O novo avião desenvolvido para realizar a rota comercial mais extensa do mundo atingiu um marco histórico nesta terça-feira (28), após completar um voo sem escalas de 24 horas e 24 minutos entre a Austrália e a França.
A aeronave A350-1000ULR, fabricada pela Airbus, percorreu 23.075 km no trajeto entre Melbourne e Toulouse, em um teste que avaliou sua capacidade de operar longas distâncias para futuras viagens comerciais.
O modelo foi criado para atender ao Projeto Sunrise, iniciativa da companhia aérea australiana Qantas que pretende ligar a Austrália a destinos como Reino Unido e Estados Unidos sem necessidade de paradas intermediárias.
Aeronave terá operação comercial prevista para 2027 e aposta em conforto para longas viagens

O voo recorde foi realizado pelo avião identificado como MSN707, que já havia completado anteriormente outro teste de longa duração entre Toulouse e Melbourne. Na ocasião, a aeronave permaneceu no ar por 19 horas e 12 minutos no sentido inverso da rota mais recente.
A versão A350-1000ULR é uma adaptação do A350-1000 convencional. A principal alteração está na instalação de um tanque adicional capaz de armazenar 20 mil litros extras de combustível, ampliando a autonomia do avião em mais de 1.800 km, conforme informações da Airbus.
A fabricante europeia fechou acordo para fornecer 12 unidades do modelo à Qantas. A companhia australiana pretende iniciar os voos comerciais em outubro de 2027, depois de sucessivos adiamentos no cronograma inicial, que previa a estreia da operação em 2025.
O Projeto Sunrise recebeu esse nome por causa da possibilidade de passageiros presenciarem o nascer do sol duas vezes durante determinadas viagens, devido às grandes diferenças de fuso horário entre a Austrália e outras regiões do planeta.

Atualmente, o voo comercial mais longo em operação é realizado pela Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com cerca de 15.350 km e duração superior a 18 horas. Uma ligação direta entre Sydney e Londres, por exemplo, teria aproximadamente 18.500 km.
Para viabilizar viagens tão extensas, a Qantas planeja reduzir a quantidade de passageiros em relação à configuração tradicional do avião. O modelo deverá transportar até 238 pessoas, enquanto a versão padrão do A350-1000 comporta cerca de 300 assentos.
A cabine será dividida em quatro categorias: seis lugares na primeira classe, 52 na executiva, 40 na econômica premium e 140 na econômica. A proposta inclui áreas dedicadas ao descanso, alimentação e movimentação dos passageiros durante o voo.
A primeira classe contará com espaço privativo, poltrona reclinável que se transforma em cama, televisão de 32 polegadas, guarda-roupa e área para refeições e trabalho. Já a classe executiva terá assentos de até dois metros de comprimento, que também podem virar camas, além de recursos como carregamento sem fio.
Na econômica premium, os passageiros terão apoio para pernas e cabeça, tela individual de 13,3 polegadas e espaço reservado para objetos pessoais. A classe econômica oferecerá apoio de cabeça, maior espaço para as pernas e telas do mesmo tamanho.
A companhia aérea também informou que trabalhou com especialistas em sono para definir iluminação e horários de refeições capazes de reduzir os impactos do jet lag, além de disponibilizar conexão Wi-Fi durante todo o trajeto.
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