Estreia da SK Hynix na Bolsa testa o futuro da IA e dos chips

Estreia da SK Hynix na Bolsa testa o futuro da IA e dos chips

A gigante sul-coreana de semicondutores SK Hynix estreia na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (10). A chegada da companhia ao mercado americano ocorre por meio de uma oferta que movimentou US$ 26,5 bilhões (aproximadamente R$ 136 bilhões) – a segunda maior venda de ações recente no país, atrás apenas do IPO da SpaceX. O movimento serve como teste para medir o fôlego e a confiança dos investidores na durabilidade do boom da inteligência artificial (IA).

A listagem vem num ano de crescimento vertiginoso para a empresa, cujo valor de mercado agora orbita a marca histórica de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões). Isso após suas ações dispararem cerca de 630% nos últimos 12 meses. Embora os papéis tenham sofrido uma correção recente de 25% em relação ao seu pico histórico de duas semanas atrás, a oferta nos EUA foi sobrecarregada por pedidos de compra.

Na Coreia do Sul, SK Hynix só perde para a Samsung – e já fechou parceria com a Nvidia

A SK Hynix é a segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul, posicionada logo atrás da Samsung. E fornece componentes “invisíveis”, mas vitais, para eletrônicos de marcas como Apple e Dell. Junto à própria Samsung e a americana Micron, ela compõe o trio que domina o fornecimento global de memórias RAM tradicionais. 

No entanto, o diferencial que a catapultou ao estrelato de Wall Street é a sua liderança isolada na produção de memórias de alta largura de banda (HBM), circuitos complexos que empilham camadas de chips para processar dados em velocidades altíssimas.

Essa tecnologia transformou a companhia na principal fornecedora do ecossistema de chips de IA da Nvidia e da AMD, que dependem diretamente dessas memórias para o funcionamento de suas unidades de processamento gráfico (GPUs). 

Close do rosto de Jensen Huang, que está ligeiramente sorrindo
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, viajou a Seul para fechar parceria com a SK Hynix – Imagem: FotoField/Shutterstock

Analistas projetam que a SK Hynix deva capturar mais da metade do mercado mundial de HBM ainda em 2026. A relevância técnica é tão expressiva que o próprio CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez uma visita a Seul para consolidar uma parceria plurianual de fornecimento com a fabricante.

O impacto financeiro desse monopólio reflete-se nos balanços: a receita anual quase triplicou entre 2023 e 2025, saltando para US$ 65 bilhões (R$ 333 bilhões). E projeções de analistas indicam que o faturamento pode triplicar novamente em 2026, atingindo cerca de US$ 235 bilhões (R$ 1,2 trilhão). 

Para sustentar essa demanda, a empresa planeja investir até US$ 720 bilhões (R$ 3,6 trilhões) na expansão de complexos fabris na Coreia do Sul. Parte desse montante – cerca de US$ 7,8 bilhões (R$ 40 bilhões), até o final de 2027 – será destinada à aquisição de máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da fabricante holandesa ASML, essenciais para a gravação dos circuitos microscópicos dos chips avançados.

A expansão também contempla uma forte ofensiva estrutural no território norte-americano. A SK Hynix está erguendo uma fábrica de chips avaliada em US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) na cidade de West Lafayette, no estado de Indiana, programada para operar em 2028. Ela será parcialmente financiada por subsídios da lei federal CHIPS Act dos EUA. 

Paralelamente, a companhia expande a Solidigm, sua divisão focada em armazenamento de dados de alta capacidade. Sediada na Califórnia, ela foi comprada da Intel por US$ 9 bilhões (R$ 46 bilhões) em 2021.

Contudo, o agressivo plano de expansão carrega os riscos históricos de um setor conhecido por ciclos brutais de “boom e bust” (frenesi e colapso). Fundada em 1983 como Hyundai Electronics, a empresa passou por severas crises de superoferta globais e fusões complexas até ser rebatizada sob o controle do grupo SK em 2012. 

Cientes de que ondas de hipercrescimento tecnológico no passado já resultaram em excesso de estoque e quedas severas de preços, a SK Hynix e suas concorrentes tentam agora mudar a dinâmica do setor por meio de contratos de longo prazo, exigindo que clientes deem previsibilidade de pedidos com anos de antecedência para estabilizar o mercado.

Bolsas americanas vão liberar mercado de opções da SK Hynix em dois dias

Operadoras de bolsas nos Estados Unidos, incluindo a Cboe Global Markets e a própria Nasdaq, preveem listar contratos de opções sobre as ações da SK Hynix dois dias úteis após a estreia do papel no mercado de Nova York, segundo a Reuters

Esse mecanismo financeiro permite que grandes fundos protejam suas posições contra perdas cambiais e de mercado. Ou que especuladores apostem na variação futura dos preços. Na prática, a introdução das opções atrai mais capital flutuante, eleva a liquidez diária dos ativos e acelera o processo de descoberta do preço real da companhia em solo americano.

A expectativa de alta movimentação nesses derivativos é impulsionada pela forte participação de investidores de varejo (pessoas físicas) em busca de alavancagem financeira em ativos de IA – dinâmica agressiva que tende a inflar lucros rápidos, mas que também amplia os prejuízos na mesma proporção. 

O cenário deve repetir o fenômeno recente da SpaceX, cujas opções lançadas em junho registraram volumes recordes de negociação logo no primeiro dia de listagem, concentrados majoritariamente nas plataformas da Nasdaq. Esse apetite especulativo servirá de termômetro da resiliência do mercado diante das atuais avaliações bilionárias do setor tecnológico.

(Esta matéria usou informações de CNBC e Reuters.)

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