Depois de dias com erupções fracas, o Sol voltou a chamar atenção com três explosões de classe M (consideradas moderadas) nas últimas 24 horas. Duas partiram da região AR4549, um agrupamento de manchas solares que cresceu rapidamente e ganhou estrutura magnética complexa.
Vamos entender:
- O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
- Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
- Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
- No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
- À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem se romper e gerar rajadas de vento;
- De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
- As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior.

Entenda o mecanismo por trás das erupções solares
Em entrevista ao Olhar Digital, a física Adriana Valio, professora titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), explicou a dinâmica das erupções solares. “Essa energia é liberada principalmente por um processo chamado reconexão magnética, que ocorre quando as linhas do campo magnético se reorganizam, convertendo parte da energia magnética em radiação, aquecimento do plasma e aceleração de partículas”, explica a pesquisadora.
Localizada a leste do centro do disco solar, a AR4549 se expandiu em pouco tempo e passou a formar um grande conjunto de manchas. Sua configuração magnética é classificada como beta-gama-delta, a mais complexa entre as categorias usadas para descrever regiões ativas do Sol. Estruturas desse tipo concentram diferentes campos magnéticos, favorecendo o armazenamento e a liberação de energia.
Por isso, a região merece atenção nos próximos dias. Ela tem potencial para produzir novas erupções de classe M e também eventos de classe X, os mais intensos da escala usada para medir essas explosões. Além disso, como a AR4549 está voltada para a Terra, eventuais ejeções de material lançadas por ela podem atingir o planeta.

Explosão causa apagão de rádio na Terra
De acordo com a plataforma de observação EarthSky.org, a maior das três erupções recentes foi classificada como M1.8 e atingiu o pico nesta terça-feira (6), às 5h05 (pelo horário de Brasília). O fenômeno provocou um apagão de rádio de nível R1, considerado menor, quase que instantaneamente sobre o Mar Arábico, na região da costa leste da Somália, quando a radiação interferiu nas comunicações.
Observações feitas logo após o evento também identificaram um escurecimento coronal amplo ao redor da área da explosão, sinal de que parte da atmosfera solar pode ter sido lançada ao espaço. Como a região estava em posição favorável em relação à Terra, levantou-se a possibilidade de uma ejeção de massa coronal estar vindo em nossa direção.
Apesar disso, ainda não é possível confirmar o cenário ou a severidade do impacto. Em publicação no X, o físico espacial e fotógrafo de auroras Vincent Ledvina, que vive no Alaska, EUA, destacou que as imagens disponíveis eram muito recentes e não permitiam estimar com segurança quanto material havia escapado do Sol nem qual seria sua direção.
As these images I am posting here are literally the latest views of this eruption, it is still too early to say how much of the CME has escaped the solar atmosphere and how much it is directed at Earth. The initial look is promising, but we need more data to have any sort of confidence…
— Vincent Ledvina (@Vincent_Ledvina) October 6, 2026
Outra região ativa no Sol eleva riscos de tempestades geomagnéticas
Essa avaliação contínua depende diretamente da infraestrutura moderna de monitoramento espacial. Como explica Adriana, a ciência hoje pode contar com recursos essenciais para rastrear essa evolução em tempo real. “Atualmente, dispomos de telescópios terrestres e satélites capazes de acompanhar continuamente a evolução das manchas solares e medir seus campos magnéticos. Essas observações permitem identificar regiões ativas que estão acumulando grandes quantidades de energia magnética e que, portanto, apresentam potencial para produzir explosões intensas”.

No entanto, a especialista enfatiza que prever a força exata de um evento vai além da simples observação visual da área atingida. “O tamanho de uma mancha solar, isoladamente, não é suficiente para determinar o grau de intensidade. Além da quantidade de energia magnética armazenada, é necessário considerar a complexidade e a configuração dos campos magnéticos, que determinam como essa energia poderá ser liberada”.
Agora, meteorologistas espaciais analisam imagens de coronógrafos e modelos computacionais para calcular a velocidade e a trajetória do material. A previsão é importante porque, se houver uma interação significativa com o campo magnético terrestre, o episódio poderá provocar uma tempestade geomagnética e favorecer a ocorrência de auroras em regiões mais ao sul do que o normal.
A intensidade dessa tempestade dependerá, entre outros fatores, da orientação do campo magnético incorporado ao material solar ao atingir a Terra. Enquanto isso, a região de manchas AR4545 também segue voltada para o planeta com atividade em elevação, e buracos coronais que se aproximam devem reforçar o fluxo de vento solar rápido, indicando outro período de atividade geomagnética elevada para o fim de semana.
O post Explosões solares estão a caminho da Terra; saiba o que pode acontecer apareceu primeiro em Olhar Digital.