Depois de quase um ano de paralisação, atores de voz e profissionais de captura de movimento dos videogames conseguiram estabelecer novas regras para o uso de inteligência artificial pela indústria.
A SAG-AFTRA aprovou um novo acordo com grandes empresas do setor após uma greve que durou 11 meses e teve justamente a IA generativa como um dos principais pontos de conflito. O contrato envolve companhias como Activision, Electronic Arts, Epic Games, Insomniac Games, Take-Two e WB Games.
O acordo foi aprovado por 95,04% dos membros votantes e cria proteções específicas para impedir que a voz, aparência ou performance de um profissional seja reproduzida por IA sem regras claras.
O que muda para os atores de videogames?
Um dos principais pontos é a utilização das chamadas réplicas digitais, versões geradas artificialmente a partir da imagem, voz ou atuação de uma pessoa.
O novo contrato estabelece requisitos de consentimento e divulgação para o uso dessas réplicas. Os profissionais também poderão suspender a autorização para geração de novos materiais durante uma greve.
Esse último ponto foi particularmente importante durante as negociações.
A preocupação do sindicato era que uma empresa pudesse utilizar uma versão digital de um ator para continuar produzindo conteúdo durante uma paralisação — criando, na prática, uma espécie de substituto virtual daquele trabalhador. Segundo Sarah Elmaleh, presidente do comitê de negociação do acordo, chegar a uma solução para essa questão foi decisivo para encerrar a greve.
IA não foi a única conquista

O acordo também estabelece mudanças financeiras. A remuneração dos profissionais recebeu um aumento acumulado de 15,17% na ratificação, além de reajustes adicionais de 3% previstos para novembro de 2025, novembro de 2026 e novembro de 2027.
Também foram ampliadas contribuições relacionadas à aposentadoria e saúde e estabelecidas novas medidas de segurança para os profissionais.
Para a SAG-AFTRA, o resultado aproxima definitivamente os videogames das regras que Hollywood começou a estabelecer para o uso de inteligência artificial em cinema e televisão.
O sindicato argumenta que consentimento informado e remuneração justa precisam continuar existindo mesmo quando tecnologias permitem reproduzir digitalmente o trabalho de um ator.
Com personagens cada vez mais construídos a partir de captura facial, corporal e de voz, a discussão também deixa uma pergunta importante para os próximos anos: até onde um estúdio pode utilizar digitalmente a atuação de uma pessoa depois que ela deixa o estúdio?
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