O Google está testando um novo modelo para remunerar sites cujo conteúdo contribui diretamente para respostas produzidas por inteligência artificial (IA). Batizado de AI Contribution Pilot, o programa permite que publishers recebam pagamentos quando suas páginas são consideradas relevantes para a geração de respostas em produtos de IA da empresa.
A iniciativa está sendo testada com pelo menos dezenas de publishers, principalmente sites pequenos e médios. O programa também vai além de veículos de imprensa e abrange diferentes tipos de produtores de conteúdo.
O sistema funciona por meio do Google Search Console. Publishers selecionados recebem um novo painel chamado AI contribution, que mostra um valor mensal referente aos ganhos acumulados.
Segundo a descrição apresentada pelo Google, o objetivo é permitir que os sites “acumulem ganhos quando seu conteúdo contribui significativamente para respostas geradas por IA em produtos participantes”.
Como funciona o pagamento
- O modelo não funciona simplesmente como um pagamento por visualização ou pela quantidade de vezes que um site aparece em uma resposta;
- De acordo com informações obtidas pelo Digiday, o Google avalia se determinado conteúdo contribuiu significativamente para a geração da resposta. A empresa, portanto, tenta atribuir um valor ao papel desempenhado pelo material durante o processo de produção da resposta;
- Isso cria uma diferença importante em relação ao funcionamento tradicional da Busca. Um site pode receber dinheiro mesmo que o usuário não clique no link, desde que o conteúdo tenha sido considerado relevante para a construção da resposta;
- O programa contempla conteúdos utilizados no Gemini, AI Overviews e AI Mode, segundo informações do material de suporte do programa obtidas pelo Digiday;
- Por outro lado, nem todo uso do conteúdo gera pagamento. De acordo com as regras do programa, uma página utilizada apenas para confirmar uma informação ou simplesmente apresentada como link depois que a resposta já foi gerada não se qualifica;
- O foco está no momento em que o conteúdo ajuda a determinar o que a resposta vai dizer.
Google não revela quanto cada conteúdo vale
Um dos principais pontos ainda sem resposta é justamente o cálculo dos pagamentos.
Os publishers participantes conseguem visualizar um valor mensal no Search Console, mas, segundo o Digiday, as informações disponíveis ainda são bastante limitadas. O painel não explica detalhadamente quais páginas geraram os ganhos, quantas vezes determinado conteúdo contribuiu para respostas ou exatamente como o Google chegou ao valor final.
Um executivo de uma empresa participante descreveu o sistema como uma espécie de “caixa-preta” e afirmou que gostaria de ter mais transparência sobre o funcionamento.
Outro executivo ouvido pelo Digiday disse que, apesar da falta de detalhes, considera relevante o fato de o Google estar estabelecendo um precedente para pagamentos diretos a publishers pelo uso de seus conteúdos em sistemas de IA.
Os participantes também podem deixar o programa a qualquer momento.
Google já havia anunciado a ideia
Embora o programa de pagamentos tenha vindo a público agora, o Google já havia indicado em junho que estava trabalhando em uma iniciativa desse tipo.
Em uma publicação sobre novas ferramentas para proprietários de sites, a empresa afirmou que estava testando uma nova forma de trabalhar com sites cujo conteúdo contribui de maneira relevante para manter as respostas de IA atualizadas e factualmente precisas.
Na mesma ocasião, o Google anunciou novos controles no Search Console para que proprietários de sites possam decidir se querem permitir que suas páginas apareçam e ajudem a fundamentar respostas nos recursos de IA da Busca.
Quem optar por não participar deixa de receber tráfego ou impressões provenientes dos recursos de IA generativa da Busca.
A empresa também afirmou que está desenvolvendo ferramentas para ajudar sites a entender seu desempenho nesses ambientes.
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Mudança importante na relação entre Google e publishers
O teste acontece em momento em que o papel da Busca está mudando.
Tradicionalmente, o modelo beneficiava publishers ao direcionar usuários para seus sites. O usuário fazia uma pesquisa, encontrava um link e acessava a página, gerando potencialmente receita por publicidade, assinaturas, comércio eletrônico ou outros mecanismos.
Com respostas produzidas diretamente por IA, parte desse processo pode acontecer dentro do próprio Google. Nesse cenário, um conteúdo pode ser utilizado para construir uma resposta sem necessariamente gerar uma visita ao site que produziu aquela informação.
O novo programa tenta criar uma forma diferente de compensação: em vez de remunerar apenas o tráfego gerado, o Google passa a considerar o valor do conteúdo utilizado durante a produção da resposta.
Programa é diferente de outras parcerias
O Google já mantém acordos comerciais com publishers e empresas de conteúdo.
Em uma iniciativa anunciada anteriormente, a companhia afirmou ter parcerias com mais de três mil publicações, plataformas e provedores de conteúdo em mais de 50 países. A empresa também anunciou um programa comercial com veículos de notícias para testar recursos de IA no Google News.
O AI Contribution Pilot, porém, possui uma proposta diferente. Em vez de estabelecer simplesmente um acordo comercial com grandes grupos de mídia, o teste procura medir a contribuição individual de conteúdos para respostas geradas por IA e associar essa contribuição a um pagamento.
Segundo o Digiday, a iniciativa também tem alcance mais amplo do que os acordos anteriores com grandes empresas jornalísticas, incluindo publishers pequenos e médios e sites que não são necessariamente veículos de notícias.
Google ainda está tentando descobrir como medir esse valor
A própria estrutura do programa indica que a empresa ainda está experimentando maneiras de determinar quanto vale a contribuição de cada conteúdo.
O problema é complexo: uma resposta pode ser formada a partir de diferentes páginas e informações, e nem todo conteúdo utilizado por um sistema de IA exerce o mesmo peso sobre o resultado final.
Por isso, o Google não adotou simplesmente uma fórmula baseada no número de vezes em que uma página é acessada pela IA. O pagamento depende da avaliação de que aquele conteúdo teve uma contribuição significativa para a resposta.
O Digiday também relata que alguns participantes estão tendo conversas regulares com o Google sobre o funcionamento do programa. Para esses publishers, além do dinheiro, existe interesse em entender quais tipos de conteúdo são considerados mais valiosos pelos sistemas de IA.
Um novo modelo para remunerar conteúdo na era da IA
O AI Contribution Pilot representa uma tentativa do Google de adaptar sua relação com os produtores de conteúdo a uma realidade em que a informação pode ser utilizada por sistemas de IA sem necessariamente resultar em um clique.
Por enquanto, entretanto, o programa permanece em estágio inicial e restrito a um grupo de publishers convidados. O Google ainda não revelou publicamente todos os critérios utilizados para calcular os pagamentos, nem detalhou quanto os participantes podem receber.
A experiência pode ajudar a empresa a definir como remunerar conteúdos que contribuem diretamente para respostas de IA, mas ainda não está claro como o modelo será ampliado ou se os valores pagos serão suficientes para compensar a perda de tráfego enfrentada por publishers.
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