Em uma nova entrevista ao Esquire, o CEO 1 da Apple, Tim Cook, comentou como o 50º aniversário da empresa o faz lembrar de Steve Jobs, bem como abordou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — e como isso não significa que seus valores estejam mudando.
No que tange o cofundador da Apple, Cook disse que pensa nele com frequência, bem como negou por muito tempo a gravidade que doença que acometeu Jobs.
Penso nele com frequência — e nos últimos meses, pensando no quinquagésimo aniversário, ainda mais, para ser sincero. Você pensa nas coisas em que ele acreditava. Ele acreditava na colaboração, que se você reunisse um pequeno grupo de pessoas, o resultado desse pequeno grupo seria muito maior do que o de qualquer indivíduo entre elas.
Eu neguei por muito tempo a gravidade da doença e como ela se desenvolveria, porque eu o tinha visto se recuperar tantas vezes que presumi que ele sempre se recuperaria.
Tanto é que, mesmo nessas circunstâncias, Cook esperava que Jobs assumisse uma posição no conselho da empresa.
Quando assumi o cargo de CEO, pensei que ele seria presidente executivo do conselho para sempre — era o que eu pensava literalmente seis semanas antes. Olhando para trás, sei que alguém poderia dizer: “Como você pôde pensar isso, dadas as circunstâncias?”. Mas não era assim que eu pensava naquele momento.
Definitivamente, ainda é a empresa dele.
Como dissemos, Cook também falou sobre sua estratégia para interagir com o governo Trump, alegando que a atual administração “é muito acessível”.
Vocês me verão em todos os lugares e pensarão: “Ah, ele está se reunindo com alguém que tem uma visão diferente da dele”. Eu acho isso bom.
Acho que um problema no mundo atual é a polarização, de forma que diferentes pontos de vista não são compartilhados nem discutidos. Eles simplesmente se tornam inflexíveis. E não acho isso bom.
Cook afirmou ainda acreditar na importância do diálogo para compreender o ponto de vista dos outros — mesmo que seja contrapostos aos seus ideais. Ele também afirmou, categoricamente, que seus valores são os mesmos de quando ele entrou na Apple.
Acho que você precisa ter valores consistentes e não mudá-los com a maré ou com as mudanças nas outras pessoas. Mas acho que você deve interagir e dialogar com todos — eu interagi com os dois partidos políticos nos EUA… interagi com governos do mundo todo, alguns com os quais tenho opiniões muito diferentes.
Protótipos de dispositivos da Apple
Cook também se reuniu com o Wall Street Journal para uma entrevista durante a qual ele passou por uma coleção de protótipos, documentos e outros materiais da história da empresa — admitindo até mesmo que desconhecia a existência de alguns deles.
O primeiro documento exibido foi a patente do Apple II, que Cook acredita ser a primeira patente registrada pela Apple. Desde então, o executivo afirma que a empresa registrou entre 140.000 e 150.000 patentes.
Ao apresentar um protótipo do iPod, Cook foi questionado sobre o que ele significava para a Apple. Ele disse que “adorou o aparelho na época” e que “as capacidades do dispositivo eram revolucionárias”.
Cook então relembrou o lançamento do iPhone como seu momento favorito, pois era um dispositivo que toda a equipe usava diariamente. “Estávamos usando o smartphone daquela época, e era uma experiência horrível”.
Ao ver um protótipo do Apple Watch, Cook foi questionado sobre o que mudou entre o início não tão impactante e o sucesso atual do dispositivo. Segundo ele, os dispositivos só alcançam sucesso da noite para o dia “de forma inversa” e que o vestível se trata de “inovação contínua”.
Quando pressionado sobre qual seria o próximo grande produto da Apple em dez anos, Cook disse que estaria na interseção de hardware, software e serviços. “Gostamos de controlar toda a experiência do usuário”, continuou.
“A gratidão que sinto pelo 50º aniversário, depois de muita reflexão, não se resume a uma coisa em particular. Sou muito grato a todos que fizeram parte dessa jornada”, concluiu o executivo.