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A terceira temporada de A Casa do Dragão deixa uma provocação: quando a busca pelo poder sai do controle, quem paga a conta? As grandes batalhas enchem a tela, mas o verdadeiro custo dessa guerra civil vai além do espetáculo visual. Nesta edição, analisamos o season finale, fazemos um balanço da temporada e ponderamos sobre o que a transformação dos personagens indica para a fase final da série.
Para além de Westeros, o cinema traz Hugh Jackman numa versão sombria de Robin Hood e uma aventura bizarra que joga um bairro dos anos 1980 direto na era dos dinossauros. Para fechar, trazemos os destaques dos festivais de filmes feitos com inteligência artificial (IA) no Brasil e as principais estreias da semana nos streamings. Boa leitura!
Uma guerra civil sem vencedores

A terceira temporada de A Casa do Dragão termina de forma parecida com a que começou: uma grande batalha sem vencedores. A série – nesta temporada, principalmente – é espetacular. Dragões em tela na maioria dos episódios. Grandes sequências de ação. Cenas que parecem pinturas. No entanto, o alto nível estético da série pode te distrair do ponto crucial da história: o preço da guerra.
O título deste texto pode parecer hiperbólico. Mas uma pessoa importante ecoa minha leitura sobre o season finale (e a temporada como um todo): Andrij Parekh. Quem é esse? É o diretor do último episódio desta temporada. É, essencialmente, quem levou para a sua tela a Batalha de Tumbleton, ponto-chave do material de origem da série: o livro Fogo & Sangue, escrito por George R. R. Martin e publicado em 2018. Em entrevista ao podcast oficial da franquia Game of Thrones, Parekh disse que esta batalha não tem vencedores.
Se eu fosse dar um título para a terceira temporada de A Casa do Dragão, seria: Poder & Desejo. A meu ver, esses foram os grandes temas deste pedaço da Dança dos Dragões. Como o poder muda quem o tem (e quem o perde)? Como o poder impacta quem está bem perto de quem o tem? Como o desejo (inclusive, por poder) guia a trajetória de alguém? O enredo mergulha nisso nos arcos de Targaryens: Rhaenyra (Emma D’Arcy), Aegon (Tom Glynn-Carney), Aemond (Ewan Mitchell), Daeron (Benjamin Evan Ainsworth). E nos arcos dos que gravitam em torno deles: Alyn (Clinton Liberty), Mysaria (Sonoya Mizuno), Ulf (Tom Bennett), Hugh (Kieran Bew), Ormund (James Norton). O poder muda a pessoa – na maioria das vezes, para pior. Ou seja, corrompe (principalmente quando acompanhado de dores pessoais profundas, como no caso de Rhaenyra). É inevitável. E o desejo engana.

O que esta terceira temporada deixa na memória? Minha aposta é que a maioria vai se lembrar das batalhas espetaculares – no mar, no solo, no ar. Neste quesito, a série entregou o que tanto prometeu, o que tanto antecipou, na segunda temporada. Mas, tanto na minha opinião quanto na de quem produziu a série, o que deve ficar na sua memória é o preço da guerra. O mar de corpos na baía após a Batalha da Goela. As cinzas de guerreiros carbonizados em florestas Westeros afora. As ruínas após a Batalha de Tumbleton, com pessoas desoladas cobertas por fuligem, muitas carregando corpos carbonizados de entes queridos.
Vamos deixar o espetáculo e a novela de lado por um tempo. E refletir sobre o seguinte: quem mais sofreu nessas batalhas? Quem pagou o preço pelo cabo de guerra entre facções de nobres (sejam reis e rainhas, sejam vassalos)? Quem foi manipulado por todos os lados envolvidos (que, não se engane, vai além de Verdes e Pretos)? O povo – que agora voltou para as mãos de uma figura tirana. Desta vez, dos Pretos. – P.S.
Quando o poder escapa do controle

Talvez uma das coisas mais interessantes da terceira temporada de A Casa do Dragão seja perceber que, em determinado momento, a guerra deixa de pertencer a quem a começou. Rhaenyra, Daemon, Alicent (Olivia Cooke), Aegon e os demais passaram boa parte da série tentando controlar a disputa pelo Trono de Ferro. Só que, conforme o conflito cresce, as decisões começam a produzir consequências que nenhum deles consegue mais administrar.
