Olhar Espacial explora supernovas registradas em sítios arqueológicos do Nordeste

Olhar Espacial explora supernovas registradas em sítios arqueológicos do Nordeste

Pinturas rupestres e inscrições em pedras costumam revelar aspectos importantes sobre a vida, as crenças e os conhecimentos de povos antigos. Um exemplo é um estudo publicado no ano passado na revista Cadernos de Astronomia, periódico ligado à Universidade Federal do Espírito Santo, que investiga possíveis registros de supernovas em gravuras encontradas no Nordeste brasileiro.

A pesquisa revela que povos indígenas da região podem ter representado explosões estelares extremamente brilhantes em petróglifos e pinturas rupestres localizados principalmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte. O trabalho reúne conhecimentos de Astronomia, Arqueologia e Antropologia para comparar registros históricos com símbolos gravados em rochas.

Os autores analisaram relatos de supernovas observadas por chineses, árabes e europeus ao longo dos últimos dois mil anos. Depois, utilizaram softwares astronômicos para reconstruir o céu da época dessas explosões e verificar se a posição do Sol, da Lua e das estrelas coincide com os desenhos encontrados nos sítios arqueológicos brasileiros.

arte rupestre
Pintura rupestre encontrada em um sítio arqueológico na cidade de Taperoá, na Paraíba, pode ser representação de supernova. – Crédito: Felipe Sérvulo/Arquivo Pessoal

O estudo não afirma ter encontrado provas definitivas, mas aponta evidências sugestivas. Um dos principais focos é a supernova registrada no ano de 1054, responsável pela formação da famosa Nebulosa do Caranguejo. O fenômeno foi tão intenso que chegou a ser visível durante o dia em algumas partes do planeta.

Entre os locais analisados estão os sítios arqueológicos Lagoa do Escuro, Lameirão I e Toca dos Astros. Neles aparecem figuras que podem representar astros muito brilhantes próximos da Lua ou do Sol. Os pesquisadores destacam, porém, que ainda existem desafios importantes, como a ausência de datação precisa das gravuras.

Outro ponto considerado essencial é interpretar os símbolos dentro do contexto cultural dos povos originários, especialmente os Tarairiú. Mesmo sem conclusões definitivas, o trabalho abre espaço para uma discussão inovadora sobre a possibilidade de antigos habitantes do Brasil terem registrado fenômenos astronômicos raros e impressionantes.

Felipe Sérvulo
Felipe Sérvulo é o convidado desta sexta-feira (22) do programa Olhar Espacial. – Crédito: Arquivo Pessoal

Para conhecer todos os detalhes dessa pesquisa, o programa Olhar Espacial desta sexta-feira (22) recebe um dos autores do estudo, Felipe Sérvulo Maciel Costa. O pesquisador atua nas áreas de arqueoastronomia e astronomia cultural, além de desenvolver projetos voltados ao ensino de Física e Astronomia.

Graduado em Física pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), especialista em ensino de Astronomia e mestre em Cosmologia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ele atua nas áreas de arqueoastronomia, etnoastronomia e divulgação científica. Fundou o projeto “Mistérios do Universo”, que une ciência, educação e cultura popular. Também desenvolve trabalhos artísticos em xilogravura, pintura, cordel e arte digital. Como cientista cidadão, participou da descoberta de uma supernova, 14 transientes astronômicos e quatro asteroides provisórios em projetos internacionais. Além disso, é autor do livro “Das Cavernas ao Espaço: Uma Breve História da Astronomia” e integrante da Associação Paraibana de Astronomia e da Sociedade Astronômica Brasileira. 

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Como assistir ao Programa Olhar Espacial

Apresentado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA; membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Bramon e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, o programa é transmitido ao vivo, todas as sextas-feiras, às 21h (horário de Brasília), pelos canais oficiais do veículo no YouTubeFacebookInstagramX (antigo Twitter)LinkedIn e TikTok.

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