A Meta avisou, nesta quarta-feira (20), milhares de funcionários que eles serão demitidos. Isso é parte de uma reestruturação para reduzir custos e focar em inteligência artificial (IA).
Os desligamentos começaram pelas equipes da Ásia e devem atingir trabalhadores dos Estados Unidos ao longo do dia, que foram orientados a trabalhar de casa durante o processo.
O corte vai atingir principalmente as equipes de engenharia e produtos da empresa, que contava com pouco menos de 80 mil funcionários no final de março após comprometer bem mais de US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 500 bilhões) em despesas de capital em IA.
Na segunda-feira (18), a big tech havia anunciado a realocação de outros sete mil funcionários para novas equipes focadas exclusivamente no desenvolvimento de produtos e agentes de IA.
“Estamos agora no estágio em que muitas organizações podem operar com uma estrutura mais horizontal, com equipes menores de ‘pods’ ou grupos que podem ser mais rápidos e ter mais autonomia”, disse a chefe de pessoal da Meta, Janelle Gale, no memorando ao qual a Bloomberg teve acesso. “Acreditamos que isso nos tornará mais produtivos e tornará o trabalho mais recompensador.”
Investimento massivo em IA gera atrito com funcionários e investidores
Mais demissões podem ocorrer ainda em 2026, disseram pessoas familiarizadas com os planos da empresa ouvidas pela Bloomberg. Elas pediram para não serem identificadas porque essa informação não é pública.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tornou a IA a prioridade máxima da empresa, comprometendo todos os recursos para manter o ritmo de concorrentes como Google e OpenAI.

Isso levou a mudanças na força de trabalho da Meta e na forma como ela opera. A empresa passou por ondas de demissões nos últimos anos, enquanto Zuckerberg pressionava por maior eficiência.
O executivo incentivou engenheiros a usar agentes de IA para auxiliar na programação e outras tarefas, delineou planos para rastrear aparelhos de funcionários para melhorar a tecnologia e passou tempo trabalhando no seu próprio assistente baseado em IA para lidar com algumas de suas tarefas de CEO, como solicitar feedback de funcionários.
Essas mudanças deixaram os funcionários da Meta frustrados e ansiosos. Mais de mil assinaram uma petição endereçada a Zuckerberg e outros líderes da empresa exigindo que ela se abstenha de coletar dados dos seus dispositivos para treinar IA.
Além disso, os gastos agressivos da Meta em IA causaram preocupação entre os investidores, que temem que o investimento da empresa possa não compensar no final.
Embora a Meta tenha enquadrado as demissões como uma oportunidade para “compensar” o custo de alguns de seus principais investimentos em IA, analistas da Evercore estimam que os cortes vão economizar cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões).
É bastante? Depende. Em relação às despesas de capital projetadas pela Meta para 2026, que podem chegar a US$ 145 bilhões (R$ 731 bilhões), não é muito. Isso sem contar as centenas de bilhões de dólares adicionais que a empresa prevê gastar em infraestrutura de IA antes do final da década.
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