Ulf é um ótimo exemplo. Ele era praticamente um desconhecido até ganhar um dragão e ser transformado em uma peça importante da guerra. No finale, a situação sai completamente do controle, e o próprio Ryan Condal (showrunner e um dos roteiristas do finale) reconheceu que Rhaenyra, Daemon, Ormund e o sistema feudal têm responsabilidade pelo caminho que levou o personagem até ali. É uma ideia interessante porque tira a Dança dos Dragões da lógica de “quem está vencendo?” e mostra como uma guerra pode criar seus próprios monstros.
Rhaenyra também termina a temporada muito diferente de como começou. A busca por legitimidade vai, aos poucos, empurrando a personagem para decisões cada vez mais autoritárias, até ela romper com instituições que antes precisava conquistar para governar. O finale transforma essa mudança em algo difícil de ignorar: quanto mais Rhaenyra tenta provar que tem o direito de governar, mais ela se aproxima da lógica de poder que seus próprios inimigos representam.
Talvez seja essa a pergunta que fica para a quarta e última temporada: depois de tanta gente tentar controlar a guerra, quem ainda está realmente no comando? – A.F.
Otras cositas más sobre filmes e séries
- Se você ainda não está pronto para se despedir de Westeros após o season finale de A Casa do Dragão, vale embarcar em (ou revisitar) O Cavaleiro dos Sete Reinos, cujos eventos ocorrem cerca de 80 anos depois. A série acompanha uma dupla pelas estradas do continente. Sor Duncan, o Alto, também conhecido como Dunk, é um cavaleiro jovem e sem posses que tenta ganhar a vida participando de torneios. Já Egg é um menino misterioso de cabeça raspada (daí o apelido) que se torna o escudeiro de Dunk. Em comparação à novela dos Targaryen, é uma história “menor”. Mais intimista. Fazendo um paralelo com Star Wars, é como ir de Retorno de Jedi (1983) para O Mandaloriano (2019).
- A Lionsgate planeja iniciar as gravações da cinebiografia Michael 2 entre o final de 2026 e o início de 2027. O lançamento está previsto para o fim de 2027 ou primeiro semestre de 2028, segundo a revista Variety. O primeiro longa, lançado em abril de 2026, cobre a trajetória de Michael Jackson até a turnê Bad (1987). E faturou US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) nas bilheterias mundo afora. Evidentemente, a continuação deve retratar os anos posteriores do artista, que devem ser mais complicados de retratar num filme. Eles abrangem, por exemplo, a era do álbum Dangerous e as acusações de abuso infantil. A ver o que vai, de fato, chegar às telonas.
- Goiânia recebeu, na quinta-feira (13), a primeira edição do Sintético: Mostra de Filmes de Inteligência Artificial. Gratuito, o evento reuniu produções de diferentes países feitas com ferramentas de IA, além de promover um debate sobre os impactos da IA na produção audiovisual. Já entre 24 e 26 de setembro vai ocorrer a primeira edição do AI Film Awards no Brasil. O evento está agendado para acontecer no Itaú Cultural, em São Paulo (SP). E o Olhar Digital conversou com Vitória Mantovani, diretora do evento no país, e Carol Guimarães, produtora executiva do evento e fundadora da WeDo!, plataforma que receberá a programação virtual. Confira a entrevista exclusiva.
Principais estreias no cinema
A Morte de Robin Hood
O clássico justiceiro, interpretado por Hugh Jackman (o Wolverine nos filmes de X-Men), ganha uma releitura mais sombria e reflexiva. Gravemente ferido após sobreviver a uma grande batalha, o herói é acolhido por uma mulher misteriosa que cuida de seus ferimentos. Fora de combate, ele é forçado a encarar as cicatrizes do passado e lidar com as consequências dos erros e crimes que cometeu.
O Fim da Rua
Nos anos 1980, o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) enfrenta uma crise no relacionamento enquanto cria dois filhos adolescentes (Maisy Stella e Christian Convery). Tudo muda quando uma tempestade misteriosa transporta o bairro de Oak Street para… a era dos dinossauros???
