Estudo de Harvard com a Apple revela impacto da menopausa na qualidade do sono

Estudo de Harvard com a Apple revela impacto da menopausa na qualidade do sono

A Universidade de Harvard publicou ontem uma atualização no núcleo de estudo desenvolvido em parceria com a Apple sobre a saúde das mulheres — intitulado Women’s Health Study —, especificamente relacionado à qualidade de sono na perimenopausa (período de transição biológica que antecede a menopausa).

O estudo destaca os benefícios de ter uma boa noite de sono durante o período da perimenopausa, sendo os de curto prazo a melhoria do humor e da criatividade, melhor foco e memória, e aprimoramento da capacidade de tomar decisões. Já os benefícios a longo prazo incluem menor risco de problemas de saúde crônica (como doenças cardíacas, diabetes e hipertensão), bem como a diminuição do risco de quedas, acidentes ou mortes de qualquer causa.

Uma “boa noite de sono” pode ser um critério subjetivo, mas algumas das características listadas incluem demorar até 30 minutos para adormecer após ir para a cama, ter um sono sem grandes interrupções e voltar a dormir em até 20 minutos caso a pessoa acorde durante a madrugada.

O estudo mapeou quase 100 mil noites, abrangendo o período de um ano antes e depois dos últimos ciclos menstruais registrados pelas participantes, utilizando relatos e dados de sensores do Apple Watch. Os sintomas da menopausa mais destacados entre as participantes foram os ondas de calor, irritabilidade, exaustão mental e sintomas sexuais.

Participantes que relataram sintomas mais severos — relacionados à bexiga, às articulações, ao sistema cardiovascular ou a quadros depressivos — apresentaram também sono interrompido com mais frequência do que aquelas que relataram sintomas leves, e também apresentaram menor duração de sono.

As mudanças na qualidade do sono se intensificaram com o envelhecimento das participantes, alterando a qualidade ainda mais à medida que a menopausa se aproximava.

Nos 12 meses que antecedem e sucedem o último período menstrual registrado, muitas mulheres passaram mais tempo acordadas à noite: cerca de 60% das mulheres apresentaram aumento de tempo acordadas após adormecer considerando os 18 meses que antecederam a menopausa, com aumento médio de 7%; nos 12 meses seguintes à menopausa, o tempo acordada após adormecer aumentou, em média, mais 0,8%.

Em contrapartida, as participantes que não passaram pela menopausa — nas quais o envelhecimento foi o único fator considerado — apresentaram um crescimento de 0,2% na dificuldade de dormir. Entre quem estava na menopausa, tanto as mulheres que monitoravam seu sono quanto as que não faziam uso de nenhum indicador relataram alterações no sono atribuídas ao período (84% e 77%, respectivamente).

Os pesquisadores ressaltaram a necessidade de identificar precocemente a perimenopausa e mapear os hábitos de sono, o que pode auxiliar a melhorar os hábitos e detectar mudanças de saúde com mais eficiência.

via @aaronp613