A relação entre grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou por uma mudança significativa desde seu primeiro mandato. Um novo relatório aponta que gigantes do setor destinaram centenas de milhões de dólares para apoiar politicamente o republicano, marcando uma reaproximação após anos de conflitos públicos e restrições nas plataformas digitais.
Segundo levantamento da organização Public Citizen, as big techs investiram cerca de US$ 643 milhões (cerca de R$ 3,184 bilhões) em ações que beneficiaram Trump e aliados republicanos. O estudo, baseado em dados públicos e conduzido pelo pesquisador Rick Claypool, detalha como esses recursos foram distribuídos entre campanhas eleitorais, eventos oficiais e acordos indiretos.
Como o dinheiro foi distribuído?
A maior parte do valor, aproximadamente US$ 545 milhões (R$ 2,701 bilhões), foi direcionada a gastos eleitorais. Isso inclui doações para a campanha presidencial de 2024 e para candidatos alinhados a Trump nas eleições legislativas de 2026. Parte desses recursos também financiou super PACs favoráveis ao Partido Republicano ou contrários à regulação da inteligência artificial.

Entre os principais doadores, destaca-se Elon Musk, com cerca de US$ 361 milhões (R$ 1,787 bilhão). Outro nome relevante é o investidor Jeffrey Yass, ligado à ByteDance, que contribuiu com US$ 116 milhões (R$ 574,4 milhões).
Além disso, US$ 35 milhões (R$ 173,3 milhões) foram destinados à cerimônia de posse de Trump em janeiro de 2025. O evento arrecadou um mais de US$ 240 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), mais que o dobro do recorde anterior. Já os chamados “presentes não eleitorais” somaram US$ 73 milhões (R$ 361,5 milhões), incluindo acordos comerciais e resoluções judiciais.
Mudança na relação com o governo
Durante seu primeiro mandato, Trump teve conflitos diretos com empresas como Meta, Google e Twitter (atual X), chegando a ser banido dessas plataformas. Agora, a relação evoluiu para um cenário descrito como mais próximo e estratégico.
De acordo com Andressa Michelotti, pesquisadora da UFMG especializada em regulação de big techs, a interação entre governo e empresas oscila entre coexistência e “simbiose”. A mudança teria sido influenciada por três fatores principais.
Um deles foi a gestão de Joe Biden, que avançou em propostas de regulação das plataformas digitais. Esse movimento incentivou empresas a buscar maior alinhamento com o governo seguinte. Outro ponto foi a adaptação das companhias à forma de comunicação política de Trump.
“Elas entenderam como se comunicar com ele”, afirmou Michelotti, destacando mudanças internas nas empresas, como ajustes em equipes de relações governamentais.
Ajustes estratégicos e interesses em comum
O relatório também aponta alterações práticas adotadas por empresas como Amazon, Apple, Meta e Google. Entre elas estão mudanças em políticas de conteúdo, ajustes em serviços digitais e revisão de iniciativas relacionadas à diversidade.

Outro fator citado é o papel da inteligência artificial, que passou a alinhar interesses entre governo e empresas, especialmente na disputa tecnológica com a China.
Apesar dos números expressivos, o próprio estudo indica que o valor total pode ser conservador, já que nem todas as formas de apoio são facilmente mensuráveis.
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