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte
Uma jovem cineasta (Hannah Einbinder) é contratada para comandar o reboot de uma franquia de terror slasher. Sua missão é trazer de volta a estrela do filme original (Gillian Anderson), hoje uma atriz reclusa e misteriosa. No entanto, a busca pela veterana ultrapassa todos os limites éticos da produção. Com isso, o terror deixa de fazer parte do roteiro e transforma as gravações num pesadelo marcado por sangue e… mania psicossexual???
Também acabou de chegar…
- Mourinho — série documental acompanha a trajetória de José Mourinho, revisitando sua passagem pelos maiores clubes do futebol europeu; estreou na Netflix;
- Nando Entre Dois Mundos – Um Filme Sintonia — filme acompanha o retorno de Nando ao Brasil, onde precisa enfrentar o passado para tentar reconstruir a relação com a família; estreou na Netflix;
- Conversando com um Serial Killer: A Mente de Charles Manson — série documental reúne gravações inéditas, relatos e imagens de arquivo para explorar a mente do criminoso Charles Manson; estreou na Netflix;
- Reacher — quarta temporada coloca Jack Reacher no centro de uma conspiração após um encontro com uma desconhecida no metrô de Nova York dar terrivelmente errado; estreou no Prime Video;
- Camp Rock 3 — sequência mostra os integrantes da Connect 3 retornando ao Camp Rock para encontrar a atração de abertura de sua turnê de reunião; estreou no Disney+;
- Hokum — filme de terror acompanha um escritor que viaja à Irlanda para espalhar as cinzas dos pais e descobre que a pousada onde está hospedado é assombrada por uma bruxa; chegou ao Prime Video.
O que chega aos streamings nesta semana
O que esperar para a próxima semana nos streamings?
- Lanternas — nova série da DC acompanha John Stewart e Hal Jordan na investigação de um assassinato que revela uma conspiração capaz de ameaçar o planeta; estreia na HBO Max no próximo domingo;
- Casamento às Cegas: Reino Unido — terceira temporada reúne novos participantes em busca de um relacionamento que sobreviva aos encontros às cegas, à convivência e à pressão até o altar; estreia na Netflix na próxima quarta;
- Queda Livre: As Consequências do Caso Boeing — documentário retoma a investigação sobre a Boeing com novas revelações após a morte do informante John Barnett; estreia na Netflix na próxima quarta;
- Spidey e Seus Amigos Espetaculares — quinta temporada traz novos episódios com a Equipe Spidey enfrentando ameaças ao lado de aliados como Rocket, Groot e Silk; chega no Disney+ na próxima quarta;
- Aqueles Prestes a Morrer — série ambientada na Roma Antiga acompanha disputas pelo poder na dinastia Flaviana em meio a corridas, apostas e combates de gladiadores; chega no Prime Video na próxima terça;
- Outer Banks — quinta e última temporada coloca os Pogues diante de novas ameaças enquanto tentam vingar JJ e conquistar a liberdade; estreia na Netflix na próxima quinta;
- Novak Djokovic: O Lobo no Inverno — documentário acompanha o tenista em seu retorno ao Australian Open de 2025 e explora sua motivação para continuar competindo; estreia no Prime Video na próxima quinta;
- Galera F.C. — segunda temporada mostra Elton Jr. tentando retomar a carreira no futebol enquanto enfrenta uma disputa judicial com o ex-clube e uma crise financeira; chega na HBO Max na próxima sexta;
- Possuída no Deserto — filme ambientado no Arizona de 1849 acompanha uma história de fé e sobrevivência em meio à peste, à violência e aos rumores sobre uma criança considerada amaldiçoada; chega na HBO Max na próxima sexta;
- La Captura — filme mexicano acompanha dois policiais que precisam sobreviver às últimas horas de seus turnos depois de cruzarem o caminho de um chefe de cartel; estreia na Netflix na próxima sexta.
Sugestões e críticas podem ser enviadas para ana.figueiredo@olhardigital.com.br e pedro.spadoni@olhardigital.com.br. Até a próxima sexta! Bom fim de semana!
Ana Luiza Figueiredo (A.F.) e Pedro Spadoni (P.S.)
Repórteres do Olhar Digital
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