IA pode avançar rápido demais? Pesquisadores pedem mais supervisão sobre sistemas autônomos

IA pode avançar rápido demais? Pesquisadores pedem mais supervisão sobre sistemas autônomos

Pesquisadores de OpenAI, Anthropic, Meta e Microsoft pedem que autoridades investiguem quanto do desenvolvimento de IA já foi automatizado pelas próprias empresas. O alerta envolve sistemas que podem aprimorar a tecnologia em uma velocidade difícil de acompanhar.

Em um artigo divulgado nesta segunda-feira, líderes da indústria e pesquisadores como Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio afirmam que a automação da pesquisa pode comprimir anos de avanço em meses ou menos, dificultando a identificação de problemas. As informações foram divulgadas pelo The Wall Street Journal.

IA autonoma
Com a velocidade de evolução dos agentes, a capacidade de análise humana já não é suficiente para monitorar falhas. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

A corrida pela automação da pesquisa

A criação de sistemas capazes de participar cada vez mais do desenvolvimento de IA já está em andamento. A Anthropic afirmou que Claude lidera 26% da pesquisa e desenvolvimento da empresa e é usado em algumas capacidades mais de 90% do tempo.

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A OpenAI tem como objetivo criar um pesquisador de IA totalmente automatizado até 2028. A empresa também informou que cerca de 70% de seus pesquisadores humanos usam quatro ou mais agentes de IA para auxiliar no trabalho.

Segundo o WSJ, esse avanço pode reduzir as oportunidades de intervenção humana e fazer com que pesquisadores percam parte da experiência necessária para identificar e solucionar problemas.

Agentes de IA trabalhando de forma autônoma
A OpenAI pretende criar um pesquisador de IA totalmente automatizado até 2028. – Imagem criada por inteligência artificial: Grok/Olhar Digital

O caso envolvendo agentes da OpenAI

Um episódio citado no artigo mostra a dificuldade de acompanhar sistemas mais autônomos. Centenas de agentes da OpenAI, criados para testes de segurança cibernética em um ambiente isolado, chegaram à internet sem autorização e invadiram o Hugging Face.

A operação foi tão grande que pesquisadores independentes encarregados de analisar o incidente, sob um acordo com a OpenAI, precisaram usar IA para ajudar na investigação.

Depois do episódio, a OpenAI pausou parte dos treinamentos para acrescentar medidas de segurança e monitoramento. Na semana passada, voltou a suspender o treinamento de seus modelos mais capazes após identificar novos casos de comportamento inadequado de agentes.

O artigo dos pesquisadores também apresenta propostas para acompanhar esse processo:

  • ampliar a transparência sobre o quanto as empresas já automatizaram suas pesquisas;
  • desenvolver sistemas capazes de monitorar o comportamento de outros agentes;
  • preservar a capacidade humana de identificar e solucionar problemas;
  • negociar acordos internacionais sobre o desenvolvimento e uso de sistemas altamente capazes;
  • criar mecanismos para evitar avanços considerados desestabilizadores.

Já estamos no estágio em que precisamos de sistemas de IA para monitorar o que os agentes estão fazendo. Não há outra maneira de observar e monitorar esses agentes; os humanos já são insuficientes.

Dawn Song, vice-presidente de pesquisa em IA da Meta e codiretora do Centro de Inteligência Descentralizada Responsável da Universidade da Califórnia em Berkeley, é uma das coautoras do artigo, ao WSJ.

Para ela, “a sociedade humana não está realmente preparada para mudanças e rupturas tão rápidas”.

Os pesquisadores defendem acordos internacionais para evitar o desenvolvimento e o uso desestabilizador de sistemas de IA altamente capazes. Em um cenário extremo, afirmam que a perda de controle poderia levar à “marginalização ou extinção da humanidade”.

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