A nave Orion completou a sua segunda queima de correção de trajetória de retorno às 23h53 (horário de Brasília) de quinta-feira (09). O acionamento dos propulsores é o procedimento central para ajustar o alinhamento da cápsula e garantir que a tripulação da Artemis 2 atinja a atmosfera terrestre no ângulo exato para o pouso previsto para esta sexta-feira (10).
Atualmente na metade do caminho em sua jornada de volta da Lua, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen entram na fase mais crítica da missão.
O diretor de voo, Jeff Radigan, reforçou que a precisão matemática é vital: sem o ângulo de reentrada correto, a operação de retorno não terá sucesso.
Artemis 2: Engenheiros e astronautas coordenam manobras finais para o pouso da Orion no Pacífico
Imagine que a nave Orion é um dardo que precisa acertar um alvo minúsculo a milhares de quilômetros de distância. A segunda queima de correção de retorno é como um leve ajuste no pulso do arremessador para garantir que o dardo não desvie do caminho.
Na prática, os motores foram acionados por apenas nove segundos, aumentando a velocidade em cerca de 5,8 km/h para empurrar a tripulação na direção exata da Terra, informou a NASA.
Esse “totó” nos motores é essencial porque a nave está a mais de 237 mil quilômetros de distância. E qualquer erro mínimo de rota agora se tornaria um desvio enorme lá na frente.
A importância dessa manobra reside na segurança da reentrada. Como explicou o diretor de voo Jeff Radigan, a Orion precisa atingir a atmosfera terrestre no ângulo correto; se estiver muito inclinada ou muito rasa, a reentrada pode falhar categoricamente.
Essa queima garante que o escudo térmico enfrente os 1.650°C do atrito com o ar na posição planejada, permitindo que os paraquedas funcionem e a cápsula pouse com segurança no Oceano Pacífico. Sem essa precisão matemática, o retorno para casa seria impossível.
O 9º dia da Artemis 2
No nono dia da missão Artemis 2, a rotina dos astronautas começou ao som de Lonesome Drifter, de Charley Crockett, enquanto a nave cruzava o espaço a meio caminho de casa.

O dia foi marcado por um susto técnico: cerca de duas horas antes da queima de correção, houve uma perda inesperada de sinal de comunicação entre a nave e a Terra durante uma mudança na taxa de dados.
Apesar da tensão, os controladores de voo conseguiram restabelecer o contato rapidamente para prosseguir com as operações. Além disso, a tripulação dedicou sete horas para registrar dados científicos através das janelas da Orion. E revisou os procedimentos de emergência para o pouso.
A parte física do trabalho envolveu a organização da cabine para o impacto da chegada. Christina Koch e Jeremy Hansen guardaram equipamentos usados durante os nove dias, removeram redes de carga e instalaram os assentos da tripulação em suas posições de pouso.
Enquanto isso, em solo, a NASA fazia briefings detalhados sobre as condições meteorológicas e as equipes de resgate que aguardam a cápsula na costa de San Diego. O dia encerrou com a tripulação pronta para os procedimentos finais de reentrada previstos para esta sexta.
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