Justiça dos EUA mantém Anthropic fora do Pentágono após disputa sobre uso militar da tecnologia

Justiça dos EUA mantém Anthropic fora do Pentágono após disputa sobre uso militar da tecnologia

Um tribunal federal de apelações em Washington decidiu que a administração Trump agiu de forma legal e constitucional ao classificar a Anthropic como risco de segurança e impedir que a empresa trabalhasse com o governo dos Estados Unidos.

Com a decisão, a Anthropic continua impedida de trabalhar com o Pentágono. O caso surgiu de uma disputa sobre o uso da inteligência artificial militar e as condições impostas pela empresa para sua tecnologia.

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A Anthropic queria limitar o uso de seus sistemas em vigilância em massa e armas letais autônomas. – Imagem: bella1105/Shutterstock

Tribunal mantém decisão do Pentágono

Em uma decisão de 51 páginas, o Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito do Distrito de Columbia afirmou que o Pentágono tinha “amplo respaldo para sua conclusão” de que os produtos da Anthropic poderiam representar um risco à segurança nacional.

Os juízes também rejeitaram o argumento de que os direitos da empresa haviam sido violados. Para o tribunal, a classificação ocorreu por causa dos termos relacionados a um contrato com o governo, e não pelas manifestações públicas da Anthropic sobre o uso de sua tecnologia.

“Nós rejeitamos” os questionamentos da Anthropic, escreveu o tribunal. A decisão foi tomada por um painel de três juízes, com um deles apresentando posição divergente.

A disputa envolvia um contrato de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,03 bilhão) para fornecer tecnologia de IA ao Pentágono em sistemas classificados. A Anthropic queria restringir alguns usos:

  • vigilância em massa de cidadãos americanos;
  • uso de IA em armas letais autônomas;
  • aplicações militares que entrassem em conflito com as restrições defendidas pela empresa.

O Pentágono sustentou que uma empresa privada não poderia estabelecer políticas para o governo dos EUA.

Como começou a disputa

Sem acordo entre as partes, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos”. A designação já havia sido usada pelo governo contra empresas estrangeiras consideradas ameaças à segurança nacional.

A classificação impede que fornecedores ou contratados que trabalham com o setor militar façam negócios com a Anthropic.

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A empresa, responsável pelo chatbot Claude, apresentou dois processos em 9 de março em resposta à decisão do governo. Um deles foi aberto em um tribunal federal da Califórnia. Nesse processo separado, a juíza Rita Lin decidiu no mês passado que o governo havia retaliado ilegalmente a Anthropic por “atividades expressivas protegidas constitucionalmente”.

A decisão da Califórnia não foi anulada pelo tribunal de Washington. São processos distintos, com questões jurídicas diferentes. O julgamento de Washington, especificamente, manteve a classificação da Anthropic e, consequentemente, a restrição ao relacionamento da empresa com o Pentágono.

Governança de IA e uso de inteligência artificial generativa responsiva
Pentágono bloqueia startup de IA por recusa em liberar tecnologia para uso em mísseis e defesa. – Imagem: tadamichi/iStock

Anthropic ainda pode recorrer

Uma porta-voz da Anthropic afirmou que a companhia está analisando a decisão e “considerando todas as opções”. Entre as possibilidades estão recorrer ou pedir que o caso seja analisado pelos 11 juízes que compõem o tribunal federal de apelações.

O resultado mantém a disputa entre a Anthropic e o governo americano em aberto. A empresa defende limites para determinados usos militares de seus sistemas, enquanto o Pentágono sustenta que uma companhia privada não pode estabelecer políticas para o governo.

Por enquanto, a decisão do tribunal de Washington mantém a Anthropic fora dos contratos com o Pentágono. A empresa ainda pode contestar esse resultado, enquanto a decisão separada da Califórnia permanece parte da disputa judicial.

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