Por que nunca vimos um dinossauro do tamanho de um passarinho?

Por que nunca vimos um dinossauro do tamanho de um passarinho?

Uma pesquisa publicada na última quarta-feira (05) indicou que a evolução dos dinossauros pode ter sido marcada por uma limitação inesperada: a dificuldade de originar espécies extremamente pequenas. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Museu Americano de História Natural e da Universidade de Princeton.

A investigação analisou como o tamanho corporal evoluiu entre diferentes grupos de vertebrados e apontou que fatores fisiológicos não explicam por que os dinossauros não avianos permaneceram maiores do que animais equivalentes de outros grupos. A hipótese levantada envolve disputas ecológicas com pequenos mamíferos que já ocupavam esses espaços.

O trabalho, publicado na revista Evolution, usou modelos matemáticos para avaliar padrões de tamanho corporal e concluiu que a competição, além de outros fatores ambientais, pode ter restringido a redução do porte dos dinossauros antes do surgimento das aves.

Para onde foram os dinossauros minúsculos?

Imagem mostra um beija-flor
Beija-flor (Imagem: James Wainscoat / Unsplash)

Os dinossauros são frequentemente associados a animais gigantescos, mas os pesquisadores decidiram investigar o extremo oposto da escala evolutiva. A pergunta central foi por que não surgiram dinossauros do tamanho de camundongos ou pequenos pássaros, comuns entre muitos vertebrados atuais.

A análise revelou uma diferença marcante no registro evolutivo. Cerca de 75% das espécies atuais de mamíferos e aproximadamente 90% das aves existentes possuem tamanho inferior ao menor dinossauro não aviano conhecido.

Entre os menores representantes desse grupo está o Microraptor, que pesava aproximadamente 450 gramas, valor próximo ao de um coelho grande. Esse tamanho ainda supera amplamente animais atuais extremamente pequenos, como o beija-flor-abelha e o musaranho etrusco, ambos com peso próximo a 2 gramas.

Os cientistas consideraram a possibilidade de que fósseis de dinossauros muito pequenos simplesmente não tenham sido encontrados. No entanto, a hipótese foi considerada pouco provável porque depósitos fossilíferos capazes de preservar dinossauros também registram mamíferos, lagartos, anfíbios e outros animais pequenos.

A fisiologia não explica sozinha o tamanho

conceito dinossauro
Fóssil pode se tornar uma referência para o estudo da evolução inicial dos sauropodomorfos (Imagem: CONICET/Divulgação)

Para investigar o fenômeno, os pesquisadores aplicaram modelos matemáticos baseados em energia disponível, reprodução e seleção natural. A proposta era identificar se os animais tenderiam a atingir tamanhos que favorecessem o uso mais eficiente dos recursos para gerar descendentes.

O método apresentou resultados compatíveis com os padrões observados em mamíferos, aves e tartarugas. Porém, não conseguiu explicar a distribuição de tamanho encontrada em dinossauros não avianos, assim como ocorreu com alguns outros répteis, como cobras, lagartos e crocodilianos.

A conclusão dos autores é que características internas dos organismos não seriam suficientes para explicar a ausência de dinossauros muito pequenos. As condições ambientais, incluindo competição por recursos, predadores e disponibilidade de nichos, teriam exercido papel decisivo.

O voo abriu uma nova possibilidade evolutiva

O estudo também analisou a transição que levou ao surgimento das aves. Embora elas sejam descendentes dos dinossauros, muitas espécies atuais apresentam dimensões muito menores do que qualquer dinossauro não aviano conhecido.

Os pesquisadores apontam que a capacidade de voar pode ter alterado as oportunidades ecológicas disponíveis para esses animais. Ao ocupar ambientes diferentes, as primeiras aves teriam escapado das restrições que dificultavam a redução do tamanho entre outros dinossauros.

A pesquisa sugere, portanto, uma relação curiosa na história evolutiva: os antecessores dos dinossauros podiam ser pequenos, e seus descendentes modernos, as aves, também alcançaram tamanhos reduzidos. Entretanto, os próprios dinossauros não avianos parecem ter encontrado uma barreira para chegar a essa escala.

Novos estudos poderão investigar quais pressões ambientais determinaram quais tamanhos corporais prosperaram e quais trajetórias evolutivas nunca chegaram a existir.

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