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Se a segunda temporada de A Casa do Dragão deixou a desejar para você, vale a pena dar uma segunda chance antes do season finale, agendado para ir ao ar no domingo (09). Isso porque a série corrigiu o rumo na terceira – e o segredo dessa virada vai além do fogo e dos dragões. Nos cinemas, o novo filme do Homem-Aranha chegou quebrando recordes de bilheteria. O longa retrata, de maneira humanizada, um Peter Parker solitário que enfrenta grandes mudanças. Ao mesmo tempo, organiza as peças para o futuro do Universo Marvel nas telonas. Quer entender tudo isso? A gente te explica.
Para fechar, também te contamos um feito inédito na maior premiação do cinema brasileiro. E ainda trazemos uma lista com destaques do que chegou e vai chegar aos streamings nos próximos dias. Então, sem mais delongas, vamos aos assuntos da semana.
Como A Casa do Dragão recuperou o prestígio depois das críticas ao segundo ano?

Quando a segunda temporada de A Casa do Dragão terminou, boa parte da discussão girava em torno do ritmo. A sensação era de que a série tinha passado oito episódios preparando uma guerra que insistia em não acontecer. Agora, faltando apenas um capítulo para o fim do terceiro ano, a conversa mudou completamente. A impressão que tive logo nos primeiros episódios foi de que a produção reencontrou o equilíbrio. Como se a segunda temporada só tivesse terminado mesmo no começo da terceira. E, pelo visto, a crítica especializada enxergou a mesma coisa.
O primeiro motivo parece ser o mais óbvio: a história finalmente entrega o que vinha prometendo desde o início do conflito entre facções da família Targaryen. Mas não é só uma questão de colocar mais batalhas na tela. O que mudou foi a forma como elas acontecem. Em vez de parecerem grandes eventos isolados, elas passam a ser consequência direta das decisões políticas e pessoais tomadas pelos personagens. É exatamente esse ponto que aparece repetidamente nas críticas: o conflito deixou de ser apenas esperado e passou a ser sentido.
Curiosamente, os dragões — que sempre dominaram as campanhas de divulgação — estão longe de ser o principal motivo dos elogios. A Variety resume isso muito bem ao dizer que são as pessoas que fazem A Casa do Dragão valer a pena, enquanto os dragões são “apenas os lagartos voadores de CGI” que completam o espetáculo. A crítica chama atenção para um retorno às raízes da franquia: cenas de negociação, alianças frágeis, traições e conversas em salas fechadas voltam a ser tão ou mais importantes do que qualquer sequência de ação.
Essa mudança aparece principalmente nos protagonistas. Emma D’Arcy parece viver sua melhor temporada como Rhaenyra Targaryen. A personagem deixa para trás parte da hesitação que marcou os capítulos anteriores e passa a lidar com escolhas cada vez mais difíceis, assumindo uma postura mais firme sem perder a complexidade moral que sempre a definiu. A relação dela com Alicent Hightower (Olivia Cooke) continua sendo tratada por muitos como o verdadeiro coração emocional da série. Mesmo em lados opostos da guerra, as duas permanecem ligadas por uma história compartilhada que torna cada decisão ainda mais dolorosa.
Matt Smith também volta a ganhar destaque como Daemon. Depois de uma segunda temporada em que passou boa parte do tempo distante do núcleo principal, o personagem recupera importância justamente por voltar a confrontar Rhaenyra e suas próprias ambições. Ao mesmo tempo, a série encontra espaço para fortalecer personagens secundários e novos rostos, como Ormund Hightower (James Norton) frequentemente citado entre as melhores adições desta temporada. Westeros finalmente parece maior do que a disputa entre alguns poucos Targaryen.
Nem tudo virou unanimidade. O Hollywood Reporter, por exemplo, continua apontando problemas conhecidos da série, como o excesso de personagens e alguns momentos em que o espetáculo visual pesa mais do que deveria. O próprio veículo diz que seus episódios favoritos da temporada são justamente aqueles que diminuem a escala e apostam em diálogos mais inteligentes e intimistas. E eu concordo: o terceiro e o quarto episódios realmente se destacam por recolocar os personagens e suas relações no centro da história. Ou seja, a crítica não desapareceu; ela apenas mudou de foco.
