Musk x Altman: julgamento continua hoje; saiba os próximos passos

Musk x Altman: julgamento continua hoje; saiba os próximos passos

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Vamos atualizar os primeiros movimentos do julgamento que envolve dois dos nomes mais importantes da tecnologia.

De um lado, Sam Altman, CEO da OpenAI. De outro, Elon Musk, o homem mais rico do mundo – e dono de empresas como SpaceX, X, Tesla e Neuralink. Vale lembrar da xAI, concorrente da OpenAI, que passou por uma fusão com a SpaceX.

Como tudo começou?

Musk é um dos cofundadores da OpenAI e entrou com uma ação judicial em 2024 contra a desenvolvedora, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman. Ele acusa os executivos de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade. 

O que Elon Musk quer?

  • Musk está pedindo US$ 150 bilhões em indenização da OpenAI e da Microsoft, uma de suas maiores investidoras, com os valores destinados ao braço beneficente da OpenAI.
  • Ele também quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos, com Altman e Brockman removidos de seus cargos executivos e Altman retirado do conselho.

Quem está julgando?

Um júri de nove membros, selecionado um dia antes em um tribunal federal pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers, ouvirá magnatas da tecnologia, ex-membros do conselho da OpenAI e funcionários em um julgamento que deve durar um mês. 

O veredito do júri orientará a juíza, que decidirá sobre uma eventual indenização monetária e outras medidas cabíveis em caso de vitória de Musk.

Como foi o primeiro dia de julgamento?

Foram apresentadas duas versões bastante distintas sobre a transformação da OpenAI – que passou de um laboratório de inteligência artificial sem fins lucrativos para uma das companhias de tecnologia mais influentes do mundo.

Na visão de Musk, essa mudança representou uma das maiores apropriações da história: uma organização criada com propósito altruísta teria sido desviada de sua missão original pela ambição de Altman, que fundou a OpenAI ao lado de Musk e de um grupo de pesquisadores de IA há mais de uma década.

Já segundo a versão apresentada pela OpenAI, o empresário com postura mais agressiva e capitalista era o próprio Musk. De acordo com a startup, quando os demais fundadores do laboratório rejeitaram seus planos, ele decidiu deixar o projeto contrariado.

O depoimento de Musk

Após sua arguição inicial, Steven Molo, advogado de Musk, convocou o bilionário para depor como sua primeira testemunha.

Musk corroborou com as falas do advogado: “Não é certo roubar uma instituição de caridade”. Isso porque, pouco tempo antes, Molo encerrou sua apresentação com uma frase de impacto direcionada ao júri: “Roubar uma instituição de caridade é absolutamente errado”.

No depoimento, Elon Musk ainda afirmou que, se a OpenAI e Altman vencerem o processo, isso “dará carta branca para saquear todas as instituições de caridade da América”. Ele defendeu que o caso vai além dele ou de outras pessoas presentes no julgamento. “Toda a base da filantropia nos Estados Unidos será destruída”, declarou.

O depoimento de Musk deverá continuar na quarta-feira.

A defesa da OpenAI

A OpenAI iniciou sua defesa no tribunal federal de Oakland nesta terça-feira (28) com um contra-ataque agressivo à imagem de “salvador da humanidade” de Elon Musk. William Savitt, advogado principal da OpenAI – e veterano que já venceu Musk no caso da aquisição do Twitter –, afirmou ao júri que o bilionário não está agindo por altruísmo, mas por ressentimento.

“Estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu o que queria na OpenAI”, disparou Savitt.

Para a OpenAI, o processo é um caso clássico de “dor de cotovelo” (literalmente, o advogado disse “sour grapes”, expressão em inglês usada para quando alguém desdenha de algo por não ter conseguido conquistá-lo). Savitt argumentou que Musk só passou a atacar a empresa e sua estrutura de lucro após o lançamento do ChatGPT e o consequente crescimento da inteligência artificial.

Um dos pontos mais impactantes da abertura foi a apresentação de e-mails de 2017. As mensagens, enviadas por assessores próximos de Musk (Shivon Zilis e Sam Teller), mostram que o bilionário planejou transformar a OpenAI em uma empresa tradicional sob seu domínio.

Sobrou até para a Microsoft

Após as apresentações de Steven Molo (defesa de Elon Musk) e William Savitt (defesa da OpenAI), foi a vez de a Microsoft se defender.

Russell Cohen, advogado principal da companhia, seguiu a linha da OpenAI ao classificar as queixas de Musk como oportunistas, destacando que o bilionário nunca se opôs à aliança entre as empresas até que a inteligência artificial se tornasse um sucesso comercial e global.

Quem é quem nas defesas

O tribunal de Oakland reúne alguns dos advogados mais influentes dos Estados Unidos:

  • Time Musk: liderado por Steven Molo (litígios comerciais) e Marc Toberoff (conhecido por processos de direitos autorais contra Hollywood).
  • Time OpenAI: liderado por William Savitt, o mesmo advogado que representou o Twitter contra Musk na conturbada aquisição de US$ 44 bilhões.
  • Time Microsoft: a gigante, principal parceira da OpenAI e também ré no processo, é representada por Russell P. Cohen, especialista em antitruste.

A cobertura completa do julgamento você acompanha aqui no site e no Olhar Digital News, nossa live diária que vai ao ar de segunda a sexta-feira, a partir das 19h30, em nossas redes sociais.

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