A inteligência artificial pode ajudar a economia mundial a crescer, mas também aumentar a inflação e a desigualdade entre países. O alerta foi feito por Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), durante um evento em Singapura.
Segundo ela, o avanço da tecnologia acontece enquanto os governos lidam com energia mais cara e dívidas elevadas. A combinação deixa menos espaço nos orçamentos para enfrentar novos problemas.

O impacto do boom de IA
O investimento mundial em inteligência artificial, em relação ao tamanho da economia, deve alcançar e provavelmente superar o que já foi destinado a grandes projetos como ferrovias, redes elétricas e sistemas de telecomunicações.
O FMI estima que a IA possa acrescentar até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual da economia mundial se for bem aproveitada. Georgieva comparou uma alta de 3% para 3,5% ao longo de uma década à adição de uma economia do tamanho da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) ao mercado global.
“Amem, odeiem ou temam, a IA chegou”, afirmou.
O crescimento, porém, tende a ser desigual. Países menos envolvidos na produção e no fornecimento de tecnologia para IA podem aproveitar menos essa expansão, ampliando a diferença econômica entre as nações.
A construção da infraestrutura necessária para a IA também aumenta a demanda por energia e outros recursos. Isso se soma a alimentos e energia mais caros, tarifas e gastos com defesa, mantendo a inflação sob pressão.
- Comércio: produtos de hardware e tecnologia ligados à IA já representam mais de 10% do comércio mundial de bens.
- Crescimento: o FMI calcula que a tecnologia possa acrescentar até 0,5 ponto percentual ao crescimento econômico mundial por ano.
- Desigualdade: países menos envolvidos na cadeia global de IA podem ficar com uma parcela menor dos benefícios.
- Capital: empresas ligadas à IA estão disputando recursos com governos no mercado de títulos.
IA cresce em meio a uma dívida elevada
O potencial de crescimento da inteligência artificial chega em um momento delicado para os governos. A dívida pública mundial está próxima do maior nível desde a Segunda Guerra Mundial e deve superar 100% do PIB.
Isso importa porque o crescimento gerado pela IA não acontece em uma economia com os cofres públicos livres para novos investimentos. Durante 17 anos, os governos tiveram uma condição favorável: os juros eram menores que o ritmo de crescimento econômico. Agora, com juros mais altos, ficou mais difícil administrar as dívidas.
Para Georgieva, os países precisam reorganizar suas contas e recuperar espaço nos orçamentos. Assim, poderão aproveitar melhor os benefícios do crescimento econômico e ter margem para enfrentar novos problemas sem aumentar ainda mais o endividamento.

O que acontece se o boom perder força?
A expansão da IA também mexe com os mercados financeiros. Os preços das ações de grandes empresas de tecnologia estão ligados à expectativa de lucros elevados. Se os resultados vierem abaixo do esperado, a reação pode se espalhar para outros investimentos.
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Georgieva citou a Lei de Amara, segundo a qual uma nova tecnologia costuma ser superestimada no curto prazo e subestimada no longo prazo. Para ela, o intervalo entre o atual aumento dos investimentos e a chegada dos benefícios econômicos da IA pode ser o momento de maior instabilidade.
“Pode ser um bom momento para uma postura monetária prudentemente mais rigorosa em muitos países”, afirmou.
Para o FMI, fiscalização e regras claras são importantes para acompanhar essa transformação. O desafio é aproveitar o potencial da IA sem aumentar ainda mais a pressão sobre preços, contas públicas e mercados.
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