Talvez a maior qualidade da terceira temporada seja ter entendido o que sempre fez Game of Thrones funcionar, em vez de responder às críticas simplesmente aumentando o número de batalhas ou colocando mais dragões em cena. A guerra impressiona, mas são as pessoas que a tornam interessante. Agora resta uma última prova: transformar toda essa recuperação num episódio final memorável. Se a temporada de A Casa do Dragão terminar no mesmo nível em que chegou até aqui, a conversa daqui a uma semana provavelmente não será mais sobre os problemas do segundo ano, e sim sobre como a série conseguiu se reinventar. – A.F.
Quando a aranha quase engole o homem

Sozinho no mundo, Peter Parker (Tom Holland) mergulha no trabalho. Após o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) lançar um feitiço, no final de Sem Volta Para Casa (2021), que fez todos se esquecerem de Peter (e de sua identidade secreta), o jovem passa quatro anos sendo mais Aranha do que Parker. E sem rede de apoio. Isso enquanto acompanha, pelas redes sociais, o antigo melhor amigo Ned Leeds (Jacob Batalon) e a ex-namorada MJ (Zendaya) viverem os sonhos que os três tinham planejado juntos.
É sob esse peso que Um Novo Dia começa. E, ao longo da narrativa (alerta de spoiler), Parker compreende que o isolamento não é a solução. Então, decide buscar a reconexão com quem ama, ainda que as memórias deles tenham sido apagadas. A mensagem do filme é: amadurecer não significa sofrer sozinho. Tema bem válido num momento no qual o mundo enfrenta uma pandemia de solidão e depressão. Mas o roteiro tropeça ao facilitar essa aproximação por meio de conveniências narrativas. Vamos por partes.
Homem-Aranha: Um Novo Dia se esforça para estabelecer, visual e tematicamente, o retorno do herói ao nível da rua, após uma longa saga no multiverso. A direção de Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) cola a câmera no protagonista, resgatando aquela perspectiva em primeira pessoa (estilo GoPro) consagrada por Marc Webb em O Espetacular Homem-Aranha. E acena até para os jogos da Insomniac com coreografias inspiradas nos games.
All references from Insomniac’s Spider-Man in Spider-Man: Brand New Day #SpiderManBrandNewDay pic.twitter.com/d8WbkMIluj
— Spider-Man Media 📸 (@SpiderManMedia_) August 5, 2026
Em paralelo, o longa mergulha na psique de Parker sem recorrer à narração – o que, neste caso, é um acerto. A intimidade surge na exploração de conflitos mundanos, como a ansiedade diante das transformações do corpo ou a entrega simbólica a uma queda-livre após ver MJ com outro namorado. O mérito da execução está no ritmo, que acelera nas sequências de ação e desacelera nas cenas de diálogo, sem poluir o drama com humor fora de hora ou fan service artificial. Guardadas as devidas proporções, isso me lembrou a era Netflix da série Demolidor (a minha favorita, diga-se).
O conflito central se sustenta na figura de Jean Grey (Sadie Sink), cujo surto após experimentos do Controle de Danos serve como espelho para a própria deterioração psicológica de Peter. Ao ver a mutante sucumbir ao trauma e ao peso da solitude forçada, o filme amarra sua discussão sobre saúde mental. A ameaça, então, se torna o perigo de carregar fardos sem uma rede de apoio. Assim, a direção usa a dor de Jean para empurrar o herói a alcançar o equilíbrio. Só depois de mostrar a resolução de questões internas cruciais de Peter é que o roteiro deixa o jovem ajudar a mutante – mais um acerto do enredo. Ao ficar em paz com o que aconteceu até ali (numa abordagem que me lembrou o final de Thunderbolts), Jean devolve o favor, salvando Peter.
