Cientista morre na Sibéria e 200 ficam sob observação por peste

Cientista morre na Sibéria e 200 ficam sob observação por peste

Uma funcionária de um laboratório russo que pesquisa peste e outros patógenos morreu após desenvolver uma pneumonia de causa ainda desconhecida. Cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela estão sob observação médica.

O caso ocorreu no Instituto Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, e levantou a possibilidade de exposição à peste pneumônica. Exames, porém, não encontraram até agora microrganismos relacionados às atividades profissionais da funcionária.

Fotomicrografia de uma amostra humana obtida de um paciente com peste, revelando numerosas bactérias em forma de bastonete, Yersinia pestis.
A peste pneumônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e pode ser transmitida pelo ar. – Imagem: CDC/ Dr. M. Moody

O que se sabe sobre o caso

A agência de saúde russa informou o caso em 4 de outubro e disse que a funcionária havia sido diagnosticada com “pneumonia de etiologia desconhecida”.

Relatos não confirmados da imprensa local apontam que a profissional seria uma técnica de laboratório de 28 anos que teria quebrado um tubo contendo o agente causador da peste pneumônica. Outra versão afirma que a pessoa havia retornado de uma viagem de trabalho à Buriácia, região onde existem reservatórios naturais da doença.

Nenhuma das hipóteses foi confirmada. Os testes realizados também não identificaram microrganismos relacionados ao trabalho no laboratório.

Segundo informações citadas pelo The Moscow Times, pelo menos 189 pessoas que tiveram contato com a funcionária estão sob observação em diferentes hospitais.

“Quero informar que todos os contatos identificados foram colocados sob observação médica. Até hoje, nenhum dos contatos apresenta sinais de doença, e os resultados dos exames laboratoriais foram negativos”, afirmou Igor Kobzev, governador da região de Irkutsk.

A situação também está sendo acompanhada pelos Estados Unidos. Um funcionário americano ouvido pelo Axios disse que o país está ciente do caso, monitorando a situação e avaliando as opções disponíveis.

O que é a peste pneumônica?

A peste pneumônica é uma infecção provocada pela bactéria Yersinia pestis que pode ser transmitida pelo ar. É considerada a forma mais grave da peste.

Existem ainda as formas bubônica e septicêmica, geralmente associadas ao contato com pulgas, animais infectados ou tecidos contaminados. A doença acompanha a humanidade há pelo menos 5.500 anos e ficou marcada pela Peste Negra, responsável por cerca de 25 milhões de mortes no século XIV.

Apesar desse histórico, especialistas britânicos ouvidos na reportagem dizem que o cenário atual é diferente daquele de grandes epidemias do passado. A peste pode ser tratada com antibióticos, e a rapidez no início do tratamento é especialmente importante nos casos pneumônicos.

O histórico da doença ajuda a explicar por que o episódio recebeu atenção internacional, mas os especialistas citados ressaltam que isso não significa que esteja ocorrendo uma situação semelhante à pandemia de Covid-19.

Alguns aspectos ajudam a contextualizar o caso:

  • A bactéria também pode permanecer presente em reservatórios naturais;
  • A peste ocorre de forma esporádica em diferentes partes do mundo;
  • As formas da doença apresentam mecanismos de transmissão diferentes;
  • A evolução da forma pneumônica pode ser rápida sem tratamento;
  • Infecções adquiridas em laboratórios de alta contenção são consideradas eventos raros.
Pesquisador segura tubo de ensaio em laboratório, com equipamentos científicos ao fundo.
Investigação apura se o contágio ocorreu por acidente no laboratório ou em viagem a uma região com reservatórios naturais. – Imagem: Parilov / Shutterstock

Houve vazamento no laboratório?

A hipótese de uma infecção causada pela quebra de um tubo continua sem confirmação. Simon Clarke, professor associado de microbiologia celular da Universidade de Reading, afirmou que acidentes desse tipo são possíveis, mas extremamente raros.

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“Um grande número de coisas teria que dar errado para que um funcionário de laboratório fosse infectado por um tubo quebrado”, disse Clarke. Segundo ele, instalações de alta contenção utilizam várias camadas de proteção, procedimentos rígidos, cabines de segurança e sistemas de controle do fluxo de ar.

Ian Jones, professor de virologia da mesma universidade, também avaliou que o episódio merece atenção, mas não há motivo para pânico.

Infecções adquiridas em laboratório com esse organismo são raras. Não são impossíveis, e é por isso que um incidente exige um relato completo do que aconteceu.

Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral da Universidade de Birmingham, em nota.

A origem da pneumonia continua sendo investigada. Sem confirmação de uma relação com o laboratório, as diferentes hipóteses permanecem em aberto.

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