O Departamento de Justiça dos EUA divulgou documentos do caso Jeffrey Epstein com informações capazes de identificar sobreviventes de abuso sexual.
Investigação da DW revelou que registros contendo nomes, rostos e contatos pessoais continuaram acessíveis mesmo após o órgão anunciar medidas para revisar e proteger os dados.

Arquivos do DOJ mantiveram informações pessoais expostas
A divulgação de centenas de milhares de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein trouxe à tona falhas no processo de proteção de dados. Parte do material publicado pelo Departamento de Justiça dos EUA continha informações que deveriam ter sido ocultadas antes da liberação.
O DOJ informou que removeria arquivos, revisaria o conteúdo e aplicaria novas medidas de proteção. O órgão atribuiu o problema a um “erro humano ou técnico”.
Mesmo após essas medidas, a análise da DW encontrou registros que ainda permitiam identificar sobreviventes, testemunhas e informantes. Entre os dados expostos estavam nomes, rostos e endereços de e-mail.
A biblioteca digital do departamento também passou por alterações durante o período analisado. Alguns arquivos foram retirados, outros voltaram ao ar com mudanças e versões diferentes do mesmo material permaneceram disponíveis.
Análise técnica revelou falhas nas ocultações
Para comparar os documentos divulgados, a DW utilizou hashes, códigos únicos que funcionam como uma identificação dos arquivos e ajudam a verificar alterações.
A investigação apontou que mais de 500 mil arquivos foram removidos entre os primeiros dias da publicação e uma coleta posterior feita pela reportagem. Ainda assim, alguns documentos continuaram apresentando falhas.
Entre os principais problemas encontrados estavam:
- Nomes de sobreviventes visíveis em partes específicas dos documentos;
- Dados de contato presentes em arquivos de áudio;
- Diferenças no padrão de ocultação entre registros semelhantes;
- Versões anteriores dos arquivos preservadas em projetos públicos.
A DW também analisou mais de 150 arquivos de áudio com apoio de pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Tecnologia de Mídia Digital, na Alemanha. Os especialistas identificaram sinais de edição e inconsistências nos processos usados para ocultar informações.
Se observarmos o conteúdo desses arquivos de áudio, é possível ver que muitas informações pessoais não foram ocultadas.
Milica Gerhardt, pesquisadora forense de áudio, à DW.

Problemas no tratamento dos dados aumentam pressão sobre o DOJ
O caso levantou questionamentos sobre como órgãos públicos lidam com informações sensíveis antes de torná-las públicas. O Escritório do Inspetor-Geral do DOJ anunciou uma auditoria para avaliar os procedimentos usados na identificação, ocultação e divulgação dos registros.
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Para Patrick Aichroth, líder do grupo de pesquisa em Distribuição de Mídia e Segurança do Instituto Fraunhofer, erros desse tipo podem gerar consequências permanentes. “Uma vez que informações sensíveis ou capazes de identificar alguém são divulgadas, o dano não pode ser desfeito”, afirmou.
A investigação reforça uma dificuldade conhecida no ambiente digital: depois que informações pessoais são publicadas, removê-las completamente pode ser uma tarefa praticamente impossível. Cópias, versões antigas e arquivos preservados podem continuar circulando mesmo após uma correção oficial.
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