É na execução da virada narrativa, contudo, que o roteiro tropeça um pouco. A decisão de Peter de procurar Ned e MJ representa um amadurecimento genuíno. Mas a história prefere a conveniência ao desfecho rigoroso. O resgate progressivo das memórias dos amigos, engrenado pelo impacto da telepatia de Jean nos afetados pelo feitiço do Doutor Estranho, serve como deus ex machina. Em vez de exigir que Peter reconstrua suas relações, dando novo significado a elas, a narrativa apoia-se em ranhuras mágicas para devolver o status quo. Na prática, isso enfraquece um pouco o amadurecimento do protagonista.
No fim, Homem-Aranha: Um Novo Dia entrega um dos retratos mais humanos e maduros de Peter Parker no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês) até o momento. O longa acerta no tom de crônica urbana, na abordagem honesta do luto e na dinâmica (surpreendentemente cômica) entre Holland e Jon Bernthal, que interpreta Frank Castle (o Justiceiro). Porém, esbarra na hesitação do roteiro em sustentar suas escolhas mais duras, recorrendo a atalhos do ecossistema Marvel para organizar peças do tabuleiro para o próximo filme dos Vingadores, agendado para 17 de dezembro. Ainda assim, é um capítulo que devolve aquela densidade emocional ao herói consagrada pela era Sam Raimi, com Tobey Maguire, e sustentada por Webb, com Andrew Garfield. Isso logo antes do MCU voltar a exigir a presença de Holland numa história com escala global. E, para alegria de uns e fadiga de outros, multiversal. – P.S.
Homem-Aranha: Um Novo Dia organiza tabuleiro para Vingadores: Doutor Destino
Apesar de se manter ancorado numa narrativa urbana e contida em Nova York, Homem-Aranha: Um Novo Dia cumpre um papel estratégico ao preparar o terreno para Vingadores: Doutor Destino.

O principal vetor dessa expansão é a introdução oficial de Jean Grey como uma mutante nativa da Terra-616. Como a presença dos X-Men já está confirmada no próximo filme-evento da franquia, o arco da mutante constrói a ponte para integrar a equipe ao conflito multiversal contra Victor Von Doom (Robert Downey Jr.).
O gancho para essa nova escala surge na cena pós-créditos. Nela (alerta de spoiler), o aplicativo de rastreamento criado por Ned Leeds localiza o Homem-Aranha fora da Terra, lá nas profundezas do espaço.
A hipótese mais provável é a Teoria do Battleworld pós-incursão. Se a destruição do multiverso e o colapso de realidades se confirmarem, o desaparecimento do sinal terrestre indica que a Terra-616 pode ter sido destruída ou mesclada às colônias de fragmentos cósmicos sob o domínio do Doutor Destino, o que teria arremessado o herói diretamente para o olho do furacão.
Ao costurar a introdução dos mutantes, o gancho espacial do Battleworld e o amadurecimento de seu protagonista, Um Novo Dia deixa o tabuleiro alinhado. A ver o que nos aguarda nas telonas em dezembro (até lá, recomendo você entender o que é Infinity Vision). – P.S.
Otras cositas más sobre cinema
- Falando nele, Homem-Aranha: Um Novo Dia conquistou a maior estreia da história nos cinemas dos Estados Unidos, com US$ 360 milhões arrecadados em seu primeiro fim de semana. Essa quantia é o equivalente a aproximadamente R$ 1,8 bilhão na cotação atual. A arrecadação do novo filme do Teioso ultrapassou os US$ 357 milhões que Vingadores: Ultimato teve no mesmo período em 2019. Mas quando olhamos para o sucesso global, o último Vingadores continua na frente. O longa ainda ocupa o posto de maior bilheteria no primeiro fim de semana mundo afora (US$ 1,22 bilhão contra US$ 932 milhões de Um Novo Dia). Assim, a conclusão da Saga do Infinito do MCU continua sendo uma das maiores bilheterias da história do cinema.
- Pela primeira vez, ocorreu empate na categoria Melhor Longa-Metragem de Ficção do Grande Otelo. Para você ter ideia: é a categoria mais importante do evento, considerado a maior premiação do cinema brasileiro. Os vencedores da categoria em questão foram O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho; e Manas, de Marianna Brennand. Homem Com H, de Esmir Filho, levou a estatueta de Melhor Filme pelo Voto Popular e mais cinco prêmios, incluindo Melhor Ator para Jesuíta Barbosa. Confira a lista completa de vencedores.
Também acabou de chegar…
- Os Feiticeiros Além de Waverly Place — terceira temporada da série acompanha Billie em busca do pai desaparecido enquanto a família Russo enfrenta uma nova ameaça; estreou no Disney+;
- Star Wars: Visions Apresenta – A Nona Jedi — nova série da Lucasfilm acompanha Lah Kara em uma missão para salvar o pai e restaurar a Ordem Jedi; estreou no Disney+;
- Estilhaços — nova série do FX baseada no romance de Bret Easton Ellis acompanha estudantes de uma escola de elite lidando com identidade, obsessão e os desafios da adolescência; estreou no Disney+;
- Psycho Killer — filme de terror acompanha uma policial que parte em busca do serial killer responsável pela morte do marido; estreou no Disney+;
- R.J. Decker – Investigador Privado — nova série acompanha um ex-presidiário que recomeça a vida como detetive particular no sul da Flórida; estreou no Disney+;
- Cem Anos de Solidão — segunda temporada da adaptação do clássico de Gabriel García Márquez mostra uma nova fase da história da família Buendía em Macondo; estreou na Netflix;
- Sterling Point — nova série acompanha uma jovem que herda a ilha do avô e descobre segredos sobre a própria família; estreou no Prime Video;
- Luta por Justiça — filme baseado em uma história real acompanha um advogado que tenta provar a inocência de um homem condenado à morte; chegou à HBO Max;
- Monstros de Deus — série documental investiga o tráfico internacional de répteis exóticos e seus impactos na vida selvagem; estreou na HBO Max;
- Animais — drama acompanha um grupo de personagens cujas relações são abaladas por desejo, poder e vulnerabilidade; chegou ao Disney+;
- Gatos de Rua, de Ricky Gervais — animação para adultos acompanha um grupo de gatos de rua entre confusões e reflexões sobre a vida; estreou na Netflix;
- A Última Casa — filme de terror acompanha uma família presa dentro de casa enquanto enfrenta uma ameaça misteriosa; estreou na Netflix;
- Mortos S.A. — quarta temporada da comédia espanhola mostra a disputa pelo comando de uma funerária; estreou na Netflix;
- Corrida dos bichos — filme brasileiro acompanha um jovem que entra em uma corrida mortal para salvar a irmã; estreou no Prime Video.
O que chega aos streamings nesta semana
O que esperar para a próxima semana nos streamings?
- Mourinho — série documental acompanha a trajetória de José Mourinho, revisitando sua passagem pelos maiores clubes do futebol europeu; estreia na Netflix na próxima terça;
- Nando Entre Dois Mundos – Um Filme Sintonia — filme acompanha o retorno de Nando ao Brasil, onde precisa enfrentar o passado para tentar reconstruir a relação com a família; estreia na Netflix na próxima quarta;
- Conversando com um Serial Killer: A Mente de Charles Manson — série documental reúne gravações inéditas, relatos e imagens de arquivo para explorar a mente do criminoso Charles Manson; estreia na Netflix na próxima quarta;
- Reacher — quarta temporada coloca Jack Reacher no centro de uma conspiração após um encontro com uma desconhecida no metrô de Nova York dar terrivelmente errado; estreia no Prime Video na próxima quarta;
- Camp Rock 3 — sequência mostra os integrantes da Connect 3 retornando ao Camp Rock para encontrar a atração de abertura de sua turnê de reunião; estreia no Disney+ na próxima sexta;
- Hokum — filme de terror acompanha um escritor que viaja à Irlanda para espalhar as cinzas dos pais e descobre que a pousada onde está hospedado é assombrada por uma bruxa; chega ao Prime Video no próximo sábado.
Sugestões e críticas podem ser enviadas para ana.figueiredo@olhardigital.com.br e pedro.spadoni@olhardigital.com.br. Até a próxima sexta! Bom fim de semana!
Ana Luiza Figueiredo (A.F.) e Pedro Spadoni (P.S.)
Repórteres do Olhar Digital
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