Nvidia lança novo modelo aberto de IA para aplicações empresariais

Nvidia lança novo modelo aberto de IA para aplicações empresariais

A Nvidia apresentou nesta terça-feira (11) o Nemotron 3.5 Lightning, um modelo aberto de inteligência artificial desenvolvido para empresas que buscam diminuir gastos com processamento de tokens sem abrir mão de recursos avançados.

A novidade foi anunciada pela companhia em meio à disputa entre modelos de IA abertos e fechados. Kari Briski, vice-presidente de software de IA generativa para empresas da Nvidia, explicou a estratégia durante o The Wall Street Journal Leadership Institute.

Além do novo modelo, a empresa lançou o Nemo Switchyard, uma biblioteca de código aberto capaz de direcionar diferentes tarefas de agentes de IA para modelos distintos. A proposta é equilibrar qualidade, velocidade e custo, além de reduzir a exposição de informações proprietárias.

Nvidia aposta em modelos menores e roteamento para controlar despesas

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

O Nemotron 3.5 Lightning foi concebido em uma estrutura mais compacta, mas preserva conhecimentos presentes em modelos considerados mais potentes. Essa característica permite que empresas utilizem uma alternativa menos custosa para determinadas aplicações.

De acordo com Briski, a lógica econômica está em evitar o emprego de modelos maiores em tarefas rotineiras. O Switchyard complementa essa estratégia ao decidir qual modelo deve assumir cada atividade, levando em conta fatores como qualidade da resposta, tempo de processamento e preço.

A Nvidia desenvolveu inicialmente o sistema de roteamento para atender a uma necessidade própria. A companhia buscava administrar melhor o volume de tokens consumidos por suas aplicações de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, manter controle sobre sua propriedade intelectual.

Outro aspecto destacado pela executiva é a proteção de informações empresariais. Para organizações que trabalham com áreas especializadas, como segurança cibernética e ciência dos materiais, existe o receio de compartilhar conhecimento estratégico com fornecedores de IA que possam eventualmente competir nesses mesmos mercados.

Jensen Huang com o logo da Nvidia atrás de si
Nvidia – Imagem: FotoField/Shutterstock

Consoante a avaliação apresentada por Briski, modelos abertos oferecem às companhias maior possibilidade de adaptação, inclusive com treinamento utilizando dados próprios. Para a Nvidia, essa característica se soma à possibilidade de medir ganhos tanto em eficiência quanto em precisão.

O movimento ocorre um dia depois da Meta Platforms apresentar o Muse Glimmer, outro modelo aberto. A empresa descreveu a ferramenta como suficientemente pequena para funcionar em um computador Mac ou PC equipado com apenas uma GPU voltada ao mercado consumidor.

A Nvidia também aparece envolvida em outras frentes relacionadas à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. A companhia firmou acordos com Apollo, Blackstone, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento de capacidade computacional, com a meta de disponibilizar mais de US$ 500 bilhões em capital para clientes.

O cenário empresarial de IA descrito no material também inclui a Anthropic, que procura investidores antes de uma possível abertura de capital avaliada em US$ 965 bilhões, e a assinatura de um contrato de US$ 9,1 bilhões por 20 anos entre a empresa e a Riot Platforms para garantir capacidade de data center no Texas.

No setor de semicondutores, a Intel informou que pretende captar US$ 20 bilhões por meio da oferta pública de 210,5 milhões de ações a US$ 95 cada. A companhia afirmou anteriormente que observa forte demanda de clientes associada ao avanço dos investimentos em computação para inteligência artificial.

Apesar do lançamento do Nemotron 3.5, a versão 4.0 já está em desenvolvimento

A Nvidia também trabalha em uma nova família de modelos de inteligência artificial de código aberto, chamada Nemotron 4. O projeto ainda está em desenvolvimento e não tem uma data oficial de lançamento definida pela companhia.

De acordo com pessoas envolvidas no projeto citadas pelo veículo The Information, a versão de maior porte da nova geração deverá contar com pelo menos 1 trilhão de parâmetros. O treinamento final ainda não foi concluído, mas o modelo poderia ficar pronto no fim do outono no hemisfério norte.

A expansão dos modelos abertos também trouxe discussões sobre segurança. A possibilidade de utilização dessas ferramentas em aplicações de segurança cibernética, sem as mesmas restrições encontradas em determinados sistemas fechados, ganhou atenção após uma série de ataques atribuídos ao uso de agentes autônomos de IA.

Nesse contexto, a Nvidia formou no mês passado uma coalizão com outras empresas para desenvolver e compartilhar recursos voltados à segurança de inteligência artificial e à proteção cibernética. A companhia também assinou uma carta aberta ao lado de grandes empresas de tecnologia em defesa de modelos de pesos abertos, sob o argumento de que a inovação não deve migrar para outros mercados.

O Nemotron 4 representa, portanto, uma aposta de maior escala dentro da estratégia da Nvidia. Enquanto o Nemotron 3.5 Lightning apresentado nesta terça-feira é direcionado a tarefas específicas e ao controle dos custos computacionais, a próxima geração poderá ampliar a capacidade da empresa de competir diretamente no segmento de modelos abertos de grande porte.

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