Confira imagens de Marte registradas por sonda da NASA lançada para investigar asteroide

Confira imagens de Marte registradas por sonda da NASA lançada para investigar asteroide

Lançada pela NASA em outubro de 2023, a missão Psyche foi projetada para investigar a rocha espacial de mesmo nome, que foi apelidada de “asteroide de ouro” devido à alta concentração de metais, cujo valor estimado pode chegar a cerca de US$10 quintilhões. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, na última sexta-feira (15), a sonda sobrevoou Marte enquanto seguia viagem rumo ao seu destino.

Nesta terça-feira (19), a agência divulgou imagens impressionantes do Planeta Vermelho capturadas pela espaçonave, quando estava a 4.609 km da superfície marciana – distância semelhante à de alguns satélites de navegação e comunicação em relação ao nosso planeta.

A aproximação com Marte faz parte de uma estratégia conhecida como assistência gravitacional. Nesse tipo de manobra, a nave aproveita a força da gravidade de um planeta para ganhar velocidade e alterar sua rota sem gastar muito combustível.

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Representação artística do asteroide rico em metais 16 Psyche, o mais brilhante do Sistema Solar – Crédito: Droneandy – Shutterstock

Manobra deu um “empurrãozinho” na sonda

Segundo a NASA, após passar por Marte, a Psyche recebeu um aumento de velocidade de cerca de 1.600 km/h. A manobra também ajustou levemente a rota da nave, colocando-a no caminho correto rumo ao asteroide 16 Psyche.

Esse tipo de técnica é muito usado em missões espaciais de longa duração. Em vez de gastar enormes quantidades de combustível, as espaçonaves utilizam a gravidade de planetas para ganhar impulso naturalmente.

Atualmente, a Psyche viaja a quase 20 mil km/h pelo espaço. A previsão é que ela chegue ao destino em agosto de 2029.

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Imagem de Marte em fase crescente registrada pela missão da NASA em 15 de maio de 2026, durante aproximação da sonda Psyche para assistência gravitacional. O registro, feito com instrumento multiespectral, foi processado com dados em vermelho, verde e azul para exibir cores naturais do planeta. – Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Asteroide Psyche pode revelar segredos do Sistema Solar

O asteroide 16 Psyche está localizado no cinturão principal de asteroides, região entre Marte e Júpiter. Cientistas acreditam que ele pode ser o núcleo exposto de um antigo corpo celeste destruído após bilhões de anos de colisões espaciais.

O interesse dos pesquisadores pelo objeto existe principalmente por causa da grande quantidade de ferro e níquel presente nele. Esses metais também compõem o núcleo da Terra e de outros planetas rochosos.

Segundo os cientistas, estudar o asteroide poderá ajudar a entender melhor como surgiram os planetas do Sistema Solar. Caso a hipótese esteja correta, o 16 Psyche seria uma espécie de “registro preservado” do início da formação planetária.

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Primeira visão global de Marte capturada pela sonda Psyche da NASA em 15 de maio de 2026, destacando-se da calota polar sul ao sistema de cânions Valles Marineris. À direita, o detalhe de altíssima resolução revela a calota polar sul marciana, rica em gelo de água, estendendo-se por mais de 700 quilômetros de diâmetro após assistência gravitacional do planeta. – Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Quando alcançar o destino, a espaçonave entrará em órbita ao redor do asteroide para mapear sua superfície e analisar sua composição. O objeto tem em torno de 280 quilômetros de largura em sua região mais extensa.

Imagens mostram Marte de forma incomum

Durante a aproximação de Marte, todos os instrumentos da missão foram ativados para testes. Entre eles estavam câmeras, magnetômetros e sensores capazes de detectar radiação e partículas.

As fotografias divulgadas pela NASA mostram Marte de uma perspectiva rara. Como a espaçonave se aproximou em um ângulo elevado em relação ao Sol, o planeta apareceu em formato de crescente, semelhante às fases da Lua vistas da Terra.

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Foto colorida do instrumento multiespectral da sonda Psyche mostra a cratera Huygens, de anel duplo e 470 quilômetros de diâmetro, ao lado de planaltos repletos de crateras ao sul. – Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Os pesquisadores também perceberam que a atmosfera marciana espalhou a luz solar de maneira mais intensa do que o esperado. Isso fez o brilho ao redor do planeta parecer maior nas imagens registradas pela sonda.

Durante a aproximação máxima, a Psyche capturou uma sequência rápida de imagens da superfície marciana. Segundo os cientistas, os registros serão úteis para calibrar os sistemas de imagem que serão utilizados futuramente no asteroide.

A equipe da missão explicou que a passagem por Marte serviu como um grande ensaio antes da chegada ao destino principal. Os dados obtidos ajudarão a testar equipamentos e melhorar ferramentas de processamento de imagem.

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Superfície de Marte em Syrtis Major exibe estrias de vento com 50 quilômetros de comprimento sobre crateras de impacto. As maiores crateras da base medem cerca de 48 quilômetros de diâmetro. – Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

Outras missões participaram da operação

Os sinais enviados pela espaçonave foram monitorados pela Rede de Espaço Profundo (DSN) da NASA. O sistema utiliza antenas espalhadas em diferentes partes do planeta para manter contato com missões espaciais distantes.

Segundo Don Han, chefe de navegação da missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência, acompanhar a aproximação em tempo real foi um momento importante para a equipe, já que os cálculos confirmaram o sucesso da manobra gravitacional.

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Outras missões da NASA que já estudam Marte também ajudaram durante o sobrevoo, incluindo os robôs Curiosity e Perseverance, além de orbitadores. Houve ainda a colaboração de missões da Agência Espacial Europeia (ESA).

Além dos registros, os magnetômetros da Psyche ainda podem ter detectado a onda de choque criada pela interação entre Marte e partículas vindas do Sol. Já os sensores de radiação coletaram informações que serão comparadas com dados de missões anteriores.

Ao deixar Marte para trás, a Psyche retomou o uso de seu sistema de propulsão solar-elétrica, tecnologia que utiliza energia captada por painéis solares para alimentar os motores da nave.

Quando chegar ao asteroide, a missão realizará várias órbitas em diferentes altitudes para produzir mapas detalhados e estudar a estrutura do objeto. Se o 16 Psyche realmente for o núcleo metálico de um antigo planetesimal, os cientistas poderão obter pistas inéditas sobre o interior de planetas rochosos como a Terra.

Segundo Lindy Elkins-Tanton, principal responsável científica pela missão, o impulso gravitacional fornecido por Marte foi essencial para permitir que a espaçonave continue sua longa jornada pelo Sistema Solar.

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