Um estágio superior de um foguete Falcon 9 da SpaceX deixou uma nova marca na superfície da Lua após colidir contra o solo lunar na última quarta-feira (05). O impacto ocorreu perto da cratera Einstein e foi registrado pela sonda sul-coreana Danuri.
As imagens divulgadas pela agência espacial sul-coreana mostram diferenças entre a região antes e depois da colisão, com uma alteração visível no terreno causada pela chegada do objeto a aproximadamente 8.700 km/h.
O equipamento que atingiu a Lua era parte de um lançamento realizado em janeiro de 2025, quando um Falcon 9 levou ao espaço a missão da empresa ispace. O estágio superior acabou seguindo uma trajetória inesperada até o choque.
2022년 8월 5일 달로 향했던 대한민국 달 궤도선 다누리,
— 우주항공청 KASA (@with_KASA) August 6, 2026
2026년 8월 5일 스페이스X 팰컨9 발사체 상단부의 달 표면 충돌 전·후 포착!
※ 현재 온라인에서 확산 중인 충돌 영상은 다누리가 촬영한 영상이 아니며, 다누리는 충돌 전·후 관측 이미지를 확보했습니다.#우주항공청 #KASA #다누리 pic.twitter.com/iZZ0OTn3yl
Sonda identifica mudanças no solo lunar após colisão

A confirmação visual do impacto veio por meio da Danuri, também conhecida como Korean Pathfinder Lunar Orbiter (KPLO). A espaçonave utilizou sua câmera de alta resolução, chamada Lunar Terrain Imager (LUTI), para comparar registros da área em diferentes momentos.
A Korea Aerospace Administration (KASA) informou que a alteração observada nas imagens corresponde a uma nova marca na região atingida. A agência também alertou que vídeos divulgados nas redes sociais supostamente mostrando o instante da colisão não são verdadeiros.
O local apresentou uma mudança de aparência após o impacto, com uma área mais escura identificada nas fotografias. De acordo com as informações divulgadas, essa característica não aparecia em registros anteriores da mesma região, reforçando a associação com a queda do estágio do foguete.
A NASA deve realizar novas observações com seu Lunar Reconnaissance Orbiter para analisar com mais detalhes as consequências da colisão. A previsão inicial da agência era que a cratera formada tivesse cerca de 18 metros de largura e 4 metros de profundidade.
Impacto não deve receber nome oficial na Lua

A possibilidade de batizar a nova marca lunar com alguma referência a Elon Musk, fundador da SpaceX, gerou comentários após a divulgação do acidente. Astrônomos, porém, descartaram essa possibilidade dentro das regras oficiais de nomenclatura.
Segundo a União Astronômica Internacional (IAU), locais formados por impactos de espaçonaves não entram no processo de nomeação oficial de características lunares. A entidade explicou que esses nomes são reservados para formações naturais usadas em estudos e mapas científicos.
Rita Schulz, presidente do grupo da IAU responsável pela nomenclatura planetária, afirmou em entrevista à revista New Scientist que equipes de missões podem criar apelidos informais para locais de impacto, mas essas denominações não passam a fazer parte do registro oficial.
A especialista também destacou que outra regra impede homenagens oficiais a pessoas vivas em crateras e outras formações. Quando uma homenagem desse tipo ocorre, a pessoa precisa estar morta há pelo menos três anos.
Danuri amplia observações da superfície lunar
A sonda sul-coreana chegou à órbita da Lua em dezembro de 2022, após também ser lançada por um foguete da SpaceX. O equipamento permanece a aproximadamente 100 km de altitude e teve sua missão ampliada até 2027, depois de uma previsão inicial de operação de apenas um ano.
A colisão ocorreu depois que o estágio superior do foguete ficou em uma rota de encontro com a Lua influenciada por fatores como atividade solar e gravidade, segundo informações atribuídas à SpaceX.
Especialistas destacaram que, apesar da repercussão, o evento representa uma alteração pequena diante da quantidade de marcas naturais existentes na superfície lunar. David Rothery, da Open University, afirmou à New Scientist que impactos desse tamanho já fazem parte da dinâmica natural da Lua.
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