Todos os dias, o corpo humano entra em contato com vírus, bactérias e outros microrganismos capazes de causar doenças. Ainda assim, nem toda exposição resulta em infecção ou sintomas.
Isso ocorre porque o sistema imunológico é capaz de “aprender” com encontros anteriores e responder de forma mais rápida e eficiente ao reconhecer um invasor já conhecido. Esse mecanismo, chamado memória imunológica, está no centro da imunidade adquirida e do funcionamento das vacinas.
Neste artigo, vamos explicar em mais detalhes como ele funciona e por que essa proteção pode durar por anos.
O que é memória imunológica?

A memória imunológica é a capacidade do sistema imunológico de reconhecer agentes infecciosos que já encontrou no passado e responder de maneira mais intensa e rápida em uma nova exposição.
Após vencer uma infecção ou receber uma vacina, o organismo guarda informações específicas sobre aquele patógeno. Em um reencontro, essa memória permite eliminar o invasor antes que ele cause sintomas ou danos significativos.
Esse processo explica por que muitas doenças infecciosas são contraídas apenas uma vez na vida e por que a vacinação consegue proteger milhões de pessoas sem que elas precisem adoecer para desenvolver imunidade.
Como a memória imunológica se forma

Quando um vírus ou bactéria entra no corpo pela primeira vez, o sistema imunológico precisa identificar o invasor e produzir uma resposta adequada. Esse processo leva tempo. Durante esse período, o patógeno se multiplica e provoca sintomas como febre, dor e inflamação. Essa fase recebe o nome de resposta imune primária.
Nesse primeiro combate, células especializadas do sistema imune são ativadas e se multiplicam para eliminar o invasor. Ao final da infecção, a maioria dessas células morre, mas uma parte se transforma em células de memória.
O papel das células B de memória

As células B de memória são responsáveis pela produção de anticorpos. No primeiro contato com o patógeno, elas aprendem a reconhecer estruturas específicas do invasor e passam a produzir anticorpos direcionados. Após a cura, essas células permanecem no organismo por anos ou até décadas.
Quando ocorre uma nova exposição ao mesmo agente infeccioso, as células B de memória entram em ação rapidamente e produzem grandes quantidades de anticorpos mais eficientes do que os gerados na primeira infecção.
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O papel das células T de memória

As células T de memória atuam como uma força de resposta rápida. Elas reconhecem células do corpo que foram infectadas e coordenam sua destruição. Diferente das células T que nunca tiveram contato com o patógeno, as células T de memória respondem em poucas horas após uma nova infecção.
Essa ação rápida reduz drasticamente a capacidade de multiplicação do vírus ou da bactéria, impedindo o desenvolvimento da doença.
A diferença entre resposta primária e secundária

A importância da memória imunológica fica clara quando se compara o primeiro contato com um patógeno e uma nova exposição. Na resposta primária, o corpo pode levar de sete a quatorze dias para atingir níveis eficazes de defesa. Nesse intervalo, os sintomas aparecem e a infecção se estabelece.
Na resposta secundária, mediada pelas células de memória, o reconhecimento do invasor ocorre em horas. A produção de anticorpos é muito mais rápida e intensa, chegando a ser centenas de vezes maior. Em muitos casos, o patógeno é eliminado antes que a pessoa perceba qualquer sinal de infecção.
Por que as vacinas funcionam?

As vacinas funcionam porque estimulam a memória imunológica de forma controlada e segura. Elas apresentam ao sistema imunológico uma versão inofensiva do patógeno, que pode ser um microrganismo enfraquecido, inativado ou apenas uma parte dele.
O corpo reage como se estivesse enfrentando uma infecção real e cria células B e T de memória. Quando o patógeno verdadeiro entra em contato com o organismo, a resposta já está pronta, evitando formas graves da doença.
Por que algumas memórias duram mais do que outras?

A mutação dos patógenos
Nem toda memória imunológica é permanente. Alguns vírus, como o da gripe, sofrem mutações frequentes. Isso muda a aparência do patógeno para o sistema imunológico. As células de memória criadas para versões anteriores não reconhecem totalmente as novas variantes, o que reduz a proteção e exige vacinação periódica.
O enfraquecimento natural da memória
Em outros casos, o patógeno não muda, mas a memória imunológica diminui com o tempo. Algumas células de memória morrem se não recebem estímulos periódicos. É por isso que vacinas como as do tétano e da coqueluche exigem doses de reforço ao longo da vida.
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