Big Techs podem acumular dívida superior a US$ 500 bilhões em 2026, prevê Morgan Stanley

Big Techs podem acumular dívida superior a US$ 500 bilhões em 2026, prevê Morgan Stanley

O mercado global de crédito ligado à inteligência artificial deve passar por uma expansão expressiva em 2026, com a emissão de dívida associada ao setor projetada para ultrapassar US$ 500 bilhões. Segundo a Reuters, a estimativa é do Morgan Stanley, um dos maiores bancos de investimento do mundo e referência em análises de crédito e projeções macroeconômicas.

O cálculo indica que o volume pode se aproximar de US$ 570 bilhões no período, em meio à crescente necessidade de financiamento das grandes empresas de tecnologia, como Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta.

A análise considera que, até o fim de maio de 2026, esse tipo de dívida já alcançava cerca de US$ 236 bilhões, um patamar quatro vezes superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. O avanço ocorre enquanto essas companhias direcionam aproximadamente US$ 700 bilhões em investimentos ao longo do ano.

Segundo o banco, o movimento reflete uma mudança estrutural no financiamento do setor, com empresas recorrendo cada vez mais ao endividamento para sustentar investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, em um contexto de forte expansão dos gastos de capital.

Big Techs aceleram endividamento para sustentar corrida da IA

Logos de apps das big techs em um smartphone
Big Techs (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

O relatório indica que a dinâmica de emissão deve ganhar intensidade no segundo semestre de 2026, acompanhando a expansão dos gastos em infraestrutura das chamadas empresas hiperescaladoras. A expectativa é que esses investimentos ultrapassem US$ 1 trilhão em 2027, ampliando a pressão sobre o mercado de capitais.

De acordo com a análise publicada na Reuters, companhias de tecnologia que tradicionalmente dependiam de forte geração de caixa passaram a recorrer de forma mais frequente ao endividamento. Essa mudança está ligada ao aumento acelerado dos custos de implantação de sistemas de inteligência artificial, que exigem investimentos contínuos em data centers, chips e capacidade computacional.

Semicondutores
O investimento em semicondutores de última geração é um dos maiores gastos associados ao endividamento – Imagem: deepadesigns/Shutterstock

O estudo também aponta uma mudança na estrutura de captação, com maior diversificação da base de investidores e crescimento de emissões fora da moeda norte-americana. Esse movimento sugere uma adaptação das empresas às condições do mercado global de crédito, que passa a absorver volumes cada vez maiores de dívida ligada ao setor.

Outro ponto destacado é que a formação de preços no mercado de títulos estaria sendo influenciada mais pelas expectativas de aumento da oferta do que por fatores fundamentais tradicionais. Em paralelo, o financiamento de empresas de semicondutores também vem migrando para estruturas de prazo mais curto, com liquidação integral ao longo do tempo.

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