IA brasileira para processos judiciais já vale US$ 1,2 bilhão

IA brasileira para processos judiciais já vale US$ 1,2 bilhão

A brasileira Enter atingiu valor de mercado de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,16 bilhões) em maio e se tornou o primeiro unicórnio de IA da América Latina. Criada em 2023, a startup desenvolve ferramentas para empresas que precisam lidar com processos judiciais.

A nova rodada de investimentos levantou mais de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 514 milhões) com Sequoia e Founders Fund, investidores que já haviam colocado dinheiro na companhia. O aporte triplicou a avaliação da Enter.

Ao fundo, dizeres "AI", ao lado de uma balança; à frente, o martelo de um juiz
A Enter usa agentes de IA para analisar processos, contratos, áudios, vídeos e extratos antes da entrada de um profissional humano. Imagem: TANYARICO/Shutterstock

IA para analisar processos

Criada por Mateus Costa-Ribeiro e Henrique Vaz, a Enter começou pelo setor jurídico. A tecnologia pode atuar em diferentes momentos de um processo, incluindo cadastro de ações, análise de jurisprudências, detecção de fraudes documentais e sugestão de minutas.

Os agentes de IA também analisam os arquivos relacionados aos casos. Contratos, áudios, vídeos e extratos estão entre os materiais que podem ser examinados em busca de informações relevantes para a defesa.

“Começando pelo jurídico, a tecnologia da Enter traz mais eficiência para todo o ciclo de um processo judicial: do cadastro de ações e detecção de fraudes documentais à análise de jurisprudências e sugestão de minutas”, afirma a empresa.

A Enter diz ainda realizar mais de 30 verificações para encontrar sinais de litigância abusiva, entre eles:

  • litispendência, quando uma mesma ação é apresentada mais de uma vez à Justiça;
  • adulteração de documentos;
  • atuação coordenada entre litigantes;
  • padrões identificados durante a análise dos processos.

O agente de IA vem antes

Na operação descrita pela empresa, a inteligência artificial entra em cena antes do profissional humano. Cada arquivo é analisado por um agente de IA, que processa as informações antes da participação de uma pessoa.

“Cada etapa que se pode imaginar em um processo judicial é primeiro tratada por um agente de IA antes da entrada de um humano”, disse Costa-Ribeiro à Bloomberg, em maio.

Ilustração representa o crescimento de uma startup até se tornar um unicórnio
O que começou com uma petição em PDF e uma sugestão de contestação por e-mail virou o primeiro unicórnio de IA da América Latina. – Imagem: ANUCHIT786 / Shutterstock

A aposta de um ex-advogado

A história da Enter começou depois que Costa-Ribeiro deixou um dos principais escritórios de advocacia de Nova York para trabalhar com tecnologia. Ele contou no LinkedIn que a decisão significou abandonar um emprego estável e um salário que seria muito maior do que o recebido na nova atividade.

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O executivo passou a trabalhar com engenheiros de software, aprendeu programação e mudou-se para Stanford. Com dois amigos, desenvolveu um site no qual o usuário enviava uma petição inicial em PDF e recebia por e-mail uma sugestão de contestação.

“Era setembro de 2023, e eu não tinha ideia de que aquele Google Forms feio — a primeira interface do produto da Enter — se transformaria na maior aventura de autoconhecimento e crescimento da minha vida”, celebrou.

O protótipo simples acabou dando origem à Enter, que menos de dois anos depois alcançou avaliação de US$ 1,2 bilhão.

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