“Braço direito” de Musk diz que enviou doações à OpenAI em nome do bilionário

“Braço direito” de Musk diz que enviou doações à OpenAI em nome do bilionário

O executivo Jared Birchall, diretor-geral do escritório familiar de Elon Musk, a Excession LLC, prestou depoimento nesta quinta-feira (30) no caso judicial envolvendo Musk e a OpenAI. A oitiva ocorreu após o encerramento do depoimento do próprio bilionário, em um julgamento marcado por momentos de tensão durante o interrogatório.

Birchall afirmou que começou a trabalhar com Musk em 2016, após ser recrutado por um conhecido em comum. Desde então, passou a administrar os ativos e recursos do empresário. Ele também ocupa cargos de liderança em outras iniciativas ligadas a Musk, incluindo a função de CEO da Neuralink, além de atuar como responsável pelas finanças da Musk Foundation.

Antes de assumir suas funções ao lado de Musk, Birchall construiu carreira no setor financeiro. Ele trabalhou como analista no Goldman Sachs, em Los Angeles (EUA), foi assessor financeiro no grupo de private banking e investimentos da Merrill Lynch e ocupou o cargo de vice-presidente sênior na divisão de gestão de patrimônio privado do Morgan Stanley.

Musk, Birchall e doações à OpenAI

  • Durante o depoimento, Birchall foi questionado sobre as contribuições financeiras feitas por Musk à OpenAI;
  • Segundo o executivo, ele foi responsável por operacionalizar o envio das doações, embora todas as decisões tenham sido tomadas diretamente pelo bilionário;
  • De acordo com o executivo, foram realizadas cerca de 60 contribuições entre 2016 e 2020, totalizando aproximadamente US$ 38 milhões (R$ 189 milhões);
  • Ele foi chamado a confirmar datas, valores e outros detalhes relacionados às transferências, além de explicar documentos financeiros apresentados no processo.

O advogado de Musk conduziu a primeira parte do interrogatório, pedindo que Birchall detalhasse as doações individuais e explicasse o contexto de uma proposta bilionária feita por um grupo de investidores liderado por Musk para adquirir a OpenAI no ano anterior.

Birchall afirmou que a proposta tinha como objetivo estabelecer um valor de mercado para os ativos da OpenAI, de forma a evitar a desvalorização desses ativos.

Logo da Neuralink em um smartphone
Executivo é CEO da Neuralink – Imagem: rafapress/Shutterstock

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Questionamentos sobre controle dos recursos

Na sequência, o advogado da OpenAI, Bradley R. Wilson, passou a questionar Birchall sobre diferentes aspectos de sua atuação nas empresas de Musk e sobre a destinação dos recursos doados.

Wilson perguntou especificamente sobre valores direcionados a fundos conhecidos como “donor-advised funds” (DAFs, ou “fundos de doadores”, em tradução literal), administrados por instituições, como Vanguard e Fidelity. Ao ser questionado se Musk mantinha algum direito legal de direcionar o uso desses recursos após a doação, Birchall respondeu que não era advogado e que não sabia afirmar com precisão.

As perguntas e respostas apresentadas durante a audiência indicaram que líderes da OpenAI entendiam ter liberdade para utilizar os recursos recebidos conforme julgassem adequado, sem restrições formais impostas por Musk ou por seus escritórios, segundo informações do The Guardian e da CNBC.

Depoimento objetivo e andamento do julgamento

O depoimento de Birchall foi marcado por respostas curtas e objetivas, o que contribuiu para um ritmo ágil na condução da audiência.

O julgamento segue em andamento após trocas intensas durante o interrogatório de Musk, que antecedeu a oitiva de seu principal colaborador. A participação de Birchall reforça os pontos centrais da disputa, especialmente no que diz respeito à natureza e ao controle das doações feitas à OpenAI.

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