Duas estrelas podem estar (teoricamente) abastecendo energia alienígena

Duas estrelas podem estar (teoricamente) abastecendo energia alienígena

Duas estrelas consideradas fortes candidatas a apresentar sinais de possíveis esferas de Dyson foram observadas pelo telescópio espacial James Webb. O resultado surpreendeu os pesquisadores: o brilho infravermelho não vinha das estrelas, mas de galáxias distantes escondidas atrás delas.

A descoberta não encontrou uma civilização alienígena, mas ajudou a mostrar como a própria natureza pode criar sinais parecidos com os procurados na busca por vida inteligente.

ilustração de esfera de dyson
As supostas esferas de Dyson não eram reais, mas ajudaram cientistas a melhorar a procura por vida extraterrestre. – Imagem: Віщун/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O brilho misterioso que chamou a atenção dos astrônomos

A esfera de Dyson é uma das ideias mais famosas da busca por inteligência extraterrestre. Proposta em 1960 pelo físico teórico Freeman Dyson, a estrutura hipotética seria capaz de capturar grandes quantidades de energia de uma estrela.

O principal indício seria o calor liberado pelo processo. Uma tecnologia desse tamanho não conseguiria esconder totalmente sua emissão de energia, que apareceria como um brilho no infravermelho médio.

“Calor residual. Esse é o ponto central de tudo”, explicou Olivia Curtis, astrofísica da Universidade Estadual da Pensilvânia.

O Projeto Hephaistos, liderado por Erik Zackrisson, da Universidade de Uppsala, analisou cerca de cinco milhões de estrelas da Via Láctea em busca desse tipo de excesso de radiação.

James Webb encontra o verdadeiro responsável pelo sinal

Após uma série de filtros, sete estrelas permaneceram como candidatas. Duas delas foram consideradas as mais interessantes e receberam observações detalhadas do James Webb.

As imagens revelaram que o sinal não vinha das estrelas. Na verdade, havia galáxias alinhadas quase perfeitamente atrás delas, criando a impressão de uma fonte única de luz.

Os objetos identificados pelos pesquisadores incluem:

  • Uma galáxia Hot DOG, com grande quantidade de poeira aquecida por um buraco negro supermassivo;
  • Uma galáxia com intensa formação de estrelas;
  • Fontes naturais de radiação infravermelha capazes de imitar uma possível assinatura tecnológica.

“A primeira imagem resolveu tudo”, afirmou Curtis ao comentar as observações.

Imagens do JWST obtidas através de diferentes filtros de infravermelho do Candidato D (linha superior) e do Candidato E (linha inferior).
Imagens do James Webb separaram a luz das estrelas e revelaram as verdadeiras fontes do misterioso sinal infravermelho. – Imagem: Zackrisson et al., arXiv, 2026

Um erro que também trouxe descobertas

Embora as duas candidatas tenham sido descartadas como possíveis esferas de Dyson, o resultado não representa uma derrota para a pesquisa. Pelo contrário: entender esses falsos sinais ajuda a tornar futuras buscas mais confiáveis.

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“A área cresce quando eliminamos seus falsos positivos até o fim”, disse Curtis.

O estudo também permitiu desenvolver novas formas de separar a luz de diferentes objetos celestes, algo importante para os próximos levantamentos astronômicos.

A busca por tecnologia extraterrestre continua, mas cada candidato descartado ajuda cientistas a entender melhor os limites entre fenômenos naturais e possíveis sinais de outras civilizações.

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