de rodapé
- 1Application programming interfaces, ou interfaces de programação de aplicações.