Neste sábado (27), a Lua vai passar na frente de Antares (Alpha Scorpii), provocando uma espécie de “eclipse” dessa estrela supergigante de classe M que tem cerca de 883 vezes o raio do Sol e fica a 600 anos-luz da Terra.
De acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, o evento acontece entre 10h e 14h16 (pelo horário de Brasília). Embora o fenômeno não seja visível do Brasil, poderemos ver os dois corpos celestes muito próximos um do outro após o anoitecer.
Sobre a supergigante Antares:
- Antares é uma estrela supergigante vermelha de classe M, que fica no coração da constelação de Escorpião;
- É a 16ª estrela mais brilhante do céu noturno (embora às vezes seja considerada a 15ª, se os dois componentes mais brilhantes do sistema estelar quádruplo Capella forem contados como uma estrela);
- Junto com Aldebaran, Spica, e Regulus, Antares é uma das quatro estrelas mais brilhantes próximas da eclíptica;
- Tem entre 15 e 18 massas solares e cerca de 883 vezes o raio do Sol;
- Esse tamanho todo, combinado a uma massa relativamente baixa, dá a Antares uma densidade muito pequena;
- Se Antares fosse colocada no centro do Sistema Solar, a parte mais externa da estrela se encontraria entre a órbita de Marte e Júpiter.
- É uma estrela de variabilidade lenta, com uma magnitude aparente de +1,09.

Antares significa ‘o antagonista de Ares’, que é o deus da guerra na mitologia grega, sendo o deus Marte, para os romanos. Então, o nome Antares é uma referência ao brilho avermelhado da estrela que antagoniza com o brilho de Marte.
Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital.

Ocultação lunar de Antares
Ocultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador na Terra devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento).
A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia.
Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.

No mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Antares poderá ser visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.
Fora dos contornos, a Lua não passa na frente de Antares em nenhum momento, ou está abaixo do horizonte no momento da ocultação.
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Como ver a Lua coladinha em Antares
Embora a ocultação só seja observável em uma faixa que atravessa o sul do oceano Índico, o oceano Antártico e partes da Oceania (principalmente a Tasmânia e o extremo sul da Austrália, além de uma fração da Nova Zelândia), uma aproximação entre a Lua e Antares será visível em várias partes do globo, incluindo o Brasil.
Logo após o pôr do Sol, por volta das 18h, mantenha os olhos na direção oposta (leste). Cercada de estrelas da constelação de Escorpião, Antares brilhará um pouco mais acima da Lua 96% iluminada (fase gibosa crescente). O par vai descendo ao cair da noite, desaparecendo no horizonte oeste pouco antes do amanhecer de domingo (28).
Com binóculos 10×50, será possível observar detalhes da superfície lunar, especialmente a região do terminador, onde crateras e planícies vulcânicas se destacam pelo contraste entre luz e sombra.
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