Conheça a Cerebras, empresa de maior IPO em 2026 (até agora)

Conheça a Cerebras, empresa de maior IPO em 2026 (até agora)

A Cerebras Systems, fabricante de chips voltados para inteligência artificial, definiu o preço de sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos em US$ 185 por ação, um valor acima do previsto inicialmente. A operação total arrecadou US$ 5,55 bilhões, tornando a empresa uma das maiores estreias na bolsa de valores americana até agora.

O IPO é o processo no qual uma companhia privada vende ações ao público pela primeira vez. No caso da Cerebras, foram 30 milhões de ações vendidas. Os bancos ainda têm a opção de comprar mais 4,5 milhões de papéis.

Nas últimas semanas, o forte interesse dos investidores levou a empresa a ampliar tanto o volume de ações ofertadas quanto a faixa de preço do IPO. Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela CNBC, os pedidos superaram em mais de 20 vezes a quantidade de ações disponíveis.

Isso porque, inicialmente, a companhia pretendia vender 28 milhões de ações entre US$ 115 e US$ 125 cada. Depois, elevou a projeção para uma faixa entre US$ 150 e US$ 160 antes de finalmente fechar o preço em US$ 185 por papel.

Cerebras
Cerebras já é considerada uma das maiores estreias na bolsa de valores americana – Imagem: Michael Vi/Shutterstock

Conheça a Cerebras

A Cerebas foi fundada em 2015, com alguns documentos mencionando 2016 como o início formal das operações. A empresa atua no mercado de chips especializados para modelos avançados de inteligência artificial.

Apesar de disputar espaço em um setor dominado pela Nvidia, vem ganhando atenção com a crescente demanda por infraestrutura voltada não apenas ao treinamento, mas também à execução de sistemas de IA.

Nos últimos anos, a companhia passou a focar menos na venda direta de hardware e mais na oferta de serviços em nuvem baseados em seus próprios chips. Com isso, começou a competir também com gigantes como Google, Microsoft, Oracle e CoreWeave.

A empresa afirma que seus chips Wafer Scale Engine 3 oferecem vantagens de velocidade e custo em relação às GPUs tradicionais usadas em aplicações de inteligência artificial.

Os números financeiros também cresceram em ritmo acelerado. A receita da Cerebras saltou de US$ 290,3 milhões para US$ 510 milhões no ano fiscal encerrado em dezembro.

Parceria entre OpenAI e Cerebras foi anunciada em meados de janeiro – Imagem: OpenAI/Reprodução

Cerebras tem amplo portfólio de clientes

Parte relevante dessa receita ainda está concentrada em clientes ligados aos Emirados Árabes Unidos. Em documentos enviados à SEC, a companhia informou que 24% da receita do último ano veio da G42, empresa apoiada pela Microsoft. Já a Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial respondeu por 62% do faturamento anual.

Essa dependência de poucos clientes chegou a gerar preocupação no mercado. A Cerebras havia protocolado seu pedido de IPO em setembro de 2024, mas acabou retirando a solicitação após questionamentos envolvendo justamente sua concentração de receita.

A empresa voltou ao mercado meses depois em meio ao novo entusiasmo dos investidores com companhias ligadas à inteligência artificial e semicondutores. Segundo dados da Dealogic, o volume arrecadado em IPOs nos Estados Unidos mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 22,3 bilhões.

O movimento acompanha a valorização recente do setor de chips, impulsionada pela expansão da IA. Empresas como Intel, AMD, Micron e Nvidia registraram fortes ganhos nas bolsas nas últimas semanas.

A Cerebras também ganhou destaque após fechar, em janeiro, um acordo com a OpenAI avaliado em mais de US$ 20 bilhões para fornecer 750 megawatts de capacidade computacional.

Documentos judiciais revelados recentemente mostraram ainda que a OpenAI já considerou uma possível fusão com a Cerebras em 2017. Em um e-mail citado em processo envolvendo Elon Musk e a OpenAI, Greg Brockman, cofundador da desenvolvedora, escreveu: “O acesso exclusivo ao hardware da Cerebras daria à OpenAI uma enorme vantagem em termos de hardware sobre o Google”.

Os documentos também indicam que Sam Altman e o próprio Brockman possuem participações acionárias na Cerebras.

Segundo a Bloomberg, Arm e SoftBank teriam tentado adquirir a empresa semanas antes do IPO, mas a Cerebras não comentou a informação.

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