A OpenAI perdeu mais um nome importante do alto escalão. Denise Dresser deixou o cargo de CRO na quinta-feira, apenas dois dias depois de Brad Lightcap anunciar sua saída. As mudanças atingem a empresa enquanto ela se prepara para um possível IPO e sustenta uma avaliação de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,37 trilhões).
Fidji Simo também está fora da companhia. As três saídas acontecem em meio à disputa com Google e Anthropic, à expansão de modelos de código aberto mais baratos e às expectativas dos investidores sobre o futuro da OpenAI, explica a CNBC.

Dresser deixa o cargo
Dresser havia chegado à OpenAI em dezembro, depois de mais de uma década em posições de liderança na Salesforce. Ela recebeu a missão de expandir os negócios corporativos, considerados estratégicos na concorrência com a Anthropic.
Em abril, quatro meses após sua contratação, Dresser assumiu parte das atribuições de Lightcap. Ele deixou a função de diretor de operações para trabalhar em “projetos especiais” e anunciou nesta semana que encerraria uma passagem de oito anos pela empresa para “começar algo novo”.
A sucessora de Dresser será Dali Rajic, que ocupava o cargo de presidente e diretora de operações da Wiz, empresa de cibersegurança adquirida pelo Google por US$ 32 bilhões (cerca de R$ 164,16 bilhões).
Greg Brockman, presidente da OpenAI, afirmou que Dresser comandou a área de receita durante um “período de formação para o negócio”. Sobre Rajic, disse que ela deverá transformar o que a empresa aprendeu em uma operação mais consistente.
Área corporativa cresce
A mudança no comando não impediu a OpenAI de destacar os resultados obtidos no mercado empresarial. Segundo Brockman, a receita recorrente cresceu mais de 20% em julho, enquanto a expansão entre clientes corporativos chegou a 32%.
A divisão empresarial atingiu 2 milhões de clientes, o dobro do número registrado um ano antes.
Eu simplesmente nunca vi esse nível de convicção se espalhar tão rapidamente e de forma tão consistente pelas indústrias.
Denise Dresser, CRO da OpenAI, à CNBC.
Na mesma entrevista, ela afirmou que os negócios corporativos respondiam por 40% da receita e poderiam alcançar o mesmo peso dos consumidores até o fim de 2026.
Os números destacados pela OpenAI incluem:
- 2 milhões de clientes corporativos;
- crescimento de 32% entre clientes empresariais em julho;
- alta superior a 20% na receita recorrente em julho;
- 40% da receita vindos dos negócios corporativos, segundo Dresser;
- avaliação de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,37 trilhões).

IPO no horizonte
A OpenAI apresentou confidencialmente seu prospecto de IPO em junho, mas ainda não revelou uma data para a oferta.
A saída dos executivos chamou a atenção de investidores. Kevin McCormick, fundador da SignAudit.AI, classificou a debandada antes do IPO como um “grande sinal de alerta”. Dois investidores disseram à CNBC que ficaram surpresos com a decisão de Dresser.
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Mudanças rápidas, porém, não são exatamente novidade na OpenAI.
Em 2023, Sam Altman foi afastado do cargo de CEO após o conselho afirmar que ele não era “consistentemente sincero em suas comunicações”. Dias depois, voltou à posição diante da reação de investidores e funcionários.
O episódio voltou ao centro das atenções durante o processo movido por Elon Musk contra a OpenAI, Altman e Brockman. Durante o julgamento, a gestão dos dois executivos foi questionada por advogados de Musk.
Com novas baixas no comando, Altman e Brockman terão de manter a confiança de investidores e funcionários enquanto a OpenAI tenta avançar no mercado corporativo e se preparar para uma possível abertura de capital.
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