Meta decepciona mercado com lucro e projeção abaixo do esperado

Meta decepciona mercado com lucro e projeção abaixo do esperado

As ações da Meta recuaram mais de 6% nesta quarta-feira (29) após a empresa divulgar os resultados financeiros do segundo trimestre com lucro por ação abaixo das expectativas de Wall Street e apresentar uma projeção de receita para o trimestre atual considerada tímida pelos investidores.

Embora a dona do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp tenha superado as estimativas de receita, o desempenho do lucro e as perspectivas para os próximos meses pesaram negativamente sobre os papéis da companhia.

Lucro ficou abaixo das expectativas

A Meta registrou lucro por ação (EPS) de US$ 6,18 (R$ 31,69), abaixo da projeção de US$ 7,22 (R$ 37,02) compilada pela LSEG.

Já a receita atingiu US$ 60,8 bilhões (R$ 311,7 bilhões), superando a expectativa dos analistas, que era de US$ 60,1 bilhões (R$ 308,5 bilhões).

Projeção para o trimestre também decepcionou

Para o trimestre atual, a Meta afirmou esperar uma receita entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões (R$ 312,8 bilhões), com ponto médio de US$ 62,5 bilhões (R$ 320,4 bilhões). O mercado, porém, esperava uma previsão mais otimista. Segundo dados da LSEG, os analistas projetavam uma receita de US$ 63,1 bilhões (R$ 323,8 bilhões).

A empresa acrescentou que sua estimativa considera que a variação cambial deverá representar um impacto negativo de aproximadamente 1% no crescimento anual da receita, com base nas taxas de câmbio atuais.

Número de usuários ativos também ficou abaixo do consenso

Outro indicador acompanhado de perto pelo mercado também ficou ligeiramente abaixo das expectativas.

A Meta informou que o número de pessoas ativas diariamente (Daily Active People, ou DAP) alcançou 3,6 bilhões, enquanto analistas consultados por Wall Street esperavam 3,61 bilhões.

Investimentos seguem elevados

A companhia também revisou sua previsão de investimentos em capital (capex) para 2026.

Agora, a Meta estima desembolsar entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões (R$ 666,6 bilhões/R$ 743,5 bilhões) ao longo do ano. A faixa anterior variava de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões (R$ 640,9 bilhões/R$ 743,5 bilhões), elevando o piso da previsão e mantendo o teto inalterado.

Mercado acompanha estratégia para monetizar IA

Durante a teleconferência de resultados, investidores devem acompanhar atentamente os comentários do CEO Mark Zuckerberg sobre a estratégia da Meta para transformar seus investimentos em inteligência artificial (IA) em novas fontes de receita.

No início deste mês, a empresa apresentou o modelo de IA Muse Spark 1.1. Na ocasião, o chefe da divisão de IA da Meta, Alexandr Wang, afirmou que a tecnologia representa o “modelo mais poderoso até agora para trabalho com agentes de IA e programação”, além de oferecer um custo inferior ao de soluções desenvolvidas pela OpenAI e pela Anthropic.

Desde que contratou Wang em junho de 2025, em acordo que envolveu um investimento de US$ 14,3 bilhões (R$ 73,3 bilhões) na Scale AI, a startup de Wang, a empresa tem investido agressivamente em uma nova estratégia de IA.

“No geral, esperamos que uma parcela significativa de nossa capacidade computacional seja destinada ao treinamento de nossos modelos, ao crescimento de nossos negócios principais e à entrega de agentes pessoais e novos produtos”, disse o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, na teleconferência de resultados de quarta. “Mas também esperamos expandir nossos negócios para atender grandes clientes.”

Zuckerberg indicou ainda que a empresa pode passar a comercializar parte de sua capacidade de processamento para IA, abrindo caminho para um novo modelo de negócios.

A declaração ocorre em momento em que a companhia intensifica os investimentos em infraestrutura para IA, com projetos de data centers que somam dezenas de bilhões de dólares.

“Estamos recebendo muitas ofertas de poder computacional com um ágio significativo em relação ao que pagamos por ele”, afirmou Zuckerberg durante a teleconferência com investidores.

Atualmente, ao contrário de concorrentes, como Amazon e Microsoft, a Meta não possui um negócio consolidado de computação em nuvem.

A possibilidade de alugar capacidade excedente de processamento para outras empresas pode representar uma nova fonte de receita para a dona do Facebook, Threads, Instagram e WhatsApp.

Exemplo de data center
Nos últimos dias, a Meta anunciou uma série de investimentos bilionários para ampliar sua infraestrutura voltada à IA – Imagem: Frame Stock Footage/Shutterstock

Leia mais:

Data centers somam mais de R$ 358,9 bilhões

Nos últimos dias, a Meta anunciou uma série de investimentos bilionários para ampliar sua infraestrutura voltada à IA.

Na terça-feira, a empresa revelou uma parceria com a BlackRock para desenvolver um projeto de data center de US$ 14 bilhões (R$ 71,8 bilhões) em El Paso, no Texas (EUA).

O anúncio ocorreu poucas semanas após a companhia divulgar que seu megaprojeto Hyperion, localizado em uma área rural da Louisiana (EUA), deverá custar mais de US$ 50 bilhões (R$ 256,4 bilhões).

No início de julho, a Meta também informou que construirá um novo data center de US$ 9 bilhões (R$ 46,1 bilhões) em Alberta (Canadá).

Custos sobem 55% no trimestre

A empresa informou que seus custos e despesas totais chegaram a US$ 42 bilhões (R$ 215,5 bilhões) no segundo trimestre, um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a Meta, esse valor inclui US$ 2,4 bilhões (R$ 12,3 bilhões) em encargos relacionados a processos judiciais e US$ 1,1 bilhão (R$ 6 bilhões) em indenizações decorrentes das demissões iniciadas em maio.

A diretora financeira da companhia, Susan Li, afirmou que, desconsiderando esses itens extraordinários, o lucro operacional teria registrado crescimento de 9% na comparação anual.

Lucro líquido recua

O lucro líquido da Meta caiu para US$ 15,8 bilhões (R$ 81,2 bilhões) no trimestre, abaixo dos US$ 18,3 bilhões (R$ 94 bilhões), ou US$ 7,14 por ação, registrados no mesmo período do ano anterior.

Reality Labs continua operando no vermelho

A divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de realidade virtual, realidade aumentada e dispositivos vestíveis com IA, continuou apresentando prejuízo operacional.

No segundo trimestre, a unidade registrou perdas de US$ 4,6 bilhões (R$ 23,6 bilhões), apesar de gerar US$ 431 milhões (R$ 2,2 bilhões) em receita.

Ainda assim, o desempenho foi melhor do que o esperado por Wall Street. Analistas projetavam um prejuízo operacional de US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) e receita de US$ 423,4 milhões (R$ 2,1 bilhões) para a divisão no período.

O post Meta decepciona mercado com lucro e projeção abaixo do esperado apareceu primeiro em Olhar Digital.