Em entrevista ao The Wall Street Journal, o secretário de comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, comentou sobre a possível parceria da Apple com fabricantes chinesas de memória.
Indagado sobre o tema durante a inauguração do Centro de Manufatura Avançada em Houston, no estado do Texas, Lutnick confirmou que já havia mencionado suas preocupações à Apple e criticou a alternativa encontrada pela empresa. Ele declarou:
A administração Trump não é favorável a isso. [É preciso encontrar] outras soluções para o problema da memória, mas não é uma boa ideia que empresas americanas usem memória chinesa. […] Eles construíram suas cadeias de suprimento com base em mão de obra de baixo custo. Agora precisam construir uma cadeia de suprimento baseada em manufatura avançada. A Apple consegue fazer isso? É claro que consegue. Vocês verão, passo a passo e peça por peça, que eles trarão partes significativas de seus negócios de volta para casa.
Já o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, destacou o caráter protecionista das posições do presidente Donald Trump:
O realocamento da fabricação de semicondutores de volta aos EUA é uma prioridade máxima para o presidente Trump, cujas políticas já garantiram centenas de bilhões de dólares em investimentos nesse setor estratégico. […] A administração Trump continua concentrada em trazer mais investimentos e empregos para os americanos, enquanto resguarda a nossa segurança nacional.
Os motivos da Apple para seguir com a aquisição de memórias chinesas são diversos: diversificar os seus parceiros de manufatura frente à crise de memória, e, possivelmente, lidar com os prazos desafiadores relacionados à produção dos seus próximos iPhones — previstos para serem anunciados no mês que vem.
A parceria já vinha sendo rechaçada por senadores americanos (tanto dos governistas quanto os de oposição) e pela fabricante de memórias Micron. As empresas consideradas pela Apple estão incluídas na lista do Pentágono de corporações ligadas às instituições militares da China, proibindo relações comerciais entre elas e o governo americano.
O diretor de operações da Apple, Sabih Khan, optou por evitar o conflito direto sobre o tema, não confirmando se a parceria com a CXMT ou a YMTC se concretizou de fato; ele afirmou que a crise de memória faz com que a empresa tenha “que analisar todas as opções”, mas reiterou os esforços da Apple em estreitar os laços da sua produção com o seu país natal — o que inclui aportes [1, 2] que somam mais de US$600 bilhões em investimentos na indústria doméstica até 2029.