A Samsung Electronics e o Centro de Pesquisa em Diabetes do Massachusetts General Hospital (MGH) anunciaram, nesta quinta-feira (28), o início de um estudo clínico focado em saúde. A pesquisa vai avaliar o potencial do relógio inteligente Galaxy Watch 8 em ajudar adultos que iniciam o tratamento com medicamentos GLP-1 (Ozempic, por exemplo) a monitorar a perda de massa muscular. O projeto vai analisar como o uso de dados biométricos contínuos gerados pelo acessório pode auxiliar pacientes e médicos a mitigar esse efeito colateral.
A iniciativa vem num momento de ampla adoção desses tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2. Nos Estados Unidos, por exemplo, um em cada cinco adultos relata já ter usado “canetas emagrecedoras”.
No entanto, a redução drástica de massa magra acendeu um alerta na comunidade médica. O dr. David N. Brennan, da Mayo Clinic, apontou que mais de 30% do peso perdido com essas medicações pode ser composto por tecidos musculares. E pesquisadores da Universidade de Virginia alertaram que esse desgaste prejudica a postura e a função física, além de elevar o risco de doenças cardiovasculares.
Pesquisa clínica dividirá voluntários em grupos para testar eficácia de sensores do Galaxy Watch 8
Para o desenvolvimento do estudo, os coordenadores vão recrutar 100 voluntários adultos que estão iniciando o tratamento de perda de peso com as “canetas emagrecedoras”. O contingente de participantes será dividido em dois grupos para que os cientistas comparem os resultados clínicos. A liderança dos trabalhos ficará sob a responsabilidade da dra. Melissa Putman, diretora do Centro de Pesquisa em Diabetes do MGH.
O primeiro grupo de voluntários vai usar o Galaxy Watch 8, modelo lançado pela Samsung em 2025, para rastrear parâmetros corporais diários. Esses pacientes vão monitorar a composição corporal por meio de Análise de Impedância Bioelétrica (BIA).

Esse primeiro grupo também vai acompanhar a frequência cardíaca e as atividades físicas pelo aplicativo Samsung Health com o auxílio de guias de exercícios personalizados com foco na prevenção da perda muscular.
Já o segundo grupo receberá somente a orientação padrão e os cuidados convencionais normalmente fornecidos a pacientes que iniciam a terapia baseada em GLP-1.
Com o intuito de validar a precisão científica dos dados coletados pelos relógios, os pesquisadores aplicarão exames de DXA de nível clínico, considerados o padrão-ouro na análise de composição corporal, para mensurar as alterações fisiológicas dos participantes.
O cruzamento de dados servirá para determinar se os insights e orientações sob medida do sensor BioActive ajudam os usuários a construir hábitos saudáveis sustentáveis. O foco de longo prazo da iniciativa é dar suporte à retenção de massa magra e à melhora geral dos desfechos de saúde.

“Muitos pacientes de GLP-1 lutam com a perda de massa muscular, um efeito colateral comum que pode causar um aumento do risco de doença cardiovascular e uma queda na taxa metabólica basal, o que pode levar ao ganho de peso futuro”, explicou a Dra. Melissa Putman. “Estamos interessados em explorar como dados contínuos de um dispositivo vestível podem fornecer informações valiosas sobre os níveis de atividade, frequência cardíaca e composição corporal de um paciente, dando aos médicos uma visão mais holística do impacto do tratamento e permitindo ajustes mais oportunos e baseados em dados em seu plano de cuidados.”
Jongmin Choi, chefe do Grupo de P&D de Saúde do negócio de Experiência Móvel da Samsung Electronics, disse que “esta colaboração com o MGH se concentra em abordar desafios de saúde do mundo real que os pacientes enfrentam durante a terapia GLP-1RA, especificamente o gerenciamento da perda muscular e a construção de hábitos saudáveis”.
O projeto expande o histórico de pesquisas compartilhadas entre as duas organizações, que já cooperaram em análises sobre saúde mental e Produtos Finais de Glicação Avançada (AGEs).
(Essa matéria também usou informações da Samsung.)
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