Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema

Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema

Nesta segunda-feira (22), o Google e o laboratório DeepMind anunciaram uma colaboração com o estúdio A24 para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao cinema. O acordo prevê um aporte financeiro de cerca de 75 milhões de dólares, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal, e representa a primeira participação acionária do Google em um estúdio audiovisual.

A iniciativa busca aproximar pesquisa avançada em IA e a produção cinematográfica, com foco em tecnologias capazes de otimizar processos criativos e ampliar possibilidades narrativas. A parceria não é exclusiva e deverá se desdobrar em diferentes projetos ao longo do tempo, sem conceder ao Google acesso ao catálogo de obras do estúdio.

Embora apresentada como um movimento de inovação, a colaboração ocorre em meio a debates da indústria sobre direitos autorais e o uso de dados públicos no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Os envolvidos descrevem o projeto como uma tentativa de equilibrar avanço tecnológico e preservação do controle criativo.

Parceria entre Google DeepMind e A24 aposta em novas ferramentas para cinema

Logo do Google na fachada de um prédio
Google – Imagem: ZikG/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, o acordo firmado entre Google e A24 prevê atuação em múltiplas frentes ao longo dos próximos anos. A proposta inclui o desenvolvimento de soluções para diferentes etapas da produção e também para a distribuição de filmes, mantendo restrições de acesso ao acervo do estúdio.

Em comunicado oficial, o Google afirmou que a colaboração tem como objetivo aproximar tecnologia de ponta e criação artística, permitindo que os próprios criadores influenciem o desenvolvimento das ferramentas. “Isso garante que as ferramentas do futuro sejam moldadas pelos criadores que as utilizam.”

Scott Belsky, sócio do A24 e ex-diretor de estratégia da Adobe, destacou que as soluções em desenvolvimento não seguem o modelo tradicional de geração por comando.

silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind
(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

De acordo com ele, a proposta prioriza a preservação do controle artístico e o incentivo à experimentação. “Não vai se parecer em nada com o tipo de IA de geração por comandos que deixa as pessoas desconfortáveis” e “há usos melhores que preservam o controle criativo e incentivam a tomada de riscos”, disse em entrevista ao jornal estadunidense.

O cineasta e criador Kane Parsons, associado a produções no YouTube e ao projeto Backrooms, apresentou uma visão crítica sobre o uso de IA generativa. Ele afirmou não ver prazer na utilização dessa tecnologia e a descreveu como reflexo de questões culturais mais amplas.

A IA generativa parece menos uma inovação do que um sintoma de uma decadência cultural e econômica mais ampla” e “não sinto nenhum prazer em usar essa tecnologia em qualquer projeto”, concluiu.

O post Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema apareceu primeiro em Olhar Digital.