Pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, identificaram alterações em células dos vasos sanguíneos cerebrais expostas ao eritritol, adoçante amplamente utilizado por consumidores e pela indústria alimentícia. O trabalho foi publicado no Journal of Applied Physiology em 2026.
A pesquisa analisou células endoteliais do cérebro cultivadas em laboratório e observou mudanças associadas ao funcionamento dos vasos sanguíneos, à formação de coágulos e à proteção da barreira que controla a entrada de substâncias no tecido cerebral.
Os cientistas afirmam que os resultados ajudam a explicar estudos anteriores que relacionaram níveis elevados de eritritol no sangue a um maior risco de eventos cardiovasculares, como acidente vascular cerebral. No entanto, ressaltam que ainda são necessárias investigações em seres humanos para confirmar esses efeitos.
Experimento aponta alterações em mecanismos que ajudam a manter vasos cerebrais saudáveis

O eritritol é um adoçante classificado como álcool de açúcar e ganhou popularidade por apresentar poucas calorias, ter sabor doce equivalente a uma parcela da doçura do açúcar comum e não provocar alterações nos níveis de insulina. Apesar dessas características, novas análises levantam dúvidas sobre possíveis impactos do abuso em seu consumo.
A equipe responsável pelo estudo avaliou o comportamento de células endoteliais cerebrais após a exposição ao composto. Essas células fazem parte da estrutura dos vasos sanguíneos e participam da formação da barreira hematoencefálica, uma defesa natural que controla quais substâncias conseguem alcançar o cérebro.
Os resultados indicaram que o contato com o eritritol reduziu a produção de óxido nítrico pelas células. Essa molécula auxilia no relaxamento e na dilatação dos vasos sanguíneos, favorecendo a circulação.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram aumento da presença de endotelina 1, proteína associada ao estreitamento dos vasos. A combinação dessas alterações pode dificultar o fluxo sanguíneo adequado.
Outro efeito identificado foi a diminuição da liberação estimulada do ativador de plasminogênio tecidual, substância envolvida na dissolução de coágulos. Também houve elevação de espécies reativas de oxigênio, moléculas que podem causar danos às células quando aparecem em excesso.

De acordo com a fisiologista Auburn Berry, integrante da pesquisa, alterações que deixam os vasos mais contraídos e reduzem a capacidade do organismo de eliminar coágulos podem favorecer um cenário de maior risco para derrames. “O quadro geral é que, se seus vasos ficam mais contraídos e sua capacidade de eliminar coágulos sanguíneos diminui, o risco de acidente vascular cerebral aumenta”, afirmou a pesquisadora em declaração sobre os resultados do estudo.
Os autores destacam que a análise foi direcionada aos mecanismos relacionados aos acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, que acontecem quando um coágulo interrompe o fornecimento de sangue ao cérebro. O trabalho não investigou diretamente outros tipos de problemas cardiovasculares, embora os pesquisadores considerem possível que efeitos semelhantes ocorram em vasos de outras regiões do corpo.
Para o fisiologista Christopher DeSouza, que também participou da investigação, os resultados reforçam a necessidade de avaliar com mais cuidado o consumo de adoçantes sem valor nutricional. “Nosso estudo acrescenta evidências de que adoçantes não nutritivos considerados seguros podem não estar livres de consequências negativas para a saúde”, declarou o pesquisador.
Os cientistas recomendam cautela porque as conclusões ainda não representam uma confirmação de risco para consumidores. O experimento foi realizado em células isoladas, e as condições utilizadas no laboratório podem não reproduzir exatamente a forma como o organismo humano absorve e processa o eritritol.
Além disso, os pesquisadores lembram que o próprio corpo humano produz naturalmente essa substância. Dessa forma, níveis elevados no sangue podem estar relacionados não apenas à ingestão por alimentos e bebidas, mas também a outros processos ainda não esclarecidos.
O estudo também considera que existem pesquisas anteriores indicando possíveis efeitos positivos do eritritol sobre a saúde vascular, mostrando que o tema ainda apresenta resultados contraditórios e precisa de novas análises.
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