Nova Siri não está interessada em estabelecer conexões românticas, garantem executivos da Apple

Nova Siri não está interessada em estabelecer conexões românticas, garantem executivos da Apple

O vice-presidente sênior de software da Apple, Craig Federighi, e o vice-presidente sênior de marketing mundial da empresa, Greg Joswiak, concederam uma entrevista pós-WWDC26 ao podcast Mostly Human with Laurie Segall na qual falaram um pouco mais, entre outras coisas, sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, a estratégia adotada para a Siri e privacidade.

A conversa começou com Federighi discorrendo sobre a sombra que a IA tem feito em muitas carreiras, inclusive a dele (engenharia de software).

Segundo o executivo, é completamente normal — e esperado — que as pessoas se sintam incertas sobre o seu futuro, principalmente considerando a velocidade com que essa tecnologia tem evoluído:

E embora eu ache que podemos encarar isso como mais um evento da magnitude da Revolução Industrial, que mudou nosso mundo de forma gigantesca, deslocando muitas pessoas no processo, isso ainda levou cerca de 80 anos.

Agora, isso está acontecendo em um período muito mais curto. Então, acho justo que as pessoas digam: “Nossa, não tenho certeza do que isso vai significar para mim” […]

Então, todos que trabalham na minha empresa estão dizendo: “Nossa, essa ferramenta faz muitas coisas que eu costumava me orgulhar de ter aprendido a fazer bem por décadas, e ela já faz bem. Será que a habilidade que eu achava que seria útil agora, com a IA aprendendo tudo isso tão rapidamente, será que essa será a profissão que realmente será útil?”

Acho que são pensamentos bastante pertinentes.

Ao ser questionado se usuários poderão estabelecer conexões mais profundas com a nova Siri, como relacionamentos românticos, Federighi rechaçou completamente a ideia e ainda cutucou outras empresas de IA, que tendem a permitir esse tipo de coisa para manter o usuário engajado:

Muito pelo contrário, porque, como você deve saber, se você usa muitos dos chatbots existentes, eles são realmente focados em engajamento em grande parte. E em bajulação, certo? Eles meio que querem lhe atrair. Podem encorajá-lo a revelar coisas sobre você e usar isso como base para estabelecer uma conexão.

Nós vemos isso de forma bem diferente. Quer dizer, a forma como projetamos a Siri faz com que ela realmente queira dizer: “Olha, não é para isso que estou aqui, certo? Estou aqui para lhe ajudar. Posso lhe ajudar a realizar coisas. Posso lhe ajudar a aprender sobre o mundo.” Mas se você tentar interagir com a Siri como se fosse um relacionamento romântico, ela não está nem aí. A Siri definitivamente não está interessada nisso.

Joswiak, por sua vez, reforçou a fala do seu colega ao dizer que o modelo de negócio da Apple gira em torno de ajudar o usuário a concluir tarefas com eficiência, o que a separaria de outras empresas:

As motivações da Apple são diferentes das de algumas outras empresas. Algumas pessoas têm como modelo de negócio “preciso manter você no que você está usando, preciso manter você no meu aplicativo, na minha experiência; é assim que eu ganho dinheiro. Esse não é o nosso caso.”

E é por isso, ainda segundo Joz, que a Apple tenta fazer tecnologias como a IA se misturarem com outros recursos de seus dispositivos, fazendo-as desaparecer no dia a dia:

Gostamos quando a tecnologia desaparece, não é? Você se concentra apenas no que quer fazer ou no conteúdo. E é a mesma coisa com a IA. […] Não fazemos IA por fazer. “Ei, olhem para nós, estamos usando IA.” É sobre como a IA melhora tudo. E isso melhora nossos produtos, nossos recursos.

Como costuma ser o caso com essas entrevistas, os executivos voltaram a bater na tecla da privacidade, tendo garantido que a Apple não explora os dados do usuário coletados pelos seus dispositivos. “Seus dados são seus e permanecem no seu telefone, sob seu controle, e a Siri os utiliza para você. A Apple não tem acesso a nada disso, e isso é muito diferente da maioria dos concorrentes, e eu acho extremamente importante”, comentou Federighi.

Além do YouTube, a entrevista também pode ser conferida na íntegra pelo Apple Podcasts.

via 9to5Mac