Para chefe do Apple Music, quase ninguém nota diferença em áudio lossless

Para chefe do Apple Music, quase ninguém nota diferença em áudio lossless

Em entrevista para a Billboard, o vice-presidente do Apple Music, Oliver Schusser, discutiu uma série de temas e desafios enfrentados relacionados ao streaming, incluindo a relevância do áudio sem perdas (lossless), a visão da Maçã sobre planos gratuitos, o desenvolvimento do Áudio Espacial e o debate quanto ao uso de inteligência artificial (IA) na indústria da música.

Lossless e Áudio Espacial

Questionado sobre a integração dos produtos de hardware com o Apple Music, Schusser fez questão de enfatizar o recurso de Áudio Espacial como um dos maiores feitos do serviço, pontuando que o áudio lossless não atinge uma parcela significante dos usuários de serviços de streaming, considerando o uso de dispositivos Bluetooth para a reprodução de músicas em grande parte dos casos.

Eu ouvia das gravadoras, “você precisa fazer lossless“. Mas o que elas não percebiam é que lossless, na verdade, não funciona com Bluetooth. Então quando você tem uma conexão sem fio, lossless, na verdade, não funciona. Nos tempos de AirPods e fones de ouvido sem fio, a grande maioria das pessoas não tem fios. Então há muitas pessoas que sequer perceberam isso.

Correto [sobre a maioria das pessoas não notarem a diferença do lossless]. Meu segundo ponto é: honestamente, se fizermos um teste anônimo de um iPhone com fones de ouvido — e você e eu trabalhamos na indústria, e eu presumo que você goste de som tanto quanto eu —, posso te afirmar que muitos fãs não seriam capazes de diferenciar. Mas é o que fizemos com o Áudio Espacial.

Ele enfatizou ainda a complexidade do processo de adaptação dos estúdios e engenheiros de som com o Áudio Espacial em parceria com a Dolby, revelando que apenas 5 mil canções estavam propriamente masterizadas de maneira que já fossem compatíveis com o recurso.

Planos gratuitos

Schusser afirmou que um dos maiores incômodos em relação à indústria é a oferta de planos gratuitos para streamings de música, complementando que a Apple se sente “orgulhosa” de não possuir essa alternativa no Apple Music.

Quando confrontado a pensar no lado da balança do consumidor, o executivo afirmou que não considera a coisa certa para compositores e artistas que eles forneçam gratuitamente o seu trabalho, ampliando o argumento ao reiterar que essas pessoas recebem um retorno de monetização “muito pequeno” e que distribuir música gratuitamente é uma decisão “ruim”.

Inteligência artificial

De acordo com Schusser, cerca de um terço das canções recebidas pela plataforma de streaming de música da Maçã são feitas por inteligência artificial (IA). Quanto ao uso proprietário, ele afirmou ser pequeno:

A verdade é, o uso de música por IA no Apple Music é realmente minúsculo. Eu estou chutando, mas é menos de 0,5% de uso. Nós estamos só no começo. O que é complicado mesmo é quando a fraude entra em jogo. Como eu disse, somos obcecados sobre qualidade na experiência do Apple Music. Nós temos uma satisfação de cliente muito alta. 

Quando questionado a comentar as fraudes, ele afirmou que o conjunto de esforços empreendidos pela Maçã — incluindo penalizações financeiras — diminuiu a incidência de submissões de conteúdo fraudulento em 60%.

Para Schusser, é necessário que a indústria musical consolide diretrizes sobre o uso de IA e a relação de autoria dos artistas e compositores com essas produções:

Tenho dito repetidamente para todos os CEOs e presidentes [das companhias de música] que há de haver um consórcio da indústria onde eles se unam e discutam o que é IA. Aliás, não pode ser só as empresas. Você precisa ter artistas e compositores na sala também, porque não tem nada de errado em artistas e compositores usarem até 100% de IA. Mas alguém precisa então decidir, bem, o que é IA? O que não é IA?

Isso é um passo inicial. Mas colocamos as responsabilidades nos provedores de conteúdo, gravadoras e distribuidoras de dizer, “olha, nós queremos te contar quando estamos utilizando IA”. Nós criamos basicamente indicadores do uso de IA.

A entrevista, com duração total de mais de 1 hora, pode ser conferida na íntegra em vídeo no canal da Billboard no YouTube:

O Apple Music conta com um catálogo de mais de 100 milhões de músicas e 30 mil playlists — muitas delas com suporte a Áudio Espacial (Dolby Atmos) e em altíssima definição, com áudio Lossless. Para quem ama música clássica, há um app dedicado com mais de 5 milhões de faixas, tudo em uma interface simplificada! No Brasil, são três tipos de assinatura: Universitária (R$11,90/mês), Individual (R$21,90/mês) e Familiar (R$34,90/mês). Caso você não seja um assinante, pode testar o serviço de forma gratuita por um mês. Ele também faz parte do pacote de assinaturas da empresa, o Apple One.

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via Music Ally