Quando a OpenAI lançou o modelo GPT-6 Astra, o presidente da empresa, Greg Brockman, disse que “a era da Inteligência Artificial Geral” – da AGI, na sigla em inglês – tinha começado. O executivo também disse que “todos têm uma definição diferente” sobre o que é AGI.
Até então, o modelo mais avançado da desenvolvedora do ChatGPT era o GPT-5.6 Sol. Agora, é o GPT- 6 Astra. Até que ponto um é melhor que o outro? E, talvez mais importante ainda: é AGI mesmo ou apenas um exagero de marketing? O Olhar Digital conversou sobre isso com Fabrício Carraro, Program Manager da Alura e especialista em IA.
O GPT-6 Astra é bom mesmo? Entenda
Carraro tem um benchmark próprio. Isto é, um teste que faz para medir a capacidade dos modelos de IA. “Mando um prompt bem genérico para o modelo criar do zero um jogo de exploração espacial, otimizando para a beleza dos gráficos”, diz o especialista.
Entre os modelos testados por Carraro, estava o GPT-5.6 Sol, da OpenAI, e o Fable 5, da Anthropic, desenvolvedora do Claude. Ao testar o prompt no Astra, “deu para notar a diferença”.
“Na comparação anterior, o Fable 5 tinha ficado muito melhor. Nessa comparação agora, adicionando o Astra, deu para ver muita evolução em relação ao GPT-5.6 Sol na qualidade dos gráficos, nas escolhas e tudo mais”, relata o especialista. “É um benchmark bem específico, mas deu para notar isso.”

Carraro não foi o único a testar o GPT-6 Astra, evidentemente. “Vendo o que as pessoas estão comentando online, basicamente o que disseram foi que ele é melhor do que o Sol em pegar um objetivo dado e ir até o final sem desistir”, diz o especialista. O que isso significa: “ir pegando os detalhes do que você está pedindo e refinando até chegar no objetivo desejado”.
Isso importa para a sua rotina? Depende. Se você usa a IA no seu dia a dia para, por exemplo, escrever relatórios, acompanhar preços de produtos ou gerar imagens suas nos anos 80, não importa.
“É difícil falar sobre um grande avanço de inteligência ou algo nesse sentido até porque a maioria dos problemas que a gente resolve no dia a dia não exige essa superinteligência ou algo muito mais absurdo do que a gente tinha com o Sol, o Opus ou o Fable”, observa Carraro.
A ‘era da AGI’ começou mesmo?
Se você pesquisar no Google “o que é AGI?”, a IA do buscador com certeza vai te dar uma resposta curtinha e contundente. Embaixo da “visão geral da IA”, você vai encontrar diversos links te oferecendo definições e explicações (talvez esta matéria do Olhar Digital apareça entre eles). Mas a verdade é que ninguém sabe o que é AGI.

Questionado sobre o rótulo de AGI no GPT-6 Astra, Brockman disse que “todos têm uma definição diferente”. E que não considera exagero dizer que a OpenAI conseguiu criar a sua.
O ponto é que Brockman poderia falar que o GPT-5.2, lançado em dezembro de 2025, já era AGI. Isso porque “não existe uma definição real e técnica sobre o que é AGI”, diz Carraro.
Quem critica abertamente essa obsessão do Vale do Silício com o termo AGI é a dra. Fei-Fei Li. Para ela, a discussão sobre isso é inflada por marketing e hype corporativo.
(Para quem não sabe: considerada a “madrinha da IA”, a dra. Fei-Fei Li é uma das cientistas da computação mais influentes do mundo. Nascida na China e radicada nos EUA, é professora titular na Universidade Stanford e codiretora do Instituto de IA Centrada em Humanos – HAI.)
A gente pode falar em qualquer momento, dependendo da sua definição, que começamos a era da AGI ou que chegamos na AGI.
Fabrício Carraro, Program Manager da Alura, em entrevista ao Olhar Digital.
A polêmica sobre como o GPT-6 Astra ‘pensa’
Para além de questões mercadológicas e filosóficas sobre AGI, o GPT-6 Astra tem uma polêmica: a maneira como “pensa”. Isto é, como “raciocina”. E a polêmica gira em torno de uma técnica conhecida como “recorrência opaca” (ou looped Transformer).
Modelos tradicionais de IA que “raciocinam” funcionam assim: Quando precisam resolver um problema complexo passo a passo, eles geram palavras (chamadas de tokens de raciocínio ou “linha de raciocínio”). Eles literalmente escrevem para si mesmos: “Primeiro preciso descobrir X, depois calculo Y para chegar na resposta Z”. Assim, especialistas podem ler essas etapas e auditar se a IA está agindo de forma correta e segura (“alinhada”, no jargão).

Já o GPT-6 Astra pensaria da seguinte forma: ele passa suas informações em loop repetidas vezes pelo mesmo bloco de processamento interno antes de gerar qualquer palavra. Ele raciocina “dentro da cabeça” dele (nas ativações da rede neural) sem precisar traduzir esses passos intermediários em texto.
A OpenAI admitiu, no system card de segurança do modelo, que o GPT-6 Astra possui uma “queda substancial na monitorabilidade da sua cadeia de raciocínio” em comparação com o modelo anterior (GPT-5.6 Sol).
A empresa confirmou que o Astra é bem mais capaz de controlar e omitir trechos do seu próprio “pensamento”, tornando-o “opaco” para auditores externos.
“Supostamente, você pioraria a análise de qualidade, mas não necessariamente”, diz o especialista em IA. “Essa é a questão polêmica: se sim ou se não”, acrescenta. Para a OpenAI, aparentemente, isso não é um problema. Inclusive, a empresa posiciona esse modelo como o mais seguro que ela já desenvolveu. A ver.
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