A Cerebras Systems, fabricante de chips voltados para inteligência artificial, definiu o preço de sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos em US$ 185 por ação, um valor acima do previsto inicialmente. A operação total arrecadou US$ 5,55 bilhões, tornando a empresa uma das maiores estreias na bolsa de valores americana até agora.
O IPO é o processo no qual uma companhia privada vende ações ao público pela primeira vez. No caso da Cerebras, foram 30 milhões de ações vendidas. Os bancos ainda têm a opção de comprar mais 4,5 milhões de papéis.
Nas últimas semanas, o forte interesse dos investidores levou a empresa a ampliar tanto o volume de ações ofertadas quanto a faixa de preço do IPO. Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela CNBC, os pedidos superaram em mais de 20 vezes a quantidade de ações disponíveis.
Isso porque, inicialmente, a companhia pretendia vender 28 milhões de ações entre US$ 115 e US$ 125 cada. Depois, elevou a projeção para uma faixa entre US$ 150 e US$ 160 antes de finalmente fechar o preço em US$ 185 por papel.

Conheça a Cerebras
A Cerebas foi fundada em 2015, com alguns documentos mencionando 2016 como o início formal das operações. A empresa atua no mercado de chips especializados para modelos avançados de inteligência artificial.
Apesar de disputar espaço em um setor dominado pela Nvidia, vem ganhando atenção com a crescente demanda por infraestrutura voltada não apenas ao treinamento, mas também à execução de sistemas de IA.
Nos últimos anos, a companhia passou a focar menos na venda direta de hardware e mais na oferta de serviços em nuvem baseados em seus próprios chips. Com isso, começou a competir também com gigantes como Google, Microsoft, Oracle e CoreWeave.
A empresa afirma que seus chips Wafer Scale Engine 3 oferecem vantagens de velocidade e custo em relação às GPUs tradicionais usadas em aplicações de inteligência artificial.
Os números financeiros também cresceram em ritmo acelerado. A receita da Cerebras saltou de US$ 290,3 milhões para US$ 510 milhões no ano fiscal encerrado em dezembro.

Cerebras tem amplo portfólio de clientes
Parte relevante dessa receita ainda está concentrada em clientes ligados aos Emirados Árabes Unidos. Em documentos enviados à SEC, a companhia informou que 24% da receita do último ano veio da G42, empresa apoiada pela Microsoft. Já a Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial respondeu por 62% do faturamento anual.
Essa dependência de poucos clientes chegou a gerar preocupação no mercado. A Cerebras havia protocolado seu pedido de IPO em setembro de 2024, mas acabou retirando a solicitação após questionamentos envolvendo justamente sua concentração de receita.
A empresa voltou ao mercado meses depois em meio ao novo entusiasmo dos investidores com companhias ligadas à inteligência artificial e semicondutores. Segundo dados da Dealogic, o volume arrecadado em IPOs nos Estados Unidos mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 22,3 bilhões.
O movimento acompanha a valorização recente do setor de chips, impulsionada pela expansão da IA. Empresas como Intel, AMD, Micron e Nvidia registraram fortes ganhos nas bolsas nas últimas semanas.
A Cerebras também ganhou destaque após fechar, em janeiro, um acordo com a OpenAI avaliado em mais de US$ 20 bilhões para fornecer 750 megawatts de capacidade computacional.
Documentos judiciais revelados recentemente mostraram ainda que a OpenAI já considerou uma possível fusão com a Cerebras em 2017. Em um e-mail citado em processo envolvendo Elon Musk e a OpenAI, Greg Brockman, cofundador da desenvolvedora, escreveu: “O acesso exclusivo ao hardware da Cerebras daria à OpenAI uma enorme vantagem em termos de hardware sobre o Google”.
Os documentos também indicam que Sam Altman e o próprio Brockman possuem participações acionárias na Cerebras.
Segundo a Bloomberg, Arm e SoftBank teriam tentado adquirir a empresa semanas antes do IPO, mas a Cerebras não comentou a informação.
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