Uma descoberta feita pelo Telescópio Espacial James Webb colocou dois mundos muito diferentes no centro da atenção científica, destaca estudo. Plutão e Titã, lua de Saturno, apresentam o mesmo sinal infravermelho misterioso, indicando uma química ainda não explicada.
Os cientistas acreditam que o fenômeno esteja ligado a uma molécula desconhecida, mas ainda não sabem exatamente qual composto produz essa assinatura.

Webb revela ligação inesperada entre Plutão e Titã
Titã e Plutão não parecem ter muita coisa em comum. A lua de Saturno tem uma atmosfera espessa, mares de metano líquido e dunas formadas por partículas orgânicas. Já o planeta anão é um ambiente extremamente frio, com uma camada atmosférica muito fina.
Mesmo assim, observações do James Webb revelaram que os dois apresentam a mesma absorção de luz em uma faixa específica do infravermelho. O resultado sugere a presença de um composto ainda não identificado.
“É bastante misterioso. Não podemos dizer o que é”, afirmou Bruno Bézard, cientista planetário do Observatório de Paris e líder do estudo.
A pista apareceu durante a análise de dados de Titã coletados pelo telescópio em 2022. Os pesquisadores usaram espectroscopia, método que permite identificar materiais pela forma como absorvem luz.
O problema é que o padrão detectado não corresponde a nenhum dos compostos já catalogados.
Mistério pode estar ligado a moléculas orgânicas
Para eliminar a possibilidade de erro nos equipamentos, os pesquisadores compararam observações feitas pelos instrumentos NIRSpec e MIRI, ambos instalados no James Webb. Os dois registraram a mesma característica, reforçando que o sinal não era uma falha de medição.
Depois, a equipe analisou dados de Plutão obtidos em 2023 e encontrou novamente o mesmo padrão. Uma das hipóteses envolve os alenos, uma família de hidrocarbonetos que apresenta comportamento semelhante na faixa infravermelha observada.
Os cientistas acreditam que o composto possa surgir por meio de processos químicos envolvendo nitrogênio e metano. Com a ação da radiação ultravioleta, esses elementos podem gerar moléculas orgânicas mais complexas, que depois chegam à superfície.
Os principais indícios dessa hipótese são:
- O sinal aparece na superfície de Titã;
- A intensidade diminui nas bordas das observações;
- A atmosfera de Plutão não explica sozinha o fenômeno;
- Ganimedes não apresentou a mesma característica.

Futuras missões podem revelar o segredo
Novas observações do James Webb devem ajudar os cientistas a mapear a distribuição do sinal em Titã e descobrir se ele está relacionado a regiões específicas, como áreas com grandes dunas orgânicas.
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A missão Dragonfly, da NASA, também poderá contribuir para essa investigação. O veículo, previsto para chegar a Titã na década de 2030, terá instrumentos capazes de analisar diretamente moléculas presentes na superfície.
É sempre empolgante quando você descobre algo que nunca foi visto antes. É realmente a parte mais legal do nosso trabalho.
Bruno Bézard, cientista planetário do Observatório de Paris e líder do estudo, em nota.
O estudo pode ajudar a revelar como diferentes mundos do Sistema Solar desenvolvem processos químicos complexos.
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