Que a alta demanda por componentes em servidores de inteligência artificial tem feito com que chips de DRAM 1 se tornem cada vez mais escassos — e caros — no mercado, todo mundo já sabe. No entanto, outro componente igualmente importante para dispositivos como iPhones também vem sofrendo com uma procura crescente por parte dessas empresas de tecnologia.
Esse componente (ou, melhor dizendo, material) é o chamado tecido de fibra de vidro, segundo o Nikkei Asia. Ele é muito utilizado em placas de circuito impresso (PCB, na sigla em inglês) e em substratos de chips, como os presentes em dispositivos de nível de consumidor e em processadores que empurram os principais LLMs 2 do mercado.
Acontece que a produção desse tecido é basicamente monopolizada pela empresa japonesa Nitto Boseki (também conhecida como Nittobo), que por muito tempo teve a Apple como sua principal cliente, deixando o restante do mercado com apenas uma fração da produção.
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Fábio Carneiro30/12/2025 • 20:00Com o boom das empresas de IA, no entanto, a fabricante do iPhone começou a ter que lidar com a concorrência de nomes como NVIDIA, Google e Amazon, que começaram a se digladiar para garantir o fornecimento desse precioso material, necessário para a construção de servidores de alta performance.
A situação teria chegado ao ponto de a Apple se ver obrigada a enviar para o Japão representantes oficiais, que teriam como missão pedir ajuda ao governo local na hora de garantir o fornecimento de novos tecidos para 2026 — estratégia copiada por suas rivais, diga-se.
Apesar de todo esse lobby, a Nitto Boseki não estaria conseguindo expandir a sua produção — causando, assim, “um dos maiores gargalos para a indústria de fabricação de eletrônicos e inteligência artificial em 2026”, segundo um executivo de um fornecedor da NVIDIA e da Apple. Ao que tudo indica, só veremos mudanças significativas na linha de produção da fabricante em 2027, o que pode ameaçar a fabricação de certos dispositivos e componentes no curto e médio prazo.
Quem não tem cão…
Como resposta, a Apple tem apelado para outras companhias que também fabricam tecidos de fibra de vidro, mas com qualidade inferior. Entre os nomes citados pelo Nikkei Asia, temos a chinesa Grace Fabric Technology (GFT), que teria recebido funcionários da Apple encarregados de supervisionar a produção desse material.
A Apple também estaria trabalhando em proximidade com a japonesa Mitsubishi Gas Chemical, que produz substratos BT (ou bismaleimida-triazina) — outro material de grande importância na produção de chips e que, igualmente, usa tecidos de fibra de vidro como base — e que também estaria acompanhando a produção da GFT.
Pioneira na adoção de tecidos desse tipo, a Apple teria ainda pedido para que as suas fornecedoras usassem materiais menos avançados em suas respectivas linhas de produção enquanto a situação não se normaliza. Isso, no entanto, tem sido pouco efetivo, já que a adoção de materiais alternativos significaria conduzir novos testes e verificações, o que pode levar algum tempo.
Além da Apple, o veículo também cita a Qualcomm, uma das maiores fabricantes de chips do mundo e que também tem sofrido consideravelmente com a escassez desse tipo de material.
Ainda não está claro se essa crise afetará a fabricação de iPhones (e outros dispositivos da Apple) ao longo do ano, mas tudo indica que a Maçã está menos preparada para lidar com a falta de tecidos de fibra de vidro do que com a de chips de DRAM.