Pesquisadores da China Academy of Launch Vehicle Technology analisaram uma alternativa para proteger a Terra de grandes asteroides em rota de colisão: usar dispositivos nucleares após criar uma abertura profunda no corpo celeste.
O estudo, publicado na revista Space: Science and Technology, comparou diferentes formas de detonação contra rochas espaciais com mais de 100 metros de diâmetro e avaliou cenários com períodos de alerta entre um e 20 anos.
A pesquisa concluiu que uma abordagem com escavação prévia e explosão em profundidade teria maior eficiência para transferir energia ao asteroide, embora a aplicação prática ainda dependa de diversos obstáculos técnicos.
Método de impacto profundo aparece como alternativa mais eficiente em simulações

O trabalho liderado por Xiaowei Wang analisou maneiras de lidar com asteroides considerados grandes demais para serem desviados apenas por métodos convencionais. De acordo com os pesquisadores, impactos cinéticos e técnicas de alteração gradual de trajetória podem não oferecer energia suficiente quando o tempo disponível para resposta é reduzido.
A equipe avaliou duas possibilidades principais. A primeira consistiria em atingir a superfície do asteroide para abrir uma pequena cavidade e, depois, detonar uma carga nuclear nesse ponto. A segunda envolveria uma etapa adicional: enviar um equipamento capaz de perfurar o objeto antes da explosão, permitindo que o dispositivo atuasse em uma região mais profunda.
Segundo os autores do estudo, a segunda estratégia apresentou melhor desempenho porque a detonação interna permitiria uma interação mais eficiente entre a energia liberada e o material do asteroide. A análise considerou fatores como capacidade do veículo de lançamento, velocidade do impacto e alteração da trajetória do corpo celeste.
As simulações utilizaram uma base virtual de asteroides ameaçadores e testaram diferentes tempos de preparação. Os resultados indicaram que a técnica de explosão profunda poderia destruir objetos próximos de 100 metros ou alterar a rota de asteroides de até cerca de um quilômetro, produzindo uma pequena mudança de velocidade ao longo de aproximadamente dois meses.

A pesquisa também apontou limitações para o método superficial. Embora essa alternativa pudesse ser preparada mais rapidamente, os cientistas destacaram que ela teria menor controle sobre o ponto de impacto, menor aproveitamento da energia e exigências mais rigorosas para a resistência do equipamento e sincronização da explosão.
Os pesquisadores ressaltaram ainda que uma missão real precisaria considerar características específicas de cada asteroide. A composição do objeto, por exemplo, poderia modificar completamente a estratégia, já que uma formação composta por fragmentos soltos apresentaria comportamento diferente de uma rocha sólida.
Outro ponto levantado foi a possibilidade de fragmentos gerados pela intervenção continuarem representando risco para a Terra. Além disso, a própria operação de transporte e uso de um dispositivo nuclear no espaço seria um desafio que precisaria ser solucionado antes de qualquer aplicação.
O estudo comparou suas propostas com iniciativas anteriores de defesa planetária, como a missão DART, da NASA, que em 2022 alterou a órbita de um pequeno asteroide que acompanhava outro corpo maior. No entanto, os pesquisadores consideraram que aquele experimento representou uma situação específica e não uma solução universal para ameaças maiores.
Os autores indicaram que a escolha entre os métodos dependeria principalmente do tempo de aviso. Em uma emergência envolvendo um asteroide de grandes dimensões e pouco prazo disponível, uma intervenção mais simples poderia ser considerada. Com maior antecedência, a opção de perfuração e detonação profunda seria a alternativa preferencial.
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