Cientistas podem ter encontrado a chave para desacelerar o Alzheimer

Cientistas podem ter encontrado a chave para desacelerar o Alzheimer

Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode estar ligado ao avanço do Alzheimer: uma enzima que regula a inflamação no cérebro. Segundo Earth.com, quando essa atividade foge do controle, o processo inflamatório permanece ativo e contribui para a degeneração dos neurônios.

Agora, um novo estudo aponta uma molécula capaz de bloquear esse mecanismo com precisão — algo que há anos vem sendo considerado um dos principais desafios da área.

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Pesquisadores identificam possível “gatilho” inflamatório no cérebro associado ao Alzheimer e testam composto inovador. Imagem: meeboonstudio/Shutterstock

A enzima por trás da inflamação no cérebro

Dentro das células cerebrais, a fosfolipase A2 citosólica (cPLA2) funciona como um gatilho da inflamação. Quando ativada, ela libera o ácido araquidônico, que o organismo converte em sinais inflamatórios.

Em condições normais, esse processo é equilibrado. O problema ocorre quando a atividade da enzima se mantém elevada por longos períodos.

Pesquisas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) já haviam observado que a cPLA2 aparece em níveis mais altos no cérebro de pessoas com Alzheimer. Esse padrão é ainda mais forte em indivíduos com a variante genética APOE4, considerada o principal fator de risco para a forma tardia da doença.

O desafio de levar o tratamento até o cérebro

Bloquear essa enzima sempre foi difícil. Ao longo dos anos, diversos compostos foram testados, mas a maioria falhou por limitações importantes:

  • não atravessavam a barreira hematoencefálica
  • afetavam outras enzimas sem relação com o Alzheimer
  • tinham baixa potência ou baixa precisão
  • não avançavam para fases clínicas mais profundas

Segundo os pesquisadores, apenas um inibidor chegou a ser testado em humanos, mas sem foco específico no sistema nervoso central.

Para contornar esse problema, a equipe liderada por Hussein N. Yassine, da USC, adotou uma abordagem diferente: triagem computacional em larga escala.

O sistema analisou uma biblioteca teórica com até 36 bilhões de moléculas possíveis, reduzindo o número para cerca de 100 candidatos com potencial de síntese em laboratório.

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Alzheimer pode estar ligado a inflamação descontrolada no cérebro, sugere estudo com nova abordagem terapêutica. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

O composto que mostrou resultados promissores

Após novas etapas de testes, surgiu o composto BRI-50460. Em laboratório, ele apresentou desempenho superior aos anteriores, com maior potência e seletividade.

Nos experimentos, o composto:

  • bloqueou a enzima em doses muito baixas
  • foi mais de 20 vezes mais potente que alternativas anteriores
  • teve baixa interferência em enzimas semelhantes
  • alcançou o cérebro em testes com camundongos
  • apresentou absorção oral eficiente, comparável à de injeções

Em células humanas, o composto reduziu os efeitos de aglomerados de beta-amiloide, associados ao Alzheimer. Essas estruturas aumentam a inflamação e prejudicam as sinapses, responsáveis pela comunicação entre neurônios.

Com o BRI-50460, os pesquisadores observaram menor ativação inflamatória, redução da proteína tau fosforilada e preservação das conexões neuronais, além de menor perda de sinapses — um dos fatores mais ligados ao declínio de memória.

Uma nova abordagem contra a inflamação cerebral

Grande parte das terapias em estudo ainda foca na remoção de placas de beta-amiloide. No entanto, os resultados seguem limitados, e a inflamação permanece um dos principais desafios do Alzheimer.

A proposta deste estudo é diferente: atuar diretamente na origem do processo inflamatório.

Em modelos animais, o bloqueio da enzima também alterou o equilíbrio químico do cérebro, reduzindo substâncias inflamatórias e aumentando moléculas associadas à resolução desse processo.

O que ainda falta antes de chegar aos pacientes

Por enquanto, os resultados se limitam a células e camundongos. Ainda serão necessários estudos mais longos e etapas mais avançadas antes de qualquer aplicação em humanos.

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Mesmo assim, a descoberta abre uma possibilidade importante: atacar diretamente a inflamação cerebral como estratégia terapêutica.

Se confirmada em pesquisas futuras, essa abordagem pode representar uma mudança relevante na forma de tratar o Alzheimer.

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