Parece que a tentativa da Apple de colaborar com a fabricante chinesa de memória CXMT encontrou mais um empecilho no caminho: supostamente, a possível fornecedora demandou os mesmos valores (ou até maiores) pagos pela Maçã à Samsung Electronics e à SK Hynix. A informação foi reportada pelo site sul-coreano Digital Daily.
O desgaste ocorreu após a Maçã tentar negociar os preços das memórias, tendo seu pedido de redução de preço rejeitado pela CXMT, que manteve preços semelhantes ou até mesmo superiores aos das demais fornecedoras da Apple.
Do lado da chinesa, há alguns motivos para essa postura: a barganha de uma empresa americana com uma série de exigências quanto aos processos de certificação de qualidade contrasta com o conforto do seu domínio do mercado doméstico, já que a fabricante possui contratos de longo prazo sob preços elevados com empresas como a HUAWEI e a Xiaomi.
Os desafios
Mesmo sob forte pressão da Micron e do Senado americano, a negociação com a CXMT (presente na lista de restrições comerciais do Pentágono como uma empresa militar da China, vale lembrar) foi uma alternativa encontrada por Tim Cook para mitigar os efeitos da crise de memória.
De acordo com um executivo da indústria de semicondutores consultado no material sul-coreano, a postura da CXMT ajudou a estabelecer um piso para os preços praticados com a DRAM 1Dynamic random access memory, ou memória dinâmica de acesso aleatório. convencional, suficiente para que a Samsung e a SK Hynix cobrassem um valor consideravelmente mais alto. Esse conforto mercadológico quanto às fornecedoras ocidentais também diz respeito ao foco de produção para memórias de alto desempenho destinadas aos data centers de inteligência artificial (IA), deixando a produção para eletrônicos de consumo em segundo plano — o que naturalmente provoca escassez.
Segundo o analista Tim Culpan, a Apple e seus fornecedores estão correndo contra o relógio para obter chips de memória a tempo do lançamento da próxima geração de iPhones, prevista para ser anunciada no mês que vem. Esse cenário fez com que a Maçã recorresse especialmente à Micron, à Samsung e à SK Hynix. A escassez poderá afetar a disponibilidade do “iPhone 18 Pro” e do “iPhone 18 Pro Max”, embora ainda exista alguma confiança de que a demanda inicial poderá ser suprida.
Resta a dúvida se a Apple seguirá em suas tratativas com a CXMT ou se dará o braço a torcer aos interlocutores estadunidenses dessa história. Em ambos os cenários, infelizmente, parece que a conta irá chegar mais alta ao consumidor final.
Notas de rodapé
- 1Dynamic random access memory, ou memória dinâmica de acesso aleatório.