Após meses de impacto em diversos níveis da produção de eletrônicos, a crise de memória fez com que a Apple finalmente admitisse que aumentará os preços de seus produtos para compensar o aumento expressivo dos custos de chips de memória e armazenamento, como confirmado pelo CEO 1 Tim Cook em entrevista exclusiva ao The Wall Street Journal.
Cook se recusou a dar detalhes sobre o cronograma ou a escala dos aumentos de preços planejados, bem como quais produtos serão afetados.
Infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis. Estamos fazendo o possível para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados para nós e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável.
Cook afirmou que os preços de memória e armazenamento são problemas para a empresa, embora tenha se concentrado particularmente no mercado de DRAM 2, destacando o aumento das alocações para a chamada memória de alta largura de banda (high bandwidth memory, ou HBM), usada em servidores de IA.
Há menos oferta em um momento em que os consumidores querem dispositivos e os fabricantes de memória estão repassando aumentos de preços exorbitantes. Definitivamente, precisamos que os preços e a oferta de memória retornem a níveis razoáveis para produtos de consumo. Essa é a questão fundamental.
A Apple gasta dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, o que a torna uma das maiores clientes do mundo. Historicamente, a empresa usou seu poder para obter os preços mais baixos dos fornecedores — mas, com a entrada massiva das empresas de inteligência artificial no mercado, ela não conseguiu manter esse privilégio.
Durante seu tempo trabalhando na cadeia de suprimentos de eletrônicos, da IBM à Compaq e à Apple, Cook nunca viu uma oscilação de preço de commodities como a dos últimos seis meses. “Essa é uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos. Nunca vi nada parecido em nenhuma região em mais de 40 anos.”
Mesmo nesse cenário, Cook afirmou que a Apple não usaria seu capital e expertise em semicondutores para construir suas próprias fábricas de memória e armazenamento: “Não podemos fazer tudo. Sabemos no que somos bons.”
Ainda assim, ele apontou que a empresa está pronta para usar suas reservas de caixa para aumentar o fornecimento de memória:
Estamos dispostos a usar nosso balanço patrimonial para ajudar a fazer parte da solução. Obviamente, mais capacidade é necessária.
O executivo também argumentou que o governo americano deverá flexibilizar acordos e parcerias com empresas chinesas líderes em memória e armazenamento, de modo a “analisar toda a oferta”.
Possíveis aumentos de componentes
A demanda crescente por chips de memória e armazenamento por parte de empresas de IA elevou tanto o custo desses produtos que a Apple teria que aumentar substancialmente os preços de seus dispositivos para manter suas margens de lucro. Repassar o custo mais alto para os consumidores, mantendo sua margem de lucro, adicionaria cerca de US$270 ao preço do “iPhone 18 Pro”, segundo estimativas da TechInsights divulgadas pelo WSJ.
Levando em conta os componentes do iPhone 17 Pro, os analistas estimam que a Apple pagou cerca de US$39 pelos 12GB de DRAM — mas que, no 18 Pro, o custo poderá chegar a US$145. Para o armazenamento flash, muito mais barato, a estimativa é de que a Apple pagou cerca de US$13 por 256GB, e esse preço poderá subir para US$51.
Além da DRAM e do armazenamento flash, os analistas estimam que o custo de fabricação e das peças do iPhone 17 Pro para a Apple seja de aproximadamente US$530. No caso do “iPhone 18 Pro” de entrada o custo estimado poderá aumentar 25%, alcançando US$726.

Embora a Apple não divulgue as margens de lucro bruto de produtos individuais, a pesquisa da TechInsights sugere que a margem do iPhone 17 Pro de entrada (que custa US$1.100) seja de 47%.
Para manter essa margem de lucro no “iPhone 18 Pro”, com base nos custos estimados, a empresa teria que cobrar US$1.371, mas como ela padroniza o valor, o preço inicial provavelmente seria de US$1.299, resultando em um lucro bruto de 44%.
Esse cálculo, como destacado pelo WSJ, não leva em conta um possível novo sistema de câmeras que também custará à Apple cerca de 50% a mais do que os modelos anteriores, como já apontado pelo analista Ming-Chi Kuo. Neste caso, seguindo o mesmo raciocínio, a Apple poderia definir o preço inicial do “iPhone 18 Pro” em US$1.399 — ou quem sabe até mais.
É aquela história: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come… 